🃏 Uma Breve Nota sobre NFTs
O que são tokens não-fungíveis, e por quê parece que todo mundo está falando neles?
No dia 7 de Outubro de 2020, a Christie's - uma das duas casas de leilão mais renomadas do planeta - vai vender pela primeira vez uma obra de arte bitcoiner. O evento consagra uma tendência outrora relegada à periferia do mercado. É a "cripto-arte". nascida e criada em fóruns obscuros, com ferramentas desconhecidas e, não raro, motivada por ideologias herméticas.
Leiloar círculos de pedra gigantes entalhados com o código do primeiro release do Bitcoin (por milhões de dólares) não é de se desprezar. Inédito também é o fato de que uma das peças a ser vendida vem com "um certificado de autenticidade na forma de um token não-fungível (um token ERC721)". O artista pega carona naquela que vem se mostrando a narrativa mais polida para assumir o vácuo memético deixado por #DeFi. NFTs.
Quem não se lembra dos CryptoPunks, Decentraland e CryptoKitties de alguns anos atrás? Talvez você não estivesse na indústria, mas muitos se recordam, ainda sem entender direito, dos colecionadores que gastaram centenas de milhares de dólares em gatinhos na blockchain, parcelas de terra em um mundo de realidade virtual ou personagens de MMORPG.
Nessa última semana, uma manchete desse gênero voltou à tona. Um conjunto de cartas num jogo virtual foi vendido por mais de U$150.000 (o valor nominal não quer dizer muita coisa, dadas as relações comerciais entre as partes envolvidas).
Será preâmbulo de uma onda de realocação de capital vindo aí, rumo à próxima tendência a despontar?
Ou será só uma tática batida para reger massas e ordenhar retornos, numa fase em que a euforia já deixou os setores mais líquidos do mercado?
⏰ Tique, toque, tique...
Este não é um artigo sobre Axie Infinity - o jogo de NFTs que está na moda em 2020.
O excerto abaixo, na verdade... foi escrito por um membro da nossa equipe no final de 2017. À época, NFTs entraram em voga depois de uma disparada fulminante de plataformas de contratos (concorrentes da Ethereum) e de tokens de "Open Finance" (o termo #DeFi ainda não existia).
O intuito desse revival é justamente o de exercitar seu senso crítico-memético. Algumas das oportunidades mais brilhantes dessa indústria se oferecem quando desvelamos uma ideia verdadeiramente original. O problema é que quase não existe meme novo. E é importante saber farejar narrativas recicladas e com uma roupagem feita sob medida pra te seduzir.
🃏 Infraestrutura Para NFTs: Vinga?
Fungibilidade é a propriedade que garante a uma unidade de valor a equivalência por outra semelhante. Notas de um real são bastante fungíveis, uma vez que trocar uma por outra não acarreta em mudança alguma de valor. Criptomoedas também, em geral (um ether equivale a outro ether qualquer, como na maioria das moedas). Com figurinhas de um álbum, é diferente: o cromo do Neymar vale muito mais na roda que o do goleiro do Egito. Não são fungíveis.
Tokens não-fungíveis (NFTs) são uma proposta nova, que incorpora essas características de unicidade, e permite a existência de itens colecionáveis digitais comprovadamente escassos e/ou raros. Embalados por um adendo ao protocolo da Ethereum (o ERC721), emergido no fim do ano passado, diversos projetos se lançaram a experimentar com jogos cujos itens e ativos são emitidos, distribuídos e repassados de maneira descentralizada. Decentraland (realidade virtual com um mundo de terrenos vendidos em criptomoedas), CryptoPunks e Etheremon (prescindem explicação) foram alguns dos projetos pioneiros a capitalizarem sobre a tendência. CryptoKitties, um jogo de gatinhos colecionáveis e “emprenháveis” que já congestionou a rede toda da Ethereum, chegou a ser investido em 12 milhões de dólares por alguns dos maiores fundos dos EUA e já fatura milhões de dólares por mês.
CryptoPunks: 10.000 figuras únicas (e algumas bem caras) sendo criptograficamente passadas de mão em mão
2018 promete ser um ano em que a infraestrutura para NFTs se consolida. Isso deve acontecer em três etapas que se sobrepõem. Primeiro, com a proliferação de jogos tentando replicar ou iterar sobre o sucesso dos pioneiros. Segundo, com a contínua formalização de novos standards a nível de protocolo (como o ERC998, que possibilita a NFTs serem donos de seus próprios NFTs - pense em um gatinho que é “dono” de sua coleira customizada, de seu pratinho de ração, e dos tokens alimentícios dentro dele, levando tudo consigo quando revendido ou tradado). Terceiro, com a emergência de marketplaces, plataformas e mecanismos de interoperabilidade entre itens cujas dinâmicas de captura de valor ainda tem muito com o que experimentar (novas dinâmicas surgirão com cada novo primitivo sendo incorporado aos protocolos de base).
Alguns dos marketplaces que estamos interessados em acompanhar são o RareBits (recém conduziu um Series A com VCs americanos de peso), a OpenSea e a XLNT. A {Set} é um protocolo que abstrai cestas de tokens, também antecipando casos de uso e impactos promissores no setor.