👋 Recap: o Adeus de Cronje a DeFi
O adeus do pai da YFI a DeFi e o impacto nas moedas em que tinha trabalhado; a ordem executiva de Biden sobre cripto.
Rapidinhas
- A KPMG do Canadá anunciou a aquisição de um NFT da coleção World of Women, declarando ser a “sua primeira incursão nesta classe de ativos em rápido crescimento”.
- RTFKT anunciou uma parceria com a Sandbox para a criação de avatares voxels 3D para os detentores de Clone X, coleção criada em parceria com Takashi Murakami.
- Praxis, um projeto com o objetivo de criar uma cripto-cidade com estruturas governamentais, políticas e econômicas singulares, levantou 15 milhões de dólares numa rodada de investimentos liderada pela Paradigm.
- O Tomorrowland, uma rave realizada anualmente na Bélgica, terá como uma das atrações principais o Ape Rave Club, um Bored Ape que tem atuado como DJ em festas. Será a primeira vez que um artista NFT irá tocar no evento, compartilhando o palco com DJs já conhecidos, como Steve Aoki, Armin van Buuren & Martin Garrix
Andre Cronje se afasta de DeFi
Andre Cronje ganhou fama em 2020, quando lançou sozinho a yEarn Finance. O protocolo tornou-se, aos poucos, um verdadeiro cripto-banco. Aqui na Paradigma chegamos a compará-lo a uma gestora quantitativa.
Delegando a continuidade da operação do protocolo aos detentores do YFI, o desenvolvedor, gradualmente, contribuiu com uma miríade de dapps em DeFi. No último ano participou ativamente no desenvolvimento da blockchain da Fantom, sob o cargo de Technical Advisor, sendo peça fundamental para a expansão de protocolos na rede e a criação de Vaults da Yearn Finance na Fantom.
Nos últimos meses, vinha atuando em conjunto de Daniele Sesta para a criação da Solidly, um projeto com intenções de implementar na Fantom a dinâmica dos tokens vote escrow.
Em 6 de março, Anton Nell, arquiteto de soluções na Fantom e parceiro de trabalho de Cronje, anunciou a saída de ambos do mundo cripto. Assim, todos os protocolos mantidos por eles terão suas operações finalizadas a partir em 03 de abril de 2022. Vale ressaltar: após a data, os smart contracts ainda estarão intactos na blockchains, somente a interface gráfica criada para o acessá-los ficará offline.
Dentre os 25 dapps afetados estão a Solidly, Chainlist, bribe.crv. yearn.fi, Keep3r, Multichain. Enquanto alguns deles já detém alternativas aos domínios que serão finalizados, outros estão sendo forkeados por pessoas interessadas em dar continuidade aos projetos. Inclusive, Justin Sun, já se ofereceu para assumir os projetos que irão ficar fora do ar.

Mensagens exibidas ao acessar o yearn.fi, uma versão antiga da Yearn Finance mantida por Cronje, e o site da Solidly.
A comunidade cripto recebeu essa notícia com pessimismo, gerando quedas significativas nos tokens dos projetos em que Cronje atuava como contribuidor. Em comparação a data anterior ao anúncio, YFI sofreu uma desvalorização de ~15%, mas já apresentou sinais de recuperação. Enquanto isso, KP3R e SOLID perderam ~40% de seu valor de mercado e FTM, 18%.
Mesmo com a surpresa da comunidade no afastamento de Cronje do mercado cripto, não é a primeira vez que isso ocorre.
No ano de 2020, em duas ocasiões o desenvolvedor anunciou sua saída do setor DeFi: durante a operação da iEarn Finance e após o lançamento da Yearn Finance, protocolo lançado em julho, no qual entregou a comunidade o poder de criar e governar o dapp. Suas críticas sempre apontaram para a toxicidade dos usuários e as dificuldades em desenvolver projetos, devido aos custos e a responsabilidade sobre os problemas, caso ocorram.
Cronje já denotava cansaço em um artigo publicado em janeiro, após a polêmica com Daniele Sesta e Sifu. Seu afastamento pode ser consequência do stress sofrido pelo desenvolvedor ou somente a intenção de dar uma pausa na construção de novos projetos. Não sabe-se ao certo se ele retornará a DeFi, mas uma coisa é certa: suas criações e idealizações marcaram a história do setor.
Mars Protocol: uma evolução dos protocolos de empréstimo

