📰 Recap Semanal: Neymar, Serena e os NFTs Chegando ao Mainstream 🐒
Aumentam as chances de que 2022 seja o ano em que "cripto" passe a marca de 1 bilhão de usuários.
🐒 Neymar e Serena com Bored Apes. Seria Luciano Huck o Próximo?

- Seguindo as previsões da Paradigma, Neymar Jr adentrou o mercado de NFTs. Comprou os Bored Apes #6633 e #5269 por ~6M de reais, e adotou um deles como foto de perfil. Parece que dividiu a bagatela com 2 colegas de Paris Saint Germain.
- Paris Hilton e Jimmy Fallon conversaram sobre (e exibiram) os seus 2 Apes na TV americana.
- Serena Williams também entrou pro seleto grupo dos BAYC. Já é detentora de um CryptoPunk, e tem mergulhado profundamente no universo da web3. Tornou-se advisor na Sorare, fantasy game parecido com o Cartola, da Globo. Sua intenção é trazer ligas femininas ao game e incluir as mulheres no mundo dos games NFT.
- Reese Witherspoon e Eva Longoria, atrizes de Hollywood, adquiriram obras da World of Women, coleção de 10.000 PFPs que vem embandeirando causas relativas a inclusão em cripto, e seduzindo mulheres famosas.
- Kanye West foi interpelado num aeroporto e, numa daquelas suas brisas características, saiu em defesa de criadores que monetizam sua arte com NFTs.

🤳 Twitter & Meta Começam a Integrar NFTs

Semana passada, o Twitter anunciou o lançamento de uma aguardada feature. Quem usar um NFT como foto de perfil, agora, pode "verificar" que é dono do token (conectando uma wallet), e ganhar uma insígnia hexagonal, diferente do círculo convencional. A compatibilidade com tokens ERC-721 e ERC-1155 acompanha a onda de personalidades influentes adotando BAYC, Criptopunks e companhia como profile picture. Por enquanto, está disponível em poucos países.
Os críticos aderentes ao meme do “right-click, save as” chiaram, mas a polarização incitada por eles sublinha a função primordial dos NFTs: um certificado de autenticidade gravado na blockchain. Pode copiar e colar à vontade: é on-chain que a verdade reside. E, quanto mais "copiada e colada" uma marca for, mais valor flui para os donos dela.
Enquanto isso, rumores indicam que a Meta está desenvolvendo sua solução nativa para utilizar NFTs como fotos de perfil, além de um marketplace dentro do Instagram. Usuários poderão mintar suas fotos como tokens, e vendê-las diretamente na plataforma.
Zuckerberg já deixou clara a sua intenção de capitalizar sobre o Metaverso. Após a frustrada tentativa em lançar uma criptomoeda própria - a Diem - Zuckerberg realocou suas fichas. Com 2.89 bilhões de usuários mensalmente, a Meta tem tudo para ser o primeiro contato de centenas de milhões de pessoas com NFTs.
🏦 Interfaces de DeFi Se Aproximam de Bancos e Empresas "Normais"
A Compound lançou em junho a Compound Treasury. A ideia é que entidades privadas rentabilizem seus caixas a taxas maiores que as encontradas em produtos financeiros tradicionais (ou oferecerem o serviço a clientes do varejo). A Circle desenvolveu algo parecido em cima estritamente da stablecoin USDC.
A Conduit levantou há pouco 17M de dólares, numa rodada com nomes de peso. Rex Salisbury - ex-a16z - e Mark Britto - CPO na PayPal - compraram a narrativa de "uma API entre o TradFi e DeFi".
A Seashell arrecadou 6M de dólares de outro grupo de titãs. Se propõe a oferecer rentabilidade de 10% sobre os cripto-dólares depositados por usuários, via um produto simplificado. Alguns dos investidores foram Mark Cuban, Do Kwon, Coinbase Ventures e Solana Ventures.
No Brasil, a Monolith tem uma iniciativa interessante com a Token.com. Trabalham rumo a um produto que investirá capital depositado via PIX em protocolos DeFi, como a Aave. A intenção é fornecer aos clientes os rendimentos "de cripto" sem a interação direta com wallets e chaves privadas.
A clareza nas regulações sobre DeFi, a entrada de investidores institucionais e o interesse da população sobre investimentos simples e que superem a inflação conduzirão a evolução neste setor/mercado.
⚔️ A batalha entre stablecoins e CBDCs
CBDC - Central Bank Digital Currency - é uma moeda fiduciária emitida digitalmente por Estados-nação. Com a proliferação de stablecoins no mercado, muitos países viram-se acuados em ter a dominância de suas moedas ameaçadas por empresas privadas. Desde o começo de 2021 discute-se a regulamentação de stablecoins e as principais potências mundiais têm avançado no desenvolvimento de suas CBDCs. Na semana passada o Banco Central americano publicou o whitepaper de sua CBDC. Deixou claro a intenção de discutir internamente a legalidade do instrumento e construir legislações federais compatíveis antes de realizar qualquer lançamento.
Visando não impactar diretamente na estrutura do sistema financeiro, mantém a necessidade da intermediação dos bancos para acesso do varejo as CBDCs emitidas pelo FED. Também demonstra preocupação com a privacidade dos usuários e a necessidade de identificação dos detentores de CBDCs para minar a lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo.
Estes apontamentos alinham-se ao pensamento de que as stablecoins centralizadas e descentralizadas serão submetidas a regulações semelhantes às impostas para instituições financeiras, principalmente após a publicação de um estudo sobre o tema pela OCC, FDIC e o Grupo de Trabalho sobre o Mercado Financeiro do Presidente.
Gary Gensler, comissário da SEC crítico a criptomoedas, apoiará regulamentações rígidas sobre o setor.
Além disso, o FED evidenciou no texto seu conhecimento quanto a digitalização do dinheiro nos EUA e no mundo. Por isso, vê a importância dos Estados Unidos participarem ativamente desse movimento para o dólar não perder sua hegemonia para stablecoins e outras CBDCs desenvolvidas por países ao redor do mundo.
A preocupação do FED possui embasamento: segundo o CBDC Tracker, 60 países estão desenvolvendo pesquisas relacionadas ao tema, 10 na fase de proof of concept, 11 em fase de testes e 2 já foram lançadas, sendo elas Bahamas e Nigéria.
Segundo Agustín Carstens, Gerente Geral do Bank of International Settlements, o dinheiro mais confiável é aquele emitido por Bancos Centrais. Com tantas CBDCs a serem lançadas nos próximos anos, nos resta monitorar se os EUA manterão sua posição de líder nesse setor ou concorrentes como o yuan digital ou a Britcoin tomarão seu lugar.
Enquanto isso, as stablecoins movimentaram ~930 bilhões de dólares em dezembro e tem desenvolvido mecanismos para evitar proibições em sua circulação. Aqui, destaca-se a iniciativa da Reflexer Labs, com o RAI, lançado um token sem correlação ao valor do dólar, colaterizado por ETH e estável.
2022 será o ano em que os EUA lançarão sua CBDC? Não se sabe ao certo. Porém, é evidente seu conhecimento sobre o tema e a preocupação na manutenção de sua hegemonia. Vamos acompanhar as notícias de perto e traremos novidades sobre as moedas fiduciárias digitais.