Paradigma

📰 Recap: a Derrocada do LOOKs e a Arrancada da RTFKT 👟

3 lançamentos de "mundos abertos" para NFTs importantes; a polêmica do tokenomics da LooksRare; a expansão do universo da fashion house digital comprada pela Nike.

Rapidinhas

U$31M Embolsados por Investidores da LooksRare

A LooksRare é um marketplace de NFTs lançado no começo do ano. Surgiu a partir de um Ataque Vampiro realizado sobre o Opensea, dropando tokens aos usuários que negociaram mais de 3 ETH nesta plataforma. Implementou um mecanismo de recompensas aos compradores e vendedores de NFTs, pagando incentivos financeiros em LOOKS pelas negociações realizadas - o que acabou fomentando o wash trading dentro do marketplace. Além disso, lançou o stake para detentores de LOOKS, remunerando-os em WETH derivados das taxas de trading capturadas pela LooksRare.

Esse loop se revelou rentável para todas as partes envolvidas: stakers, traders os seus criadores da plataforma. Um usuário no Twitter analisou os smart contracts da Looks Rare e verificou que os desenvolvedores estão realizando saques recorrentes nas recompensas de WETH distribuídas a partir do stake dos LOOKS destinados inicialmente ao time de desenvolvimento. Depois, enviam-nos ao Tornado Cash.

Zodd, um dos responsáveis pela criação do marketplace confirmou o "embolso" de ~31.5M de dólares e o uso do mixer:

Na documentação do marketplace se descreve a alocação inicial de LOOKS para o time de desenvolvimento. Parte dela é sujeita a um período do vesting, no qual os tokens não podem ser negociados. Contudo, as emissões destinadas aos criadores os permitem fazer o stake gradualmente, possibilitando ganharem altas somas de WETH.

Avaliando o tokenomics do projeto, os desenvolvedores não fugiram da ideia proposta inicialmente aos usuários: apenas usufruíram dos benefícios proporcionados por ela. 

A LooksRare funciona como um ICO infinito: todas as negociações de NFTs realizadas na plataforma recompensam os traders com LOOKS, mas é cobrada uma taxa de 2% em WETH sobre o valor da venda. Este custo pode ser interpretado como o valor de aquisição do token da LooksRare: eles são “comprados” no pagamento da taxa de negociação. 

Mesmo com o airdrop de tokens aos usuários, uma parcela deles foi adquirida em uma pré-venda realizada pelo marketplace. Com isso, algumas baleias já detinham porções consideráveis de LOOKS desde o dia 1 e poderiam fazer o stake na plataforma para receber as recompensas em WETH. Além disso, os desenvolvedores também possuíam sua bag de tokens e novos são recebidos recorrentemente pelos criadores da LooksRare de acordo com sua emissão.  

Em resumo, o time fundador do marketplace criou um modelo econômico no qual os investidores iniciais e os desenvolvedores lucrariam, não com a valorização do token adquirido, mas com o benefício de possuir muitos LOOKS inicialmente, coletando um alto valor em WETH sobre o volume de taxas pagas pelos negociadores de NFTs na plataforma. 

O investigador on-chain Zachxbt trouxe alguns dos investidores que participaram da “pré-venda” realizada:

A LooksRare criou um tokenomics beneficiando algumas baleias inicialmente, inclusive o time de desenvolvimento. Tudo isso às claras, de forma transparente e documentada. Mesmo assim, a polêmica dos últimos dias denota a importância de se penetrar a opacidade e compreender as nuances da economia de um projeto.

Não há indícios de que o marketplace seja um rug pull - e ainda é a única concorrente a altura do Opensea. Enquanto houver traders de NFTs interessados em coletar LOOKS e stakers ávidos por incentivos pagos em WETH, o ciclo continuará girando, e todos os envolvidos receberão suas recompensas proporcionais ao seu capital investido. 

A Expansão da Parceria Entre Nike + RTFKT

A RTFKT é uma das empresas responsáveis por trazer ao mainstream o fashion digital. Quando inseriu em uma foto de Elon Musk um tênis baseado em seu recém-lançado Cybertruck, muitos usuários interessaram-se pelos calçados e houveram ofertas de 40.000 dólares. Porém, poucos perceberam que estes itens apenas residiam no âmbito virtual. A RTFKT especializou-se neste meio e dedicou-se a ofertar tênis virtuais exclusivos, utilizáveis com AR e resgatáveis para o mundo “real”.

Firmou uma parceria de sucesso com Fewocious no começo de 2021, arrecadando 3.1 milhões de dólares em sete minutos, vendendo tênis e um colar criados pelo jovem e aclamado artista. Ao longo do ano passado, realizaram colaborações com a Atari e droparam tênis para detentores de Cryptopunks.

