📰 Recap: OpenSea é Alvo de Hacker, e de Mais um Ataque Vampiro ⛵
O lançamento sem sal da X2Y2; um projeto do Snoop Dogg pra apoiar artistas emergentes; e a responsabilização de promotores da finada BitConnect.
Rapidinhas
- World of Women anunciou uma parceria com a Hello Sunshine, uma empresa de mídia da Reese Witherspoon, com o objetivo de produzir vídeos, filmes e séries estrelando os NFTs da coleção e outros projetos liderados e criados por mulheres.
- A Administração de Lugano, na Suíça, em parceria com a Tether, quer tornar a cidade a nova capital europeia do Bitcoin. Farão o anúncio em uma palestra chamada de “Lugano Plan B” que será realizada no dia 3 de março, contando com o CTO da Tether e o prefeito local.
- A Sothebys anunciou uma parceria com a Comissão de Artes Visuais da Arábia Saudita para realizar um evento no país para discutir Artes Digitais e NFTs, com palestras de artistas e curadores.
Hacker leva U$1.8M de Usuários do OpenSea
No dia 19 de fevereiro, o OpenSea publicou em seu Twitter que estava investigando um problema associado aos seus smart contracts, mas que, na verdade, foi ocasionado por um ataque de phishing. Esta é uma técnica de engenharia social utilizada por hackers para conduzir usuários a realizar determinadas ações desejadas por eles.
O ataque realizado pelo hacker aproveitou-se da migração de contratos anunciada pelo OpenSea no dia 18. A atualização vem após a descoberta de uma falha na listagem dos NFTs, que permite usuários os adquirirem por um preço muito menor do que o praticado no mercado, acarretando prejuízos aos seus detentores.
Com a informação de que a migração seria obrigatória para todos os itens listados no marketplace, os hackers enviaram e-mails aos usuários contendo um link malicioso, redirecionando-os para um site que supostamente iria realizar a migração de seus NFTs listados, mas na verdade autorizava a transferência deles para a conta do hacker.

Segundo o CEO do OpenSea, 32 usuários foram afetados pelo ataque, com perdas estimadas em 1.8 milhões de dólares.
No entanto, empresas de segurança apontam que os prejuízos possam ter sido maiores, alcançando a soma de 3.4 milhões de dólares. Dentre os NFTs roubados, estão 36 Azukis, 6 Doodles, 4 Mutant Apes, 4 Bored Apes e 4 Clonex:

Alguns dos NFTs roubados pelo hacker
A surpresa no ataque realizado foi a facilidade com que o hacker movimentou vários NFTs com apenas uma única assinatura. A assinatura não demanda pagamento de taxas e é realizada por vários protocolos para identificar o usuário, ou coletar sua concordância com termos de uso do projeto, por exemplo.
No entanto, a assinatura de uma mensagem maliciosa pode permitir que a outra parte execute uma função para o usuário. E, neste caso, a função era a transferência dos NFTs para a conta do hackers.
Analisando os contratos inteligentes utilizados pelo hacker, os especialistas observaram que foram coletadas assinaturas durante 28 dias, ou seja, esta vulnerabilidade já havia sido explorada muito antes da divulgação da migração dos contratos. Em determinado momento, bastou o hacker executar a função e efetivamente transferir os NFTs para sua carteira.
O ataque demonstrou os riscos em assinar mensagens com a carteira, a necessidade da implementação de mecanismos de segurança e melhorar a experiência do usuário, para terem ciência da concordância dada ao realizar a assinatura.
Especialistas em segurança observaram que alguns dos NFTs, que não foram vendidos pelo hacker, foram retornados as carteiras de seus detentores. Porém, os lucros obtidos com a venda de muitos deles já foram enviados para o Tornado Cash, dificultando o rastreamento do dinheiro roubado.
Cozomo de Medici Lança Projeto Para Investir em Artistas Emergentes
Snoop Dogg é uma figura conhecida no mundo dos NFTs. Ao longo de 2021, conquistou seu espaço na criptosfera, demostrando conhecimento e estudo sobre o assunto. Desenvolveu o Snoopverse dentro do Sandbox (um espaço seu dentro do game), lançou coleções NFTs e a recentemente adquiriu a aclamada gravadora Death Row Records, para transformá-la na primeira gravadora de músicas NFTs da história.

Em paralelo à história construída pelo rapper, um perfil anônimo no Twitter, chamado Cozomo de Medici, ganhou fama na rede social, tornando-se famoso por possuir uma bag de NFTs contendo preciosidades - como 9 Cryptopunks - e por atuar como um ótimo curador de cripto-arte. Após conquistar milhares de seguidores anonimamente, em setembro de 2021, Snoop Dog anunciou que ele era Cozomo de Medici.
Apesar da fama, Cozomo de Medici não havia desenvolvido ou lançado um projeto próprio. Até agora. No dia 18 de fevereiro, anunciou em seu perfil no Twitter o “Project Nothing”.
Ao divulgar o lançamento, não trouxe informações sobre o projeto, inexistindo dados como roadmap, preço inicial, utilidade, imagens ou pré-venda. Não havia comunidades em redes sociais ou a identificação dos envolvidos no desenvolvimento do projeto.
Os interessados em participar do misterioso “Project Nothing” deveriam inicialmente enviar 6,9 ETH para um smart contract que estaria sob o controle de Medici para gerenciá-lo e construir “algo”. Após pedidos de seguidores, o valor foi diminuído para qualquer quantia com “69”, permitindo aos usuários participarem com montantes menores.

