Paradigma

🔹 Uma Breve História da Ethereum

Como as narrativas da Ethereum evoluíram ao longo do tempo.

Cripto-comunidades buscam narrativas mais novas ou adaptam as atuais como um exercício de coalizão. Eles também fazem isso para combater a crítica, isolando algumas de suas premissas (“Bitcoin é caro de usar! — Mas não é para ser ‘usado’ com tanta frequência!”).

Criação de sentido — proativa e reativa.

Ninguém pode saber tudo. A complexidade da sociedade é irredutível. Apegamo-nos a modelos mentais que satisfazem nossa sede por compreensão de um determinado fenômeno, e nos afeiçoamos a grupos que se identificam com narrativas semelhantes.

Imagem do DEV plan³ circulado em 2014, na época do ICO da Ethereum.

Crenças não são somente moldadas pela realidade; eles a definem. Em qualquer arena social, há uma batalha sem fim para contar o quê está acontecendo, por que está acontecendo e o que acontecerá a seguir. O controle de narrativas é particularmente poderoso na criptolândia², dada a complexidade inata e a natureza politécnica do campo.

A chegada iminente da Ethereum 2.0 oferece um momento propício para reflexão:

O que exatamente o Ether deve ser? E como nossa visão mudou, nos últimos 5 anos? 

⏳ O Ether ao longo do tempo

Na ausência de um líder acessível, bitcoiners se apoiam em documentos fundacionais para debater o ethos da criptomoeda (por exemplo, “decifrar o que Satoshi ‘realmente queria’”).

Ethereum.org de 2014 a 2018.

A Ethereum é muito mais jovem que Bitcoin. Na sua busca por legitimidade, flertou com uma ampla gama de narrativas⁴. Seus documentos fundadores são recentes; os autores, vivos; a discordância abunda mesmo entre eles⁵.

Na Ethereum, a vocação é uma construção permanente (como abelhas construindo uma colmeia), muito mais do que um exercício de regressão (como Teseu rolando uma bola de linha para escapar do labirinto).

Aqui, dividimos 7 temas principais em torno dos quais o desenvolvimento da Ethereum girou ao longo do tempo. Em ordem aproximada de aparência:

1. Bitcoin 2.0:

Ethereum foi revelado ao público em uma conferência Bitcoin⁶. A cobertura da mídia inicial dependia muito de comparações com a criptomoeda predecessora (ver “O sucessor mais ambicioso do Bitcoin” de 2014 pela Al Jazeera⁷; “Bitcoin 2.0” pela Bloomberg⁸). A motivação original para Ethereum veio das limitações de scripting do Bitcoin. A história de um jovem idealista deixando o submundo “tóxico” bitcoiniano atraiu jornalistas tradicionais tendo que reportar sobre a indústria após aumento de 10x no preço do BTC no final de 2013. Embora essa narrativa tenha perdido força conforme a Ethereum esculpiu uma identidade própria, ainda é uma maneira popular pela qual recém-chegados enxergam o $ ETH pela primeira vez.

2. dApps ("World Computer"):

Tecnicamente, desde o início, a Ethereum foi concebida para ser “uma plataforma para a implantação e execução de contratos inteligentes”. O antigo material promocional já descrevia o $ ETH como “cripto-combustível”: o ativo está para contratos inteligentes assim como a gasolina está para os carros. A visão de um “computador mundial” perdeu gás (😉) porque a escala demorou mais do que o esperado, dApps não se proliferaram e plataformas alternativas de contratos começaram a ganhar tração.

Tokens, derivados, registros de nomes e DAOs fizeram parte da presença online da Ethereum desde o início — Ethereum.org, 2014.

3. DAOs:

A promessa de organizações sem dono sempre foi um ímã para aqueles com inclinações políticas. Propostas como a famosa República Popular de DOUG⁹ (o primeiro DAO² na Ethereum) eram comuns nos primeiros dias. Vinay Gupta, que coordenava os lançamentos da Fundação, costumava divagar sobre o que chamava de “State in a Box” ¹⁰. O TheDAO¹¹ estilhaçou as expectativas de todos e arrefeceu o entusiasmo por experimentos autônomos. Esta narrativa lentamente definhou enquanto nenhum DAO de fato prosperou. Mas ressurgiu, já que organizações financiadas por ICOs não se saíram melhor; e kits de ferramentas para gerenciar cooperativas autônomas finalmente chegaram à main net.

