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O que é bitcoin

Bitcoin é dinheiro digital que funciona sem banco nem governo no meio. Milhares de computadores mantêm em conjunto um registro público de todas as transações, e as regras — inclusive o limite de 21 milhões de unidades — estão no software que qualquer pessoa pode verificar.

O problema que ele resolve

Antes do bitcoin, dinheiro digital exigia sempre um intermediário de confiança. Um arquivo pode ser copiado à vontade, então alguém precisava manter o placar oficial de quem tem o quê — um banco, uma processadora, uma empresa. Quem mantém o placar pode bloquear, reverter e emitir.

Em outubro de 2008, alguém sob o nome de Satoshi Nakamoto publicou um documento de nove páginas descrevendo uma forma de manter esse placar sem dono. A rede entrou no ar em janeiro de 2009. A ideia central: em vez de uma entidade guardar o registro, milhares de computadores guardam cópias idênticas e seguem regras que tornam trapaça mais caro que honestidade.

Como a rede funciona, sem jargão

Transações novas são agrupadas em blocos, ligados um ao outro em ordem — daí "blockchain". Para acrescentar um bloco, computadores chamados mineradores competem gastando energia num cálculo repetitivo; quem acerta primeiro publica o bloco e recebe bitcoins novos mais as taxas.

O que isso compra: reescrever o passado exigiria refazer todo o trabalho acumulado desde então, competindo contra a rede inteira ao mesmo tempo. Não é impossível por magia, é caro por engenharia.

A dificuldade do cálculo se reajusta a cada 2.016 blocos, mais ou menos duas semanas, para manter o ritmo perto de um bloco a cada dez minutos, não importa quantas máquinas entrem ou saiam.

Os 21 milhões, e por que isso importa

A recompensa por bloco começou em 50 bitcoins e cai à metade a cada 210 mil blocos, aproximadamente quatro anos. Hoje está em 3,125. Essa série tem soma finita, e é por isso que existirão no máximo 21 milhões de unidades, com a emissão terminando perto de 2140.

O ponto não é apenas o número ser fixo: é ser verificável. Qualquer pessoa pode rodar um programa em casa e conferir quantos bitcoins existem, sem pedir licença nem confiar em auditoria de ninguém. Nenhuma moeda estatal oferece isso.

Cada bitcoin divide-se em 100 milhões de partes, chamadas satoshis, então não é preciso comprar uma unidade inteira.

O que ele não é

Não é anônimo: todas as transações são públicas para sempre, e endereços são frequentemente associados a pessoas. É pseudônimo, o que é bem diferente.

Não é estável: quedas de mais de 70% do topo já aconteceram várias vezes.

Não é uma empresa: não há ações, CEO, sede ou suporte. Ninguém pode reverter uma transação sua, nem recuperar sua chave perdida.

Perguntas frequentes

Quem controla o bitcoin?

Ninguém isoladamente. As regras vivem em software que participantes rodam voluntariamente, e mudar algo relevante exige convencer uma maioria econômica a adotar a mudança. Foi por isso que tentativas de alterar o limite de emissão nunca prosperaram.

Bitcoin tem valor por quê?

Pelas mesmas razões que qualquer coisa tem preço: existem pessoas dispostas a pagar. O que sustenta essa disposição é oferta limitada e verificável, liquidez global permanente e a possibilidade de guardar sem intermediário. Nada disso garante preço futuro.

Quantos bitcoins existem hoje?

Mais de 19,5 milhões já foram emitidos dos 21 milhões possíveis, e o restante entra em circulação lentamente até cerca de 2140. Uma parcela relevante do que existe está perdida para sempre, em chaves que ninguém mais acessa.

Bitcoin é legal no Brasil?

Sim. Comprar, vender, guardar e transferir é permitido, e desde a Lei 14.478/2022 as empresas que prestam esses serviços são reguladas pelo Banco Central. A posse é declarada no imposto de renda.

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Este artigo veio da assinatura Paradigma Pro

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