Paradigma

💰 Recap: U$3Bi de Força Compradora no BTC, vindos de LUNA

BTC tornando-se uma ferramenta de estabilidade para a stablecoin UST; senadora dos EUA propõe legislação para restringir o acesso dos russos às criptos; Anchor Protocol avança para a Avalanche.

Rapidinhas

🎨 Casa da Escada Colorida promove evento sobre arte contemporânea e NFTs

Entre os dias 11 e 20 de março, o Rio de Janeiro recepcionou uma das maiores conferências de cripto no Brasil: o Ethereum Rio. Entre palestras sobre Organizações Autônomas Descentralizadas e a inusitada visita do CEO da Binance, um dos eventos paralelos ao EthRio chamou a atenção: um evento realizado na Casa da Escada Colorida, localizada em meio a Escada Seláron, ponto turístico do Rio de Janeiro.

A casa recebe artistas do Brasil de diferentes localidades e disponibiliza uma casa e o espaço para trabalharem suas obras, cada qual com seu estilo específico. Com o objetivo de trazer diversidade, os curadores sempre buscam pessoas e técnicas diferentes para incubar novos talentos ao espaço. A liberdade na criação propiciada pelo ambiente, começou a originar artistas NFTs brasileiros reconhecidos internacionalmente como Hebert Amorim - ou Artdeft. Muitos deles, com dons para artes digitais, viram no mercado de NFTs um mecanismo eficiente para monetizar seus talentos artísticos e expor suas obras globalmente. Apesar de inexistir um posicionamento único de críticos de artes sobre as obras, é evidente seu impacto no setor.

Lágrimas, Artdeft. Vendida na Dartroom Art Blocks, Fragments of an Infinite Field, Monica Rizzoli, 1024 peças

O sucesso de Artdeft, Monica Rizzoli - angariou $28.35 milhões de dólares com sua obra “Fragments of an Infinite Field” - e outros brasileiros no mercado de NFTs tem atraído a curiosidade de artistas, que veem nos tokens não-fungíveis uma possibilidade de expandir suas criações para o meio digital.

A Casa da Escada Colorida realizou palestras relacionando NFTs a artes contemporâneas; discutiu sobre a dificuldade em conceituar PFPs como arte; recepcionou alguns antigos talentos da casa e os entrevistou sobre suas experiências no mundo dos NFTs. Além disso, uma pequena exposição com NFTs de brasileiros foram expostos durante o evento.

💸 Anchor Protocol integra Avalanche ao protocolo

Anchor Protocol é um dapp da blockchain da Terra focado em oferecer rendimentos estáveis aos usuários, identificando-se como uma poupança descentralizada. Com ~14 bilhões de dólares sob custódia, é o protocolo com maior TVL na Terra e o quarto no ecossistema DeFi. A justificativa no sucesso do projeto baseia-se na oferta de altos yields estáveis em $UST e na possibilidade de utilizar tokens depositados em blockchains Proof of Stake como colaterais para empréstimos de $UST.

Os rendimentos distribuídos aos stakers na Anchor Protocol são oriundos, principalmente, das taxas de juros pagas pelos tomadores de empréstimo; e dos yields captados dos tokens derivativos depositados na plataforma ($bLuna, $bETH). A união de ambas fontes de receita devem ser suficientes para pagar aos stakers de $UST os incentivos por manterem suas stablecoins depositadas no protocolo. Os lucros excedentes são destinados ao Yield Reserve, responsável por suprir os pagamentos aos stakers em momentos de escassez de receitas.

Desde o fim do ano passado, a comunidade demonstrou preocupação com a queda do capital do Yield Reserve e a insustentabilidade dos yields pagos pelo protocolo. O esgotamento do tesouro da Anchor teve um agravante: a estratégia implementada pela Abracadabra Money drenou uma parte considerável dos $ANC direcionados aos stakers, ao permitir os usuários alavancarem suas posições e alcançar rendimentos de ~100% APR com seus $USTs. Visando suprir a escassez de $ANC para incentivar usuários a depositarem suas stablecoins no protocolo, a LFG - Luna Foundation Group - adquiriu 450 milhões de dólares em $ANC para o Yield Reserve, aumentando a longevidade dos rendimentos pagos.

Uma das soluções para não ocorrer a falta de recursos para distribuir aos stakers de $UST é encontrar novas fontes de receita. Dentre elas, o aumento de tokens aceitos para a realização de empréstimo em $UST é algo discutido a meses na governança do protocolo. Neste contexto, recentemente houve a aprovação do uso de $sAvax - um derivativo de $AVAX em stake da Benqi - como colateral.