4. Financiamento coletivo (ICOs e STOs):

A mera existência de Ethereum é uma prova do poder do financiamento coletivo sem fronteiras. Essa tem sido recorrentemente postulada como a utilidade mais eminente do ETH. Logo se tornou óbvio que implantar um token era a coisa mais fácil a se fazer com contratos. O enredo enfraqueceu à medida que o escrutínio da SEC em relação à indústria¹² e a seleção natural exerceram seu efeito no mercado¹³.

5. Tokens utilitários e colecionáveis:

Conforme o “caminho até a liquidez” para novos tokens começou a ficar mais complicado, muita energia se voltou para estudar¹⁴, simular e melhorar estruturas de tokens já existentes. Por algum tempo, “utilidade” na verdade significava “defesa à aplicação da leis de valores mobiliários”, mais do que “moldar incentivos”. A introdução do “padrão NFT” ¹⁶ em 2017 impulsionou a exploração de tokens não fungíveis e destacou a proposta de valor dos jogos com estados compartilhados. Isso já fora mencionado nos vídeos de 2014 da Ethereum, sugerindo o que mais tarde se tornaria um caso de uso elogiado.

6. #DeFi:

A narrativa das “finanças não-permissionadas”¹⁷ surgiu em resposta à abundância frívola de tokens no mercado. Abstrair a propriedade por meio de estruturas de informação socialmente aceitas (títulos, tokens) é uma das chaves para o desenvolvimento econômico. Hernando de Soto argumenta que U$ 9,3 trilhões em propriedades são capital economicamente morto (valor perdido) devido ao registro impróprio de direitos — principalmente nas mãos dos mais pobres. A questão é: os benefícios da digitalização de ativos são de alguma forma plutocráticos até que as pessoas tenham uma infraestrutura econômica compartilhada e sem permissões. O sucesso de 0x em construir um ecossistema de retransmissores a partir do zero estimulou intensa experimentação com instrumentos financeiros. A #DeFi Alliance foi estabelecida por entidades líderes na área. Depois da “tese” do Fat Protocol e do Fat Money, surgiu o tema “Fat Wallet”¹⁹, em linha com a filosofia de “software bancário verdadeiramente open source”²⁰.

7. Mercados Radicais²¹:

“Finanças abertas” é ótimo, mas em vez de emular os complexos arranjos financeiros a que estamos acostumados no mundo real, e se pudéssemos redesenhar os mercados do zero? Como o dinheiro programável pode ajudar a desenvolver contratos de propriedade privada, melhorar (ou liquidar) a democracia representativa e impedir a coleta de dados para gerar mercados mais inclusivos e eficientes? Onde a infraestrutura sem permissão é mais necessária? Como a comunidade pode maximizar o impacto social por unidade de esforço? A partir de meados de 2018, a Ethereum passou a ser reverenciada pelos valores sociais que incorpora²² tanto quanto pelo seu mérito técnico. Se o Bitcoin estava bem posicionado para capitalizar as conseqüências da última grande crise financeira, a Ethereum parece prestes a preencher o vazio deixado pelo declínio cultural, político e econômico do capitalismo de vigilância²³ (conforme evidenciado pela lenta corrosão do império do Facebook), no que parece ser uma mudança social em direção a um futuro mais liberal.

🕒 Uma Linha do Tempo

Vitalik Buterin trabalhou no KrypoKit (uma carteira apoiada por Roger Ver e Erik Voorhees) e na Dark Wallet de Amir Taaki. Ele foi cofundador da Bitcoin Magazine com Mihai Alisie e escreveu exaustivamente para ela. 

Após frustrações com a apatia dos bitcoiners em acolher mudanças, Vitalik dedicou tempo à Mastercoin. Ele teve algumas propostas de generalização rejeitadas lá; ponderou sobre a implementação de suas idéias na Primecoin; e finalmente decidiu se aventurar criando uma nova blockchain²⁴.

Membros fundadores em Miami, durante a North American Bitcoin Conference 2014.