A Terra é uma das blockchains construídas a partir do Cosmos SDK, um framework criado pela Cosmos. A chain tem se destacado, sendo a segunda rede com maior TVL em DeFi - ~25 bilhões de dólares - e com apenas 21 protocolos construídos nela.
No dia 7 de março, foi anunciado o start em um novo projeto na Terra: o Mars Protocol. Seu desenvolvimento e financiamento foi realizado pela Delphi Labs, Terra Form Labs e WE3. As três empresas formaram uma joint venture somente para a construção do projeto, dissolvendo-a na data do lançamento do token MARS. Não houve pré-venda destes ou investimento de venture capital: os tokens distribuídos inicialmente foram repartidos entre os envolvidos na construção do projeto. A alocação inicial dos tokens será de 30% do supply total e o período de vesting vai até 21 de fevereiro de 2023, data em que começarão a ser liberados gradualmente aos participantes iniciais no projeto.
Com o início de suas operações, o protocolo será descentralizado, deixando as decisões presentes e futuras a encargo de sua governança, chamada Martian Council.
A priori, o dapp funciona como um protocolo de empréstimo, oferecendo oportunidades de borrow e lending aos usuários da Terra. Estes, depositam seus tokens nos contratos responsáveis pelo armazenamento e gestão dos ativos, o Red Bank. A dinâmica das taxas de juros são dinâmicas, semelhantes às implementadas na Aave e Compound. Apesar da demanda, a Mars Protocol não visa somente ofertar empréstimos comuns aos usuários.
Por isso, o protocolo criou dois tipos: o Contract-to-Borrower, o qual o usuário deposita um colateral para emprestar tokens; e o Contract-to-Contract. Este último, fornece uma “linha de crédito” para contratos inteligentes realizarem empréstimos sem a necessidade de depositar capital diretamente no Red Bank. Os desenvolvedores criaram um produto capaz de rastrear e controlar posições em quaisquer smart contracts e usá-las como garantia para a realização de empréstimos, denominando-o Field of Mars.
A primeira aplicação implementada sobre o mecanismo da Mars Protocol foi o Field of Mars tem por objetivo alavancar a posição do usuário em 2x num determinado ativo de maneira automática, emprestando UST no momento do depósito dos tokens na pool. Com isso, aumentará os yields em pools de liquidez de protocolos na Terra, atualmente contando atualmente com três opções: MIR-UST, LUNA-UST e ANC-UST

Diagrama em blocos da estratégia de alavancagem no yield farming da pool de MIR-UST.
Sua ideia é ofertar o Contract-to-Contract a outros protocolos, atuando como um Liquidity-as-a-Service. Ao trazer liquidez a tokens depositados em pools de liquidez, o Mars Protocol aumenta o TAM - Total Addressable Market - criando utilidade ao capital em stake dos usuários. No entanto, seu produto não se limitam a otimizadores de rendimentos*,* podendo ser utilizado para gerar liquidez a NFTs, realização de flash loans e **arbitragem, por exemplo.
Para usar o Field of Mars, os projetos interessados deverão submeter-se ao framework definido pela governança do Mars Protocol, com requisitos para linkar seus contratos inteligentes ao Red Bank. O vínculo entre os projetos deverá passar também por uma votação e, caso aprovado, dará autorização a utilização da solução.
Já foram anunciadas parcerias com Spectrum, protocolo focado na otimização de rendimentos na Terra; e Alpha Homora, dapp presente em chains compatíveis com a EVM da Ethereum, especializado em alavancagem de yield farming. Isto mostra que a Mars Protocol visa atender diferentes redes com seu produto, abrindo espaço para novos projetos na Ethereum, blockchain com maior TVL atualmente - ~111 bilhões de dólares -.
Invisible Friends sofre FUD após reveal, mas demonstra resiliência

Invisible Friends é uma coleção de NFTs desenhada por Markus Magnusson e que compõe o Random Character Collective.
Antes mesmo de seu lançamento, detinha milhares de seguidores em suas redes sociais e usuários digladiavam-se por um lugar na whitelist. Somente os participantes dela poderiam mintar os NFTs pelo preço inicial, estabelecido em 0.25 ETH.
Aos milhares, os colecionadores batalhavam para conquistar um espaço - atitude questionada por fundadores de outros projetos no cripto-twitter - desde produzindo fan arts até portando NFTs de "coleções irmãs". A aquisição de coleções que faziam parte do Random Character Collective (Moodrollers e Slimhoods) dava o direito de concorrer a uma vaga na whitelist.
Com essa notícia, ambas ganharam tração, obtendo expressivos ganhos. Porém, os seus detentores viram o preço despencar de 2.5 ETH a ~0.5ETH após o fechamento da lista para a pré-venda dos NFTs da Invisible Friends,

Tudo demonstrava que as expectativas da comunidade sobre a coleção estavam em alta. O supply máximo de 5.000 unidades foi rapidamente mintado e seus detentores prontamente os colocaram à venda. Mesmo sem vestígios sobre as artes (elas demorariam um pouco a ser reveladas), o floor price da coleção manteve-se próximo aos 10 ETH. Um exemplar raro (Golden Invisible Friend) foi comprado por 496 ETH, valor direcionado a caridade.
No dia 27 de fevereiro, o reveal ocorreu. Gradualmente, o pessimismo começou a alastrar-se. Muitos passaram a criticar a utilidade do projeto - que não serve como avatar em jogo algum, e tampouco se adequa ao uso como foto de perfil em redes sociais. O floor price da coleção perdeu ~40% do valor em 3 dias.

