Paradigma

📰 Recap Semanal: 10-17 de Janeiro

Airdrop de LOOKS, presentão para donos de Doodles, o casamento entre Yearn + Fantom, e o lobby da a16z.

Esta é a 1ª edição de um "recap semanal" que começamos a produzir em 2022. A intenção é agregar as notícias mais relevantes e deixar-lhes a par do que vem acontecendo nas fronteiras do mercado. O foco será em DeFi, NFTs e regulação.

🖼️ NFTs

Doodles ostentam os maiores ganhos entre NFTs blue chips

O mercado de NFTs segue aquecido mesmo com a queda do Bitcoin e das altcoins. O volume de ETH negociado nos principais marketplaces de NFTs tem se mantido alto. Mutant Ape Yacht Club se destacou como a principal coleção em volume, na semana passada.

Uma valorização digna de nota rolou na coleção Doodles. Entre as blue chips, figurou com a maior porcentagem de ganho em um período de 7 dias: 61,8%.

Agora, se olhamos sua valorização nos últimos três meses... notamos que o salto foi ainda maior. Assim como a distância para as coleções seguintes, no ranking de maiores variações positivas.

Doodles é uma coleção de 10.000 NFTs, com artes good vibes desenhadas pelo artista Scott Martin - conhecido pelo pseudônimo, Burn Toast. Conta com participação de Evan Keast e Jordan Castro - ambos trabalharam na Dapper Labs e nos CryptoKitties.

No mint, 1 Doodle custava 0,123 ETH. A coleção inteira foi vendida em questão de minutos, em outubro. Já movimentou 57,8 mil ETH no Opensea desde seu lançamento. Têm uma comunidade forte, coordenada por uma DAO, e um roadmap em constante mudança - o futuro da coleção é decidido por seus membros. O Doodlebank, fundo destinado às ações da DAO, detinha ~1270 ETH no dia 11 de janeiro de 2022.

Um dos motivos por trás do pump no floor price dos Doodles foi a notícia do lançamento dos Space Doodles: NFTs que poderão ser mintados gratuitamente por detentores de Doodles que se disponham a "travar" seus NFTs originais - ou seja, um "drop não-dilutivo".

É um projeto interessante, com dinheiro à disposição, time experiente, e contribuidores ativamente formulando propostas de governança.

Lançaram a Looks Rare: mais um airdrop para usuários da Opensea

Parece que todo mundo está interessado em fazer airdrops utilizando a Opensea como base. Infinity e OpenDAO foram as pioneiras em atrair usuários airdropando tokens às wallets que interagiram com a Opensea. Esse interesse faz todo sentido: a quantidade de usuários ativa na OS em dezembro chegou a ~360.000 wallets. No entanto, o descontentamento da comunidade com seu flerte em realizar um IPO, ao invés de descentralizar a propriedade do marketplace, criou uma narrativa interessante para a construção de plataformas realmente comandadas por seus usuários.

Com esse discurso, a Looks Rare surgiu no dia 1 de janeiro de 2022 propondo ser um marketplace da comunidade. Destinou 12% do supply de tokens - 120 milhões de LOOKS - a usuários do Opensea que já negociaram 3 ETH ou mais entre 16 de junho e 16 dezembro de 2021.

Se você comprou e/ou vendeu essa quantia no OS, estará entre os felizardos detentores de LOOKS.

Para claimar seu airdrop, é preciso listar um NFT na Looks Rare. Leve em consideração o custo das taxas da transação para sacar seus tokens. Leia a documentação e veja a relação entre recompensa e gas fee.

A Looks Rare traz um modelo diferente de marketplace: não só na existência de um token de governança ou a promessa de evoluir com decisões da comunidade, mas com a diminuição na taxa cobrada nas negociações e o destino desse dinheiro: é 100% distribuído entre os stakers de LOOKS. Além disso, caso queira aumentar sua exposição ao token, a Looks Rare criou uma pool, na qual podem ser depositados seus LOOKS, em troca do direito de receber as fees capturadas - a rentabilidade estimada beirava os ~650% a.a, em 11 de janeiro.

Se haverá longevidade no projeto, só o tempo dirá. A única certeza que temos é de que a luta entre marketplaces de NFTs descentralizados está apenas começando.

Royal anuncia o primeiro músico a oferecer direitos autorais de músicas em sua plataforma: Nas

3LAU firmou-se como um dos músicos mais ativos na cena dos NFTs em 2021. Após protagonizar, em fevereiro de 2020, a maior venda de uma coleção musical de NFTs por 11,7 milhões de dólares, o DJ lançou uma plataforma especializada na comercialização de tokens representativos de direitos autorais de músicas, a Royal. Uma das primeiras experiências foi utilizando sua própria música, Worst Case, com 333 ativos digitais limitados, prometendo entregar 50% dos lucros advindos da reprodução da música aos detentores dos tokens.

No dia 11 de janeiro será lançado o mais novo drop da Royal: o cantor de hip hop Nas. Serão comercializadas duas de suas músicas:

A Royal é uma plataforma que denota potencial nessa nova forma de distribuição de royalties musicais. O drop do NAS é apenas o segundo realizado por lá. Será que vira tendência em 2022?

Criadores faturaram 3,5 bilhões de dólares em 2021 usando a Ethereum

A chamada da notícia parece click-bait, mas é real. Alguns desenvolvedores, como Josh Stark, que trabalha diretamente na Ethereum Foundation, fizeram um relatório para estimar os ganhos dos criadores com NFTs em 2021 - aqui, lê-se artistas, músicos, modeladores 3D, fotógrafos, cineastas, e outras atividades similares.

O valor estimado considera todos os mints de NFTs, nos quais os compradores adquiriram-nos e realizaram o pagamento diretamente ao seu criador. Ou seja, não foram inclusos os valores referentes às coleções de NFTs mintadas pelos criadores e posteriormente vendidas no mercado secundário.

Foram incluídos também os royalties pagos nas vendas dos NFTs no mercado secundário. Só no Opensea foram 684 milhões de dólares.

Você pode ter acesso ao relatório completo e as quantias divididas por marketplace.

💰 DeFi 

Yearn Finance recebe grant de ~U$2.5M em FTM

Uma das principais blue chips em DeFi, a Yearn Finance teve uma ascensão meteórica em 2020 e 2021, mas decepcionou nas fases mais adiantadas da bull run, performando pior que boa parte dos seus pares. Seu criador, Andre Cronje, vem trabalhando há anos na Fantom, como conselheiro técnico. Ao longo do ano passado, a Yearn integrou suas Vaults na Fantom, obtendo um aumento considerável em seu TVL nos últimos meses.

Talvez como retribuição por atrair mais usuários para sua rede, além da parceria antiga com Cronje, a Fantom, proporcionou à Yearn uma grant de 1 milhão de FTM (~U$ 2.5 milhões).

Este relacionamento entre Yearn e Fantom ainda dará pano pra manga. Fiquemos de olho nos próximos passos.

Abracadabra Money segue queimando SPELL

Desde outubro de 2021 a Abracadabra Money diminui a emissão de seu token de governança, SPELL, queimando parte de fornecimento circulante. Essa movimentação, segundo o time de desenvolvimento, tem sido realizado em virtude da excessiva emissão de tokens, além das necessidades para liquidity mining, liquidez para pools de empréstimo entre outras atividades.

Segundo dados do protocolo, nos últimos três meses houve uma diminuição de 71,4% na emissão de SPELL. Aos poucos, a Abracadabra aproxima-se do seu objetivo: reduzir suas emissões a zero.

Enquanto isso, a comunidade da Abracadabra Money mantém a expectativa de seu token de governança flipar o MKR, token nativo da Maker DAO, sua concorrente direta no mercado de stablecoins descentralizadas.

Vem aí uma nova corrida por liquidez, à la Curve Wars?

Em 2020 e 2021 vimos uma batalha por veCRV entre os principais players em DeFi, como Convex, Yearn Finance e Redacted Cartel. veCRV é um token de governança da Curve, gerado a partir do depósito de CRV por um tempo determinado. O seu uso tornou-se essencial no direcionamento de liquidez e recompensas nas pools da Curve.

Por que ele é tão importante? Para as propostas terem aceitação na governança da Curve, necessitam de um quórum de 50% e os votos são realizados por detentores de veCRV.

Quanto maior sua bag, maior sua influência nas votações. Interessante, não?

Com o sucesso dos vote locking governance token da Curve, outros protocolos parecem estar interessados em replicar o modelo tokenômico: no dia 28 de dezembro, a Yearn Finance aprovou via governança a YIP-65 - que originará um novo token: o veYFI. Com ele, os detentores de YFI poderão travá-lo por um período determinado - até 4 anos - nos smart contracts da Yearn.

Em troca, terão um poder maior de voto na governança do protocolo e receberão recompensas mais generosas baseadas no tempo de depósitos de seus YFI, em mecânica semelhante à implementada na Curve.

O uso do vote escrow como mecanismo para crescer TVL pode mostrar-se uma tendência nos protocolos DeFi em 2022. Vamos acompanhar de perto.

📜 Regulação

Andreesen Horowitz lança Proposta de Políticas sobre Web3 para os líderes mundiais

Recentemente, a a16z publicou um documento com o título “Como construir uma internet melhor: 10 princípios para os líderes mundiais moldarem o futuro da Web3”. Nele, propõe ações para incentivar tecnologias relacionadas a web3 e não minar seu desenvolvimento. Os 10 princípios trazidos no documento são:

  1. Estabelecer uma visão clara para fomentar a infraestrutura digital descentralizada;
  2. Adotar uma governança e regulação globalizada, com atuação de várias entidades;
  3. Criar regimes de supervisão com objetivos e riscos previamente definidos, para cada uma das atividades desenvolvidas na web3;
  4. Fomentar a inovação com composibilidade, código aberto e o poder das comunidades;
  5. Ampliar o acesso aos benefícios econômicos a economia da inovação;
  6. Desbloquear o potencial das DAOs;
  7. Utilizar a web3 como ferramenta para atingir objetivos relacionados a sustentabilidade do planeta;
  8. Buscar a melhor forma de regular stablecoins para permitir a expansão da inclusão financeira e a inovação;
  9. Colaborar com outras nações para harmonizar diretivas e regulações domésticas;
  10. Prover clareza e regras de impostos justas para o reportar ativos digitais e desenvolver soluções técnicas para compliance.

O documento trata individualmente cada princípio, pautando a importância das nações trabalharem juntas para a criação de um framework compatível com as legislações de cada país.

Destaca-se a menção ao Comitê Gestor da Internet no Brasil, uma estrutura multissetorial responsável por coordenar e integrar as iniciativas relacionadas ao uso e funcionamento da Internet no Brasil, fundada em 1995. A a16z descreve o CGI.br como referência no envolvimento de múltiplos atores na construção de uma padronização da internet, com a participação conjunta de Governo, ONGs, entidades privadas e academia - pg. 8 -.

A Andreesen Horowitz traz uma visão holística da web3: menos um "novo setor", e mais uma nova tecnologia capaz de revolucionar todos os mercados que tocar. Por isso, propostas vindas dos setores de pesquisa e de investimento são essenciais para essa responsabilidade não cair somente no colo de reguladores acostumados a criar legislações reacionárias.


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Este artigo veio da assinatura Paradigma Pro

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