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🦇 The Merge: A transição da Ethereum para Proof of Stake

Uma das atualizações mais importantes para a rede Ethereum esta programada para ocorrer ainda este ano. Entenda o que é e como será essa transição, além das consequências que podemos esperar.

O que é o “Merge”? 👇

É a maior mudança de protocolo na história da rede Ethereum, e está programada para ocorrer ainda este ano. O mecanismo de consenso da rede vai passar de Proof of Work (PoW) para Proof of Stake (PoS). É esse o mecanismo que permite que os membros do sistema acordem qual é o estado da rede. Com essa mudança, a produção de blocos passa então dos mineradores para os validadores, que possuem ETH em stake. 

Beacon Chain ⛓

Porém, como fazer essa transição, em um protocolo descentralizado já funcionando, com bilhões de dólares em valor bloqueado?

A solução encontrada pela comunidade Ethereum foi a Beacon Chain. Uma rede funcionando paralela à rede principal, que já está operando com o mecanismo Proof of Stake. Desse modo, os desenvolvedores podem fazer testes e implementações sem alterar a rede principal. O momento que essas duas redes vão convergir ficou conhecido como “The Merge”. 

Toda a história de transações da rede principal vai continuar existindo, e o mecanismo de consenso vai ser atualizado. Para o usuário comum, não há nada que precise ser feito. Espera-se que a mudança aconteça de forma fluida e imperceptível.

Staked ETH 💰

Desde novembro de 2020, já foi possível para usuários transferir seu ETH para a Beacon Chain e assim fazer o stake de suas moedas. No momento, a rede conta com mais de 12 milhões de ETH em stake, 366 mil validadores e rende cerca de 4,4% ao ano em recompensas - pagas em ETH.

Para se tornar um validador, é necessário possuir 32 ETH. Usuários que não possuem essa quantia podem utilizar soluções centralizadas para staking, como a Binance, ou então opções descentralizadas, como uma Staking Pool. Aqui destacamos a Lido, que oferece staking líquido de ETH (enquanto seu ETH está em stake, você recebe o token stETH) e é a grande líder desse setor. 

No gráfico acima vemos (em azul) a porcentagem de ETH em stake, comparado com a quantidade total de ETH em circulação, e em branco o preço. Percebe-se que cerca de 10% do total de ETH está em stake, uma quantia considerável. Isso demonstra a confiança da comunidade, visto que o ETH em stake fica bloqueado até após o Merge, não sendo possível vender.

Halving Triplo e Ultra Sound Money 🦇

Com a transição para PoS, haverá uma grande redução na emissão de ETH. Hoje em dia, cerca de 5.4 milhões de ether são criados por ano, taxa que pode cair para cerca de 0.5 milhões/ano após o Merge. 

Essa redução de 90% na taxa de emissão de Ether ficou conhecida como Triple Halving, um jogo de palavras com o halving do Bitcoin, que a cada 4 anos diminui em 50% a emissão de BTC.

A súbita redução na criação de novos ETH seria o equivalente a 3 halvings do BTC, de uma só vez. É claro que para afirmar isso, se considera que a redução realmente será dessa magnitude, e ainda não há como saber se os efeitos serão tão impactantes quanto ao halving do BTC.

Mesmo assim, a menor taxa de emissão combinada com a EIP 1559, que queima parte das taxas de transações, pode tornar o ETH deflacionário. 

Segundo estimativas, a inflação do ETH após o Merge pode cair de 2% ao ano para -2,1% ao ano (considerando a atual taxa de queima):

É claro que tudo vai depender também do uso da rede - quanto mais uso, mais ETH queimado. Considerando que a blockchain do Ethereum é onde a maior atividade em DeFi e NFTs está, é bem possível que após o Merge o ativo se torne efetivamente deflacionário.

Sound Money é a noção de um dinheiro que no longo prazo não está sujeito a perder seu poder de compra, como acontece com as moedas fiduciárias. 

Esse conceito foi muito utilizado para propagar a narrativa do Bitcoin: um ativo que possui uma emissão previsível e oferta máxima, tendendo a ganhar valor com o tempo. 

A comunidade do Ethereum se apropriou do meme, proclamando ETH como Ultra Sound Money, visto suas futuras propriedades deflacionárias. 

Apesar de ser um meme interessante, vale a crítica que nenhuma moeda, nem mesmo o ETH, possui a mesma resiliência e confiabilidade que o BTC. A possibilidade de se tornar deflacionário num futuro próximo não o coloca em um patamar acima de nossa querida moeda laranja.