Contudo, a desvalorização foi momentânea: poucos dias depois o preço mínimo pago por um Invisible Friends havia retornado aos patamares prévios, frustrando detentores que venderam seus NFTs na baixa. Moral da história: blinde-se em relação aos humores voláteis da comunidade, e faça suas escolhas a partir de teses que você mesmo formou, e nas quais confia.
Biden assina ordem executiva sobre cripto
Com a teoria de que os criptoativos são uma ferramenta para driblar as sanções econômicas impostas por países à Rússia, muitas das nações ao redor do mundo tem apressado a construção de uma regulação doméstica sobre o tema. Os Estados Unidos, que vinham sofrendo pressão para trazer clareza nas políticas e leis existentes, teve um avanço nesse sentido: no dia 8 de março, Joe Biden assinou uma ordem executiva específica sobre criptoativos, a primeira da história.
Em leitura ao seu conteúdo, o presidente esclarece a necessidade do direcionamento de esforços para a construção de regulações mais claras no setor pelas agências federais, sempre se comunicando para evitar incompatibilidade. Contudo, não há critérios objetivos sobre este tema. O assunto é pertinente, devido à mutabilidade da natureza jurídica de tokens no mundo cripto. Em mais de uma ocasião, houve desencontros entre os órgãos sobre quem seria responsável pela fiscalização e regulação de determinados tipos de criptoativos.
Biden determinou na ordem o estabelecimento de seis prioridades para a administração pública, ao tratar sobre criptoativos: proteção do interesse público, proteção de estabilidade financeira global, prevenção de usos ilícitos, promoção da inovação com "responsabilidade", inclusão financeira e liderança nos Estados Unidos. A ambiguidade dos termos utilizados para pautar a criação do arcabouço regulatório americano sobre o tema dá abertura para criações positivas e negativas para indústria e usuários do setor, restando apenas aguardar o posicionamento das agências responsáveis.
O Departamento do Tesouro Americano foi encarregado de dar início a um relatório sobre “o futuro do dinheiro e dos sistemas de pagamentos”. Janet Yellen pronunciou-se, em um parecer no site da agência federal - apagado e republicado -, demonstrando um posicionamento alinhado a ordem executiva de Biden. Todas as preocupações trazidas pelo presidente, como proteção aos investidores e consumidores, estabilidade do mercado e prevenções a ameaças ao sistema financeiro foram externas por Yellen.
Ficou clara a intenção do governo americano de não somente regular as transações de criptoativos em âmbito doméstico, mas as internacionais também. Além disso, deixou clara a continuidade no desenvolvimento de pesquisas entre as agências do governo sobre as stablecoins. No entanto, a ordem de Biden fez o posicionamento da presidente do Tesouro Americano buscar não apenas a regulação, mas a promoção e desenvolvimento de políticas benéficas aos criptoativos.

Um resumo do Statement de Janet Yellen.
Um ponto-chave da ordem executiva de Biden foi a declaração expressa para todas as agências federais estudarem como os Estados Unidos podem emitir uma CBDC - Central Bank Digital Currency - “em prol do interesse nacional”. Essa possibilidade não é necessariamente uma novidade, mas vindo diretamente do presidente dos EUA, pode adiantar o lançamento da CBDC americana, acompanhando as principais potências do mundo.
O mercado ficou entusiasmado com o conteúdo da declaração de Biden, inclusive Cameron Winklevoss, um dos gêmeos, donos da Gemini. De certa forma, as palavras do presidente refletem a intenção de o governo americano em trazer clareza para as políticas e regulações sobre ativos digitais. Os EUA sabem da importância em estar a frente no desenvolvimento de tecnologias emergentes e a imposição de regras restritivas, irá causar a migração de empresas do setor para países mais amigáveis aos criptoativos.
Porém, as regras do jogo ainda não estão claras. Há muita nebulosidade sobre o texto das regulações a serem criadas e preocupações quanto a privacidade dos usuários, quando a CBDC americana for lançada.
A ordem executiva deu uma prévia dos objetivos de Biden: regular ativos digitais, visando o interesse nacional e o desenvolvimento tecnológico. Para saber os meios que serão utilizados para alcançar estes objetivos, só nos resta aguardar os próximos capítulos dessa história.