Agora, os usuários poderão usufruir dos rendimentos providos pela Anchor Protocol diretamente na Avalanche e poderão mintar UST utilizando $sAvax. A integração da Avalanche no projeto traz diversos benefícios aos dapp: fornece um novo tipo de receita ao tesouro do protocolo, oferece seus serviços a usuários habituados a blockchains compatíveis com EVM e abre margem para expansão em outras chains. A inclusão de mais colaterais na plataforma - $bSol, $bAtom - poderá tornar seu Yield Reserve mais saudável. No entanto, para saber se essas medidas serão suficientes, só nos resta aguardar.

₿ Do Kwon, CEO da Terraform Labs, anuncia aquisição de $3B de dólares em BTC para colateralizar a UST

A $UST é a stablecoin algorítmica com maior sucesso até o momento. Criada pela Luna Foundation Group (LFG), é emitida a partir da queima de $LUNA, token nativo da blockchain Terra. A estabilidade da stablecoin consiste na capacidade dos arbitradores em aproveitar as situações onde o $UST está acima de $1 - queimando $UST e fazendo o redeem de $LUNA - e abaixo de $1 - queimando $LUNA e mintando novos $USTs -. Ainda que o algoritmo funcione corretamente, o risco da perda de estabilidade no valor da stablecoin causada por uma “corrida aos bancos” ainda persiste. Numa situação de insegurança do mercado, caso todos vendam seus $USTs e não exista demanda pelo token, a stablecoin terá seu peg posto em cheque. Essa é a principal crítica às stablecoins algorítmicas: a ausência de colateralização.

Fonte: Stader Labs

Ciente disto, Do Kwon anunciou em seu Twitter seu objetivo em adquirir 3 bilhões de dólares em $BTC para colateralizar a $UST. Cerca de $1B de dólares, já foi arrecadado com a venda de $LUNA via OTC a venture capitals realizada em fevereiro de 2022 e $1.2B de dólares serão adquiridos com a alienação de $UST por Tether, restando somente $800M de dólares para atingir sua “meta”.

Adam Back, exímio cientista da computação e responsável pela criação do PoW, demonstrou sua preocupação com a metodologia utilizada para a aquisição dos $3B em BTC. Isto porque, o capital levantado pela LFG consiste no investimento de VCs em $LUNA e na alienação de USTs. Ou seja, a Luna Foundation Group está literalmente imprimindo dinheiro para comprar suas reservas em $BTC, desenvolvendo mais um ponzinomics em DeFi.

A aquisição de BTCs para colateralizar a stablecoin algorítmica da Terra trará maior confiabilidade a estabilidade do token, visto que poderá utilizar um criptoativo sem correlação direta ao seu valor. Mesmo que a possibilidade de emitir tokens visando comprar criptos consolidadas no mercado não ser interpretada como uma prática saudável ou sustentável, tem sido adotada por muitos projetos que buscam adquirir sua liquidez própria - vide Olympus DAO e seus forks -.

❌ Nova proposta de lei apresentada por senadora dos EUA visa restringir o acesso da Rússia aos criptoativos

Após a invasão da Rússia na Ucrânia, as nações do Ocidente tem mobilizado-se contra Putin, aplicando sanções econômicas e limitando seu acesso ao mundo exterior. Com sua exclusão do SWIFT, os países visam sufocar economicamente a Rússia, dificultando seu acesso ao seu capital e a comunicação com instituições financeiras internacionais.

Temendo que a Rússia utilizasse criptoativos para driblar as sanções impostas pelo Ocidente, Elizabeth Warren apresentou uma proposta de lei visando ampliar o espectro de restrições aos russos. Apoiada por uma dezena de democratas, o texto da legislação traz proibições a pessoas e empresas que desenvolvem, operam ou utilizam tecnologias relacionadas a criptoativos, mesmo que eles desconheçam ou não tenham a intenção de esquivar-se das sanções.

Utilizando uma terminologia abrangente, a lei não busca apenas exigir das exchanges centralizadas a aplicação do Know Your Customer sobre seus clientes, mas afeta diretamente todos os “facilitadores de transações com ativos digitais”. Estes, podem ser considerados quaisquer pessoas ou entidades que forneçam infraestrutura para as operações com criptoativos serem realizadas.

Aplicativos descentralizados, smart contracts, “protocolos de comunicação” - termo com definição subjetiva, questionada por Hester Peirce -, nós validadores de blockchains ou até mesmo provedores de internet podem ser considerados dentro desta definição inserida na proposta de Elizabeth Warren. Com esta interpretação, até mesmo desenvolvedores de softwares open-source poderão ser punidos por fornecerem ferramentas para russos interagiram com ativos digitais.

A legislação apresentada no Senado incorre no risco de punir pessoas e entidades sem correlação com estratégias para driblar as sanções econômicas impostas a Rússia e agrava a situação dos cidadãos russos que veem nos ativos digitais um meio de fugir da desvalorização de sua moeda fiduciária, o rublo russo.

Este artigo veio da assinatura Paradigma Pro

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