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📰 Recap: Como se "Desfaz" uma DAO? 👨‍⚖️

A primeira dissolução de uma DAO colecionadora de NFTs, a coleção do Assange, e um "serial scammer" desmascarado em DeFi.

O recap semanal desta semana foca na dissolução de uma DAO de NFTs, a nova coleção do Pak, a polêmica por trás da Wonderland Money e uma temerária proposta de regulação da SEC.

Parte 1 - NFTs

81 BAYC à venda: ApeDAO se dissolve e liquida coleção

A ApeDAO é terceira maior detentora de BAYCs e MAYCs do mercado. Foi concebida com o objetivo de formar a principal coleção de Bored Apes. Interessados em participar depositaram seus NFTs no “tesouro” da DAO e receberam proporcionalmente um token de governança - $APED.

O sucesso dos Bored Apes levou seu floor price a 116 ETH. Contudo, o $APED não performou da forma esperada, desvalorizando-se desde a concepção da DAO, em agosto de 2021.

Neste contexto, um membro propôs a venda de todos os NFTs do “tesouro”, visando distribuir os ETH arrecadados com a liquidação, beneficiando diretamente os donos dos tokens de governança. O valor do $APED dobrou (de ~U$7 para ~U$14) desde a proposta.

Entre as obras que compõem o “tesouro” estão: 81 BAYC e MAYC, 1 Cryptopunk, 1 Autoglyph, 1 Fidenza e 3 Cool Cats. O valor estimado da coleção inteira é de mais de 10.000 ETH, ou >250 milhões de dólares.

Valuation da coleção do ApeDAO, de acordo com 3 métodos diferentes (usando floor prices, usando preços médios, e um método mais permissivo). Em todos, o desconto do token ($APED) ainda é alto, o que sugere desconfiança do mercado em relação à capacidade de liquidar todos os ativos. Fonte: ApeDAO

A votação pelo “SIM” foi aprovada na governança do DAO. E agora o “tesouro” todo está à venda. O desafio é encontrar um comprador pra tudo isso. O plano B é leiloar as peças individualmente. O imbróglio todo coloca a liquidez dos BAYC à prova, e serve como teste importante para o modelo de “DAOs colecionadores de NFTs”.

Pak anuncia lançamento de coleção com Julian Assange


Murat Pak, artista anônimo, vem inovando constantemente desde sua primeira aparição no mercado de NFTs. Entre a criação de uma IA responsável pela curadoria e publicação de imagens em redes sociais desde 2014 e o recorde nas cifras arrecadadas com a venda de sua última coleção NFT - Merge arrecadou ~91 milhões de dólares -, Pak tem influenciado artistas e criou conceitos artísticos, fundindo a abstração artística com criptografia e tecnologia.

Julian Assange é um dos fundadores do WikiLeaks, responsável pela divulgação de documentos confidenciais do governo americano em 2010, incluindo informações relacionadas a Guerra do Afeganistão, Iraque e o caso Cablegate. Os EUA acusaram-no de infringir a legislação federal e requereram sua extradição da Suécia, onde residia. Com o pedido aceito, viajou ao Reino Unido e refugiou-se na Embaixada do Equador em Londres por 7 anos. Em 2019, policiais adentraram na Embaixada e desde então Assange está na prisão de segurança máxima de Belmarsh.

No dia 30 de janeiro, Pak anunciou a parceria com Julian Assange, para o lançamento da coleção “Censored”, em 7 de fevereiro. Serão divididas em duas partes: uma edição 1/1 e outra aberta para mint, sem limitação de quantidade. 

A Wikileaks já havia postado um tweet com a imagem “one thousand”, representando os 1000 dias em que Assange está preso, com a legenda “J x O”, identificada por fãs como uma menção ao artista.

A data de lançamento da coleção coincidirá com a data da apresentação do recurso de Julian Assange. Não há certeza se é apenas uma coincidência, mas podemos esperar surpresas vindas de Murat Pak.

Parte 2 - DeFi

Scammer serial é desmascarado no time da Abracadabra / Wonderland

Fonte: TheDeFiEdge (twitter)

Na semana passada o Twitter ficou em chamas com a revelação da identidade de Sifu, braço direito de Daniele Sesta na Wonderland Money, Popsicle Finance e Abracadabra Money, dapps da Frog Nation, uma das comunidades mais fortes formadas em DeFi no ano passado.

Segundo imagens reveladas no Twitter, Sifu é Michael Patryn, um dos fundadores da Quadrigacx, corretora canadense responsável por sumir com 190 milhões de dólares de clientes. E a real identidade de Michael Patryn é, na verdade, Omar Dhanani, condenado por roubar dados pessoais para cometer fraudes bancárias e clonagem de cartões de crédito.