O whitepaper da Ethereum começou a circular no final de 2013 e, no início de 2014, o projeto foi apresentado na North American Bitcoin Conference enquanto a maioria dos membros fundadores ficava em uma casa juntos²⁵. O capital inicial foi garantido, levando a uma aventura jurisdicional que culminou com a criação de uma pessoa jurídica na Suíça — a Fundação Ethereum²⁶.

A equipe teve que decidir entre uma abordagem “cripto-Mozilla” (sem fins lucrativos) ou “cripto-Google” (com fins lucrativos). O segundo foi supostamente favorecido no início, mas uma estrutura sem fins lucrativos acabou sendo escolhida²⁷. À luz do conflito, Charles Hoskinson, que atuou brevemente como CEO do projeto, optou por partir do resto do time²⁸ (hoje, é co-fundador da Cardano).

O ICO do Ether transcorreu em meados de 2014, atraindo cerca de 6.000 participantes²⁹.

Um ano depois (cheio de percalços na tesouraria da Fundação recém-criada, após uma queda abrupta no BTC), uma competição foi realizada para encontrar bugs em uma rede de teste. Durante este tempo — o período Olympic — alguns participantes ganharam até 3.500 ETH em recompensas³⁰ — mais de U$ 1 milhão nos preços de hoje.

O primeiro bloco da test net Frontier sendo minerado. Via twitter de Lefteris Karapetsas.

O lançamento da test net Frontier apresentou a primeira versão pública da Ethereum. É difícil de acreditar hoje, mas, naquele ponto, alguns duvidavam que a Fundação Ethereum sobreviveria ao colapso financeiro iminente.

No entanto, havia contribuições de código vindo de todos os cantos do mundo, e uma comunidade esparsa já organizava encontros em pontos aleatórios do globo. A Ethereum começou a andar por conta própria.

ICOs se proliferaram naquele mesmo ano, de forma generalizada depois que o padrão ERC20 foi proposto em 19 de novembro de 2015³¹. Meses antes, a Augur havia conduzido o primeiro ICO da rede. Seu pioneirismo "custou" uma dolorosa migração para o padrão de token normalizado posteriormente³².

No início de 2016, o segundo lançamento importante ocorreu — Homestead — a primeira main net da Ethereum.

Visualizando o proof-of-work e a state machine da Ethereum’s— por atomh33ls.

Daquele momento em diante, a rede não viveria um ano inteiro consecutivo de paz, até os dias atuais — tendo que lidar com bugs, hacks e ataques DoS que repetidamente divergiram a atenção da comunidade de decisões importantes, em favor das mais urgentes.


Logo após o lançamento da Homestead, ficou claro que o Ethereum havia superado seus fundadores e evoluído para um ponto em que poderia causar um impacto econômico significativo — para o bem e para o mal.

O experimento TheDAO atraiu atenção mundial. Foi financiado com (muito) sucesso em maio de 2016, atacado em junho e causou um fork em julho¹¹. Um grupo White Hat formou-se em meio aos dias incertos que sucederam o incidente. Um contra-ataque que limitou a ação do "ladrão" foi executado com sucesso, e deu à comunidade tempo para pensar em cursos de ação viáveis³³.

Alexey Akhunov detecta algo anormal no TheDAO, dando início ao que se tornaria uma thread histórica no Reddit.

O debate acalorado que se seguiu pôs em cheque direitos de propriedade, a ideia de imutabilidade e escancarou o peso do consenso social³⁴. Algumas cicatrizes forjadas durante a reação ao hack do TheDAO seriam permanentes a partir de então. Um hard fork foi conduzido em colaboração com os agentes mais economicamente importantes no ecossistema.

A divisão sinalizou que a noção de imutabilidade absoluta não era primordial para Ethereum (a narrativa abrangente de uma “plataforma para DAOs” perdeu momentum significativamente). O consenso social foi abertamente reconhecido como pelo menos tão importante quanto o “consenso protocolar”. Vale a pena lembrar que o ativo que chamamos de ETH hoje habita a bifurcação da cadeia original - cujo token agora é ETC.

Resposta ao ataque DoS na DevCon II, em uma “sala de mídia transformada em sala de guerra”. Via twitter de Alex Van de Sande.