Sharding 🚄

O Merge não vai solucionar as altas taxas de transações da rede Ethereum. A proposta deste se limita a atualizar o mecanismo de consenso. 

Uma outra atualização futura, conhecida como Sharding (ou Shard Chains), terá como objetivo aumentar a escalabilidade e capacidade da rede. A ideia é dividir a carga da blockchain horizontalmente, criando várias redes - conhecidas como “shards”.

Após essa atualização, Ethereum vai ser capaz de suportar milhares de transações por segundo (tps), e espera-se também que as taxas diminuam expressivamente. Hoje em dia a rede suporta cerca de 15 tps, e as taxas podem chegar a centenas de dólares em momentos de congestionamento na rede.

Consequências 🌄

O Merge vai trazer inúmeros efeitos para o Ethereum - alguns que podemos prever, outros nem tanto. 

Com a expressiva redução no consumo energético, ETH se torna mais agradável do ponto de vista ambiental. Atualmente, os grandes investidores se atentam muito às práticas ESG (em português, ASG - Ambiental, Social e Governança). Abrir espaço para que capital institucional se sinta seguro para alocar recursos no ativo possibilita maior crescimento e adoção da tecnologia.

Além disso, o fluxo de caixa gerado pelo retorno obtido com staking torna o ETH um ativo mais parecido com títulos (bonds), algo que os investidores institucionais estão mais familiarizados.

Outra dinâmica interessante de se observar vai ser o comportamento dos serviços de stake (principalmente Lido) após o Merge. Apesar de qualquer um poder fazer stake diretamente com a Ethereum, o protocolo da Lido te retorna um token (stETH) que representa seu ETH em stake. Esse token pode ser utilizado em protocolos DeFi como colateral, então há vantagens para se utilizar a plataforma mesmo após o Merge. Percebemos inclusive, que a quantidade de ETH depositado na Lido está crescendo em um ritmo cada vez maior:

 

Já o token de governança da Lido (LDO) é usado para votar nas propostas do protocolo, e não tem muita utilidade além disso. Como não há um método para o token capturar valor (como reverter as taxas para os holders) e nem um fluxo de caixa claro, é difícil prever se haverá valorização do mesmo - e se houver, será mais devido a especulação do que utilidade.

Quando será o Merge? 📆

A Fundação Ethereum é conhecida por seus atrasos, adiantando as datas de entrega de suas atualizações. O Merge, que inicialmente era chamado de Serenity, inicialmente foi programado para ocorrer em 2018. 

Um dos desenvolvedores, Tim Beiko, tweetou que o Merge não vai acontecer em junho, além de explicar os motivos do atraso. Nos documentos oficiais, a fundação estima o terceiro ou quarto quadrimestre de 2022 para a entrega. 

Apesar de atrasos serem desanimadores, quando estamos lidando com um protocolo que movimenta centenas de bilhões de dólares, existe uma responsabilidade enorme em cima dos desenvolvedores. O produto a ser entregue tem que funcionar corretamente, e é melhor esperar do que correr o risco de apressar o desenvolvimento e gerar erros que podem ser catastróficos.

Considerações Finais 📝

Muitos investidores já enxergam o ETH, junto com o BTC, como blue chip do mundo cripto. São moedas resilientes, que já sobreviveram a ciclos de baixa, e que continuam em seu lugar de destaque. Poucas são as altcoins que, no longo prazo, conseguem gerar um retorno melhor que o ETH. 

Com essa atualização, a plataforma de contratos inteligente líder, que já possui um ecossistema vibrante de DeFi e NFTs se solidifica ainda mais. Permitir a seus holders obter renda passiva com stake, e ainda tornar a moeda (possivelmente) deflacionária por meio de uma solução inteligente que, ao mesmo tempo, queima parte das moedas em circulação e diminui a taxa de emissão de novas moedas é uma jogada brilhante. 

Apesar do futuro parecer promissor, há críticas que não podem ser ignoradas. Membros da própria comunidade demonstram preocupação em relação ao aumento de complexidade da rede, e também sobre a centralização que a dominância da Lido pode causar. Ainda há aqueles que argumentam que o consumo energético de um sistema Proof of Work é um mal necessário, que permite alcançar maior segurança e descentralização. 

Em retrospectiva, tudo será óbvio. Por enquanto, ainda não dá para saber todas as consequências que essa mudança trará. O que sabemos é que, com o Merge, um novo capítulo na história da Ethereum está se abrindo.

Este artigo veio da assinatura Paradigma Pro

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