A arrecadação de fundos terminou no dia 20 de fevereiro, com o total de 64.6 ETH - 170 mil dólares. Com o fim, Medici informou que todo o dinheiro enviado ao smart contract foi devolvido aos usuários e a quantia arrecadada será utilizada como métrica para investir em artistas emergentes, no projeto Medici Emerging.
Junto a Bianca de Medici, serão investidos 64.6 ETH em novos artistas na Ethereum, Tezos e Solana, demonstrando o apreço dos curadores por explorar artes em outras blockchains.
Mais um Ataque Vampiro no OpenSea
Na semana passada, mais um marketplace lançou um ataque vampiro sobre o Opensea. Em uma estratégia semelhante à utilizada pela LooksRare, a X2Y2 lançou sua plataforma e distribuiu seu token nativo, o X2Y2, a todos aqueles que interagiram com o OpenSea antes de 2022. Para coletar o airdrop, os usuários precisavam listar seus NFTs na plataforma, critério utilizado também pela LooksRare.
Em 16 de fevereiro o airdrop começou a ser realizado. Porém, com menos de 1 dia de lançamento, os desenvolvedores decidiram pausar a distribuição de tokens. Os desenvolvedores argumentaram que os servidores não suportaram a quantidade de acessos simultâneos.
Em 18 de fevereiro deu-se continuidade a distribuição dos tokens. Porém, poucas horas antes de ocorrer, o marketplace divulgou que somente NFTs com volume de negociação maior que 1 ETH e identificados como “verificados” pelo OpenSea seriam considerados para o recebimento do airdrop. O time justificou a medida pela identificação de usuários que listaram NFTs de “baixa qualidade”, visando apenas recolher o airdrop distribuído pela X2Y2.
Além disso, usuários apontaram uma função nos contratos da X2Y2, que permitiria o marketplace drenar todos os NFTs de uma coleção listada na plataforma. De acordo seu CEO, o problema já foi resolvido.
A X2Y2 passou por maus bocados desde seu lançamento. Em menos de 1 semana, apresentou diversos problemas em seu funcionamento. Porém, um fator chama a atenção: analisando seu tokenomics, a plataforma adotou um modelo semelhante ao da LooksRare, mas retirando sua "estratégia ponzinômica de ICO infinito".
A distribuição de incentivos financeiros na plataforma é destinada somente aos stakers de X2Y2, não existindo recompensas pela negociação de NFTs no marketplace. Assim, ao contrário da LooksRare, os traders não tem motivação para realizar wash trading na plataforma, pois não haverá recompensas pela compra e venda de NFTs.
Mesmo com tantos problemas inicialmente, a X2Y2 surge como uma alternativa ao OpenSea, sem o polêmico modelo econômico da LooksRare.
A Responsabilização dos Promotores da BitConnect Cria um Importante Precedente
A BitConnect foi um famoso esquema Ponzi que atraiu muitos usuários em 2016 e 2017. Seu ICO arrecadou 468 BTC em dezembro de 2016. Aos que não se lembram ou não conhecem, a empresa vendia seu token BCC em troca de BTC e prometia aos seus compradores um lucro diário “garantido” de 1%, atingido graças a técnicas de arbitragem, aproveitando-se da volatilidade do BTC. Para isso, era necessário travar seus tokens por um período pré-determinado.
Com um marketing agressivo, a plataforma experimentou um crescimento assombroso usando um programa de afiliados, motivando produtores de conteúdo/influencers divulgarem o projeto em suas mídias sociais e arrecadando altas somas de dinheiro com as comissões pagas a partir de uma porcentagem da compra do token do projeto.
Após autoridades de valores mobiliários dos Estados Unidos e do Reino Unido requererem provas da autenticidade dos lucros distribuídos aos seus clientes, em janeiro de 2018 a BitConnect colapsou, causando uma desvalorização considerável no seu token e acusada por muitos de ser uma pirâmide. Com a abertura de processos contra seus fundadores e a continuidade das investigações das autoridades dos Estados Unidos, o Diretor e o principal promotor da empresa declararam-se culpados de orquestrar um esquema ponzi e causar prejuízos aos seus clientes, estimados em 2 bilhões de dólares.
No dia 18 de fevereiro, o 11º Tribunal de Recursos julgou um processo que visa tornar seus principais promotores responsáveis pelos danos causados aos investidores. E os juízes, modificando o entendimento sobre o tema, permitiu a atribuição da responsabilidade a Glenn Arcaro e Ryan Maasen. Em leitura a decisão, os julgadores identificaram que a divulgação e venda de valores mobiliários em redes sociais é apenas “um jeito novo de fazer coisas velhas”.

O posicionamento do Tribunal cria um importante precedente, pois abre caminho para a responsabilização de influencers no Youtube, Tiktok, Twitter e tantos outros meios online que difundem novos projetos. Com o bull market, muitos aproveitaram-se de usuários inexperientes e ofereceram tokens com valorizações estratosféricas e coleções de NFTs revolucionárias. E personalidades já estão sendo processadas coletivamente pela divulgação de scams.
Muitos irão adotar a anonimidade para conseguir perpetuar esse comportamento. Contudo, com este posicionamento da Corte, talvez seja possível inibir uma parcela dos golpes aplicados online.