Após a cisão, no final de 2016, a rede ainda sofreria um grave ataque DoS enquanto a DevCon II acontecia em Xangai³⁵. A resposta rápida e coordenada serviu como demonstração de maturidade para o grupo disperso de desenvolvedores fortalecido após problemáticos 12 meses.

2017 foi um ano de consolidação. A Ethereum seguiu encantando parte crescente da comunidade por ter sobrevivido à bifurcação pós-DAO. Tanto o ETH quanto o ETC ainda tinham um valor significativo. A ETH conquistou liquidez em todas as principais exchanges. O Vale do Silício gostava disso e ajudou o ativo a capitalizar como nenhum outro a onda de interesse mainstream que emergiu durante o período.

ICOs levantaram bilhões de dólares e as expectativas do setor superaram o uso real. Celebridades de Floyd Mayweather a Paris Hilton a Ronaldinho endossaram moedas ERC20 (2 dessas 3 foram condenadas como fraudes). O cuidado com que Vitalik & companhia gestaram a Ethereum (do ponto de vista legal e técnico) estava longe do que se tornou o padrão para tokens em 2016–17³⁶.

À medida que plataformas de contratos inteligentes concorrentes começaram a florescer, grandes detentores de ETH iniciaram um esforço de lobby com o objetivo de impedir que a moeda fosse eventualmente considerada um valor mobiliário pela SEC³⁷. A agência adotou uma postura mais proativa na fiscalização — visando progressivamente empresas maiores (até hoje, dezenas de entidades já estiveram envolvidas na “Operação Cryptosweep”).

Desnecessário dizer que os ICOs (e STOs e tudo o que veio a seguir) perderam muito de seu apelo³⁸.

As equipes que mantiveram seus tokens justificaram isso principalmente pela diferenciação nas propriedades teórico-econômicas de seus sistemas. “Tokenomics” (o termo) ganhou popularidade em meados de 2017³⁹. Os cripto-colecionáveis ​​ganharam destaque logo depois.

No final de 2017, Cryptokitties engarrafaram a rede e deram ao Vale do Silício um novo queridinho para pôr na vitrine⁴⁰. Milhões de dólares de capital de risco fluíram para cripto-jogos, mercados NFT e projetos relacionados a coleções de arte. Seguiu-se pouca demanda mensurável. Os CryptoKitties se estabilizaram em algumas centenas de usuários diários. Um Warhol foi leiloado para um coletivo de acionistas por meio do protocolo Codex, baseado na Ethereum. Até hoje, ainda existem pessoas que blogam com entusiasmo sobre como acumular e negociar propriedades na Decentraland.

Apesar da empolgação, a rede penou para se provar ao mesmo tempo segura e descentralizada para a proteção de fundo. Na virada de 2017 para 2018, a comunidade enfrentou mais um impasse.

Dois eventos em julho e novembro de 2017 (um hack⁴¹ e um acidente⁴², presumivelmente, envolvendo o software da Parity) fizeram com que os proprietários fossem privados de dezenas de milhões de dólares de seu ETH⁴³.

Medidas a nível de protocolo para garantir acesso a estes fundos (ou até mesmo reverter transações maliciosas) foram propostas pelas partes afetadas.

A EIP999 tornou-se central para argumentar a favor de um lado ou de outro⁴⁴. A reação do TheDAO criara um precedente escorregadio. 

Seguiu-se um tenso debate, mas nenhum acordo foi alcançado. Na verdade, o período contribuiu para popularizar a política entre etherianos comuns — ou seja, a transformar a governança de rede em uma prática mais inclusiva.

Iniciativas como o ETHPrize, a Fellowship of Ethereum Magicians e o fóruns de debate político começaram a florescer, com o objetivo de compreender melhor as visões e objetivos compartilhados dentro da comunidade.

Em 2018, o capital outrora sedento por ICOs e novos tokens secou. Os projetos que iteraram no ritmo mais consistente parecem foram os do setor #DeFi. Infraestrutura de crédito, stablecoins, derivativos e relayers/mercados não-custodiais recapturaram a atenção tanto dos grandes investidores quanto da SEC (ver o caso da EtherDelta) ⁴⁵. Este setor é uma evidência dos efeitos combinados que resultam de primitivos modulares, de código aberto e interoperáveis.