Sendo apelidada de “Supreme do mundo virtual”, atraiu à atenção de players do mercado tradicional e, no final de 2021, previsões de usuários foram concretizadas: a Nike adquiriu a RTFKT, demonstrando sua intenção de expandir seus negócios para o Metaverso.

Antes mesmo da aquisição, a RTFKT havia lançado uma coleção de NFTs na forma de avatares 3D: os Clone X. A coleção com 20.000 peças foi desenhada por Takashi Murakami e trazida no canal #ideias do Discord quando a mintagem foi aberta ao público. Desde então, seu floor price passou de ~3 ETH a ~15ETH.

Desde o mint, a RTKFT junto da Nike tem construído seu metaverso dropando itens aos detentores dos Clone X. Estes já foram presentados com um Spacepod - um ambiente em que pode expor suas artes e conversar - e o Lootpod, uma extensão do primeiro

O último drop foi um cubo chamado de MNLTH - pronuncia-se Monolith. Não sabe-se ao certo a sua utilidade ou o que desencadeará sua abertura. Não há informações quanto a data, fatos ou ações dos usuários para abri-lo. Porém, no dia 11 de fevereiro, ele apresentou a primeira rachadura, indicando que alguma das condições necessárias foi preenchida.

Os MNLTH da Clone X podem ser encontrados no Opensea por ~4.9ETH. Ninguém sabe ao certo qual será sua participação no mundo criado pela RTFKT e Nike, mas o hype sobre esse mistério foi criado com sucesso por seus criadores. 

Invisible Friends anuncia informações sobre seu lançamento

Em 2021 houveram coleções lançadas com sucesso em razão da narrativa criada pelo time responsável por sua idealização. Mekaverse e Hapeprime são exemplos de coleções com centenas de milhares de seguidores antes mesmo do mint. Contudo, apesar da horda de colecionadores ávidos pelos NFTs, as narrativas das coleções não mantiveram-se e tem apresentado perdas significativas em floor price.

A Invisible Friends é uma coleção esperada desde o final de 2021. As animações criadas por Markus Magnusson tem cativado os usuários, mesmo antes de seu lançamento. O artista já havia vendido um NFT semelhante na Foundation e o desenho original atraiu a atenção do público. Serão apenas 5.000 NFTs distribuídos entre integrantes da whitelist.

A coleção a ser lançada compõe a Random Character Collective, um coletivo de artistas que produzem animações NFTs. Já foram lançadas duas coleções: a Slim Hoods e a Mood Rollers.

O mint dos Invisible Friends pretende ser realizado apenas com usuários incluídos na pré-venda. 50% da whitelist estará destinada aos detentores das coleções do Random Character Collective, enquanto a outra metade será disputada por usuários em concursos e jogos realizados no Twitter da coleção e do Discord do coletivo.

Mesmo inexistindo um roadmap consolidado e detalhes sobre o futuro do projeto, suas redes sociais superam as marcas alcançadas por outras coleções com hype semelhante: são ~464 mil seguidores no Twitter e ~300 mil usuários no Discord. Na semana passada foram divulgadas informações quanto a data do mint e o preço dos NFTs: 23 de fevereiro, custando 0,25 ETH cada.

A originalidade na animação de Marcus Magnusson, a comunidade engajada para conseguir um lugar na whitelist e a curiosidade sobre o futuro da Invisible Friends são potenciais vetores para o sucesso alcançado pela coleção em tão pouco tempo. Porém, sempre haverá riscos no desconhecido. Recomenda-se sempre fazer sua diligência e esmiuçar os detalhes do projeto com o objetivo de reconhecer uma oportunidade. 

BlockFi É Multada em U$100M Por Oferecer Produtos de Lending

A BlockFi, exchange de criptoativos americana, permite a seus clientes depositarem criptoativos na exchange em troca do recebimento de juros sobre o valor. Contudo, a Securities Exchange Comission (Comissão de Valores Mobiliários americana) parece não estar contente com a oferta da corretora e fez uma nova empreitada contra os serviços de lending existentes nas exchanges.

Visando extinguir as investigações e evitar punições de maior gravidade, a BlockFi fechou um acordo com a SEC para realizar o pagamento de 100 milhões de dólares aos cofres públicos, dividindo-os entre os estados e a CVM americana. Segundo o órgão regulador, a penalização da corretora é justificada em razão da oferta de valores mobiliários a consumidores americanos sem a autorização necessária.

No ano passado, a Coinbase foi impedida de lançar o Lend, um produto que permitiria aos seus clientes emprestarem seus USDC em troca de rendimentos de 4% a.a. Ao comunicar a SEC sobre seu novo serviço e a oferta deste aos seus clientes, foi aberta uma investigação pelo órgão regulador requerendo informações pessoais dos interessados no serviço e definