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📰 Recap: Os NFTs Que Desfilarão no Superbowl 🏈

Um novo tipo de rede social pelo time da Aave; uma enxurrada de NFTs no intervalo comercial mais caro do mundo; e uma onda de cancelamentos na Web3.

No recap dessa semana, falamos sobre Super Bowl, uma rede social criada pelo time da Aave, um cancelamento polêmico dentro da ENS e uma nova interpretação sobre a tributação de recompensas pela validação de blocos na blockchain.

Time da Aave lança nova rede social web3: a Lens Protocol


No final do ano passado, Stani Kulechov, fundador da Aave, anunciou sua intenção em revolucionar as redes sociais, desenvolvendo uma solução open-source e nativa da web3. Em 20 de janeiro, a Lens Protocol publicou uma Carta Aberta, demonstrando seu objetivo de permitir aos criadores de conteúdo terem sua identidade digital e usufruir desta como desejarem, não limitando-os com algoritmos ou políticas. No dia 7 de fevereiro lançou oficialmente o protocolo, na blockchain da Polygon.

Sua ideia é tornar possível aos desenvolvedores construírem aplicativos sobre seus smart contracts, garantindo aos usuários a interoperabilidade de identidades digitais entre as aplicações criadas. Em outras palavras, tornará os criadores de conteúdo capazes de usar uma única identidade digital em vários dapps diferentes construídas sobre o Lens Protocol

Foram implementados mecanismos de tokenização em atividades realizadas em redes sociais web2. Com isso, perfis, publicações, seguidores e comentários serão representados por NFTs que serão associados a sua wallet. Isso contribuirá não somente para associação do conteúdo ao seu criador, mas cria diferentes formas da sua monetização e facilita a utilização de informações das identidades digitais em múltiplas aplicações.

O Mirror tem algumas características semelhantes ao Lens Protocol: fornece ferramentas para tokenização de publicações, possibilita a realização de crowdfunding para projetos e fomenta o desenvolvimento de aplicações sobre seu código.

Exemplo de crowdfunding no Mirror

Porém, a Lens Protocol pretende ir além da criação de mais uma rede social web3: ela propõe o desenvolvimento de aplicações sobre sua infraestrutura, comunicando-se entre si e garantindo aos usuários a transferência de suas identidades digitais entre elas.

Já foram desenvolvidas inúmeras aplicações na web3 com a promessa de revolucionarem como as pessoas relacionam-se online. Talvez, a Lens Protocol, por fornecer insumos para construção de redes sociais que se comunicam cumpra essa promessa. Vamos analisar de perto as criações da comunidade.

Bored Apes Yacht Club são avaliados em 5 bilhões de dólares pela venture capital Andreesen Horowitz

A coleção de JPEGs que remodelou o mercado de NFTs tem atraído a atenção de investidores institucionais. Segundo a Financial Times, a a16z, venture capital americana responsável por investir em empresas como Facebook, Amazon e Aibnb, tem discutido com a Yuga Labs sobre a realização de um investimento na desenvolvedora dos Bored Apes. Com 11 funcionários em tempo integral e menos de 1 ano de existência, a startup foi avaliada em 5 bilhões de dólares.

A alta soma é justificável. Os BAYC e seus derivativos movimentaram mais de 2.1 bilhões de dólares somente no mercado secundário do Opensea e tem um crescimento orgânico promovido pelos detentores dos NFTs, graças à concessão dos direitos de propriedade intelectual a eles.

A liberação na exploração comercial das imagens dos Apes, a união da comunidade e sua batalha pregressa com Cryptopunks pelo posto de coleção NFT mais valiosa do cripto-verso criou uma aura de exclusividade e luxo, atraindo os principais nomes do mercado. Os Bored Apes não são somente colecionáveis, mas uma marca única. E isto não é replicado facilmente.

A perspectiva da construção de marcas no Metaverso é uma realidade para muitos investidores e a Andreesen Horowitz vislumbrou este racional nos BAYC.

Super Bowl 2022: o intervalo mais esperado do século

O Super Bowl - a final do Futebol Americano nos EUA - é conhecida não só pelos competitivos jogos, mas pelas atrações no intervalo. Conhecida como Halftime Show, artistas como Paul McCartney, Michael Jackson e Rolling Stones apresentaram-se para milhões de pessoas que assistiam o jogo televisionado.

Em 2022 não será diferente. Snoop Dog, Dr. Dre, Eminem, Kendrick Lamar e Mary J. Blige irão se apresentar durante 12 minutos numa produção feita pela Roc Nation, produtora de Jay Z. E foram convidados 2 rappers surdos, representantes da comunidade surda no rap.

Mas por quê estamos falando sobre o Super Bowl? 

Porque esta é a final de um esporte tradicional mais imersa na criptoeconomia da história. 

Os ingressos para o evento serão acompanhados de um NFT, distribuído como souvenir aos torcedores. A National Futebol League irá lançar uma coleção comemorativa com 7 NFTs comemorativos que serão comercializados para o público em geral. Na final, o vencedor também receberá um NFT, junto do prêmio de campeão do Super Bowl. 

Eminem adquiriu um Bored Ape no começo de janeiro. Snoop Dog não só tem um BAYC, mas uma valiosa coleção de NFTs e um perfil destinado a curadoria da cripto-arte no Twitter. Jay-Z utiliza seu Cryptopunk como PFP no Twitter. Por isso, podem vir surpresas nesse show.

No intervalo do Super Bowl há também o espaço para propaganda, um dos mais caros da televisão americana. Em 2022, estima-se que a Budweiser irá despender 6.5 milhões de dólares por 30 segundos de anúncio - o mais caro da história - com o objetivo de divulgar seu novo produto, a Bud Light NEXT. E a Nouns DAO irá fazer parte dela: firmou uma parceria com a marca de cerveja, doando um NFT de sua coleção em troca dos famosos óculos dos Nouns serem exibidos na propaganda.

Cena da propaganda da Budlight que mostrará os óculos dos Nouns no Superbowl.

Membros do Bored Ape Yacht Club especulam a possibilidade da aparição de uma animação baseada nos BAYCs durante o intervalo. E as corretoras FTX e Crypto.com farão suas aparições nas propagandas da final, com a FTX.US realizando o sorteio de bitcon durante a transmissão do jogo.

Após o fim do jogo, o Foo Fighters irá fazer um after no Metaverso, lançando uma música inédita. 

Novamente, a NFL terá um show à parte do jogo de futebol americano. Desta vez, as criptomoedas serão destaque no intervalo mais esperado do ano.

Brantly Millegan é retirado do cargo de Diretor de Operações da Ethereum Name Service devido a tweet de 2016

No dia 6 de fevereiro, um dos fundadores da ENS foi surpreendido com a vinda à tona de um post seu com conteúdo controverso publicado no Twitter em 2016:

As opiniões de Brantly foram consideradas por muitos usuários como preconceituosas e tiveram uma forte crítica da comunidade cripto. Não somente pela sua opinião pregressa, mas pela confirmação da continuidade do mesmo pensamento. A reafirmação, segundo Brantly, consiste na sua crença na doutrina católica.

Muitos usuários clamaram por sua saída da DAO, com uma clara semelhança a cultura do cancelamento em redes sociais. Farok, artista NFT, criou um ENS intitulado fuckhomophobia.eth em protesto às declarações de Brantly. As doações enviadas a carteira serão utilizadas para dar suporte a organizações LGBTQIA+.

Apesar da insatisfação da comunidade, a retirada de Brantly pode não ser tão fácil. A governança permite aos usuários delegar seus ENS a outros que entendem ser mais ativos e competentes para participar das votações nas propostas apresentadas na DAO. No fim do ano passado, a Ethereum Name Service transformou-se em uma DAO e ele é o membro com maior poder de voto, detendo ~378.280 ENS.  Ainda assim, muitos deles foram retirados - cerca de 53.490 ENS. 

A parcela da comunidade que manteve seus votos delegados a Brantly tem defendido o direito a liberdade religiosa e demonstrado apoio nas redes sociais.

Apesar da divisão na comunidade, Nick Johnson, desenvolvedor líder da ENS, posicionou-se sobre o ocorrido, anunciando o fim do contrato de Brantly Millegan com a entidade legal da Ethereum Name Service, a True Names Limited. A decisão baseou-se na incompatibilidade entre os valores dele e da comunidade inclusiva criada pelos integrantes da ENS. 

Receita Federal Americana decide não tributar lucros obtidos via staking 

Na semana passada uma decisão do IRS - Internal Revenue Service -, o equivalente a Receita Federal no Brasil, chamou a atenção da comunidade cripto. Em maio de 2021, o casal Joshua e Jessica Barrett ingressaram com um processo judicial requerendo o reembolso dos tributos pagos ao Estado sobre os seus tokens recebidos como recompensa por exercer a atividade de staking.

O staking consiste na atividade em contribuir com a validação dos blocos de uma blockchain Proof of Stake, travando seus criptoativos ou delegando eles a um validador. Neste caso, Joshua e Jessica atuavam como validadores e receberam 8.876 Tezos no ano de 2019.

A argumentação do defensor do casal baseia-se na tese de que, segundo a legislação federal americana, as moedas virtuais são consideradas propriedade. Sendo assim, a taxação dos tokens obtidos com staking estaria tributando a criação de novas propriedades.

Outras atividades construídas a partir da geração de novos ativos são tributados apenas no momento da alienação, e não na sua concepção. Exemplos são desenhos artísticos, livros e pães. O exemplo pode soar estranho, mas validadores no Proof of Stake literalmente constroem novos blocos ao contribuírem com a blockchain. Por isso, ao gerar uma nova propriedade, a tributação deve ser a mesma.

E, com essa justificativa, o IRS decidiu devolver os impostos pagos pelo casal sobre as recompensas obtidas com staking, mas requerendo o encerramento do processo. Com o apoio da Coin Center e Proof of Stakers Alliance, Joshua e Jessica negaram o reembolso, e darão continuidade no caso para assim ter uma decisão judicial e construir um precedente para outros que exerçam atividades semelhantes não sejam tributados.

Ainda assim, o formulário para declaração de impostos sobre as rendas obtidas em 2021 indaga sobre o recebimento, venda, troca ou outras atividades relacionadas a moedas virtuais.

A dubiedade e a insegurança jurídica pela ausência de posicionamento do IRS tem conduzindo a definição de staking como uma receita ou salário, tributável desde seu recebimento. Existem ainda nuances nos diferentes tipos de tokens recebidos que são analisados individualmente de acordo com sua natureza.

Por isso, a decisão é emblemática: traz um novo entendimento sobre a tributação de rendimentos com staking.

Este artigo veio da assinatura Paradigma Pro

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