Como corolário do aumento da participação em sistemas de governança, observado (subjetivamente) ao longo dos anos, a ética da Ethereum passou a ser um assunto mais discutido. No DevCon IV, no final de 2018, havia uma programação inteira dedicada a “Sociedade e Sistemas”, focada em inclusividade.

Alguns dos principais colaboradores da Ethereum, no Japão — via twitter de Aya Miyaguchi.

O final de 2018 também foi marcada por uma convergência de ideias⁴⁶ entre a comunidade da Ethereum e o movimento RadicalXChange, impulsionado após a publicação de “Radical Markets” por Eric Posner & Glen Weyl. Vitalik tem se empenhado em refinar os conceitos propostos no livro e é coautor de um artigo sobre “Radicalismo Liberal”, explorando mecanismos de financiamento de infraestrutura pública⁴⁷.

Em pouco tempo, uma onda de aplicativos baseados no Ethereum incorporou noções “radicais” como aquelas de propriedade parcialmente comum, impostos auto-denominados e o tratamento da produção de dados online como trabalho⁴⁸. Hackathons recentes revelam experimentos para a compra de anúncios, pixels em um mapa e domínios dentro do modelo dos "impostos de Harberger"⁴⁹. Em breve, poderemos ter uma forma semelhante de alocação de recursos sendo testada em espaços urbanos com arte pública⁵⁰.

Como Weyl disse, após sua palestra na último DevCon, a Ethereum é provavelmente um dos “movimentos mais sérios, organizados e amplos para uma visão positiva, voltada para o futuro e liberal do futuro”. Seu caso de uso evoluiu para ser “menos qualquer questão técnica específica e mais [o de] oferecer uma visão que pode nos salvar de retornar à década de 1930 na próxima vez que entrarmos em uma recessão”. 

Há certos aspectos plutocráticos na rede, e muitas peculiaridades de design para consertar … mas “que outro movimento pode te apresentar a pessoas de todos os credos e raças, em todos os continentes, coalescidas em torno do propósito de descentralizar o poder” ²²?

🏁 Conclusão

A intenção aqui era retratar narrativas abrangentes que impulsionam o desenvolvimento de Ethereum ao longo do tempo. O método escolhido foi mapear o sentimento da comunidade por meio de uma análise das postagens do Reddit, discussões com os primeiros membros da comunidade, documentos, páginas da web arquivadas, tópicos do Github, envios DevPost para hackathons, postagens de blogs pessoais, lembranças de atitudes importantes e cobertura da mídia ao longo dos anos. Qualquer pessoa que já esteja aqui há tempo suficiente pode realizar uma análise semelhante.

Nenhuma declaração pretende ser verdade absoluta. O objetivo é empurrar as pessoas para longe do absolutismo e reconhecer que a identidade dessa comunidade é vívida, mesmo que longe de solidificada. Não há problema em mudar de ideia em resposta a novas evidências. Vitalik disse “isso não funcionou!” O refrão na “música BUIDL” do DevCon IV foi um lembrete poderoso — embora kitsch.

O Bitcoin é comumente elogiado como um organismo conservador. Ethereum é geralmente visto como mais abaixo no espectro, em direção ao progressivismo.

O Ethereum pode ser um financiamento coletivo sem fronteiras e uma revolução no acesso ao financiamento. Pode ser o substrato que falta para o florescimento dos mercados de dados soberanos. Pode ser o ambiente de teste para uma cidade do deserto que funciona com contratos inteligentes.

Também pode ser apenas uma ilusão coletiva em torno de fantasias que teimosamente crescem mais rápido que a realidade. Qual é a vocação desta rede, seu patrimônio e sua comunidade, afinal?

Vitalik certa vez observou que, “contra a doutrina dos libertários, a liberdade é um espaço n-dimensional”. Talvez Ethereum seja uma terra para explorar essas dimensões.

A incerteza assustadora, embora seja um ponto central da crítica aos detratores, é precisamente o que torna os apoiadores tão entusiasmados com o futuro do Ether.

Foto por Ahmed Carter no Unsplash.

📜 Referências

📅 Linha do Tempo da Ethereum

Este artigo veio da assinatura Paradigma Pro

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