Após a revelação, questionamentos quanto a relação de Daniele Sesta, a Bitfinex e Giancarlo Devasini surgiram, motivados pelo empréstimo de 20 milhões de dólares em MIM na Abracadabra. Este foi realizado utilizando como colateral wMEMO, versão “embrulhada” do token nativo da Wonderland. Com os MIMs emprestados, foram trocados por USDT e enviados a Bitfinex.

Com a queda do valor do preço do token, Sesta teve sua posição liquidada, causando a venda dos wMEMO e aumentando os prejuízos dos detentores. Aparentemente, Sifu utilizou o mesmo mecanismo, mas com “apenas” 2.6 milhões de dólares. Porém, a comunidade da Wonderland viu seu token nativo, acumular perdas de 90% em seu valor.

Coincidentemente, um dia antes da descoberta da identidade de Michael Patryn, fora apresentada uma proposta na Wonderland para seu tesouro ser adquirido pela Abracadabra.

Com a sequência de fatos, a governança da Wonderland retirou Sifu da função de Gerenciador do Tesouro, mas mostrou seu desejo em dar continuidade ao protocolo em uma votação acirrada. 

Mesmo com a comunidade votando pela não dissolução da Wonderland, Daniele Sesta não mostrou-se convencido pelo resultado. E anunciou o lançamento da Wonderland 2.0.

Muitos fatos ainda estão por vir. Porém, viu-se o caos causado pela centralização em DeFi e a importância da estruturação da governança e da escolha de seus integrantes na DAO.

Por isso, atente-se aos protocolos que irá se expor e tome cuidado com ideias vindas do ecossistema criado por Sesta e Sifu.

Do Kwon quer investir $40M da Terra para parceria com um time esportivo

No dia 31 de janeiro, Do Kwon, co-fundador da Terra Labs, apresentou uma proposta na governança da DAO requerendo 40 milhões de dólares para investir na expansão do nome da Terra. Como? Entrando na onda de parcerias de times de ligas esportivas e projetos de cripto.

Várias empresas e projetos relacionados a cripto investiram nesse segmento. Crypto.com, FTX, Polkadot, Algorand, Binance são alguns exemplos.

Segundo Kwon, a parceria incluirá campanhas de marketing, realizando a alteração no nome de um clube do time para “Terra Club”, a inserção de painéis com o nome da DAO no estádio do time e transmissões de vídeos sobre a Terra em seu canal de TV. 

Uma ideia interessante incluída na proposta é a aceitação do UST, stablecoin da Terra, como meio de pagamento para compra de ingressos para jogos e artigos esportivos do time, fomentando na prática a adoção de cripto-dólares descentralizados pela população.

Parte 3 - Regulação

Comissão de Valores americana apresenta proposta que pode atingir DeFi, NFTs e até o Etherscan

A Securities Exchange Comission divulgou em 26 de janeiro uma proposta para alterar as regulações aplicadas a certos valores mobiliários nos Estados Unidos. Em leitura ao documento, vê-se a intenção da SEC em estender a definição do termo “Exchange”, alterando a legislação federal já existente e aplicada às corretoras centralizadas.

Não há menção aos termos AMM, Blockchain, DeFi ou NFTs, mas os reguladores descrevem taxativamente o objetivo de incluir “protocolos de comunicação” nessa terminologia. Segundo o documento, estes unem compradores e vendedores em um único ambiente, facilitando a aquisição de valores mobiliários.

Para cripto-advogados, a ideia da SEC é reforçar a ideia de que muitos dos dapps em DeFi são equiparados a exchanges. Com isso, o órgão regulador terá fundamento legal para fazer seu enforcement sobre desenvolvedores de protocolos DeFi. O problema reside na abstração do termo “protocolos de comunicação”. 

DEXes, marketplaces de NFTs ou até exploradores de blocos podem ser enquadrados nessa terminologia, uma vez que disponibilizam meios que permitem a negociação de ativos.

A implementação de um smart contract por um desenvolvedor o tornará responsável em respeitar as regras aplicadas a Coinbase ou Binance? Ainda é incerto, mas a imprecisão no texto abre margem para essa interpretação. Por isso, a proposta apresenta evidente risco ao desenvolvimento de novas tecnologias e um baque na liberdade de expressão.

A Comissária Heister Pierce mostrou preocupação com a proposta e discordou de parte do texto. Segundo ela, os 30 dias disponibilizados para discussão dos temas é curto frente ao impacto causado e a densidade do tema - são 654 páginas -.

Apesar de extenso, recomendamos a leitura do documento. Qualquer pessoa pode comentar a proposta diretamente a SEC. DAOs focadas no estudo regulatório de criptoativos estão formulando seus posicionamentos para apresentar ao órgão regulador e iniciativas educacionais tem sido criadas para ensinar aos policy makers sobre DeFi.

Este artigo veio da assinatura Paradigma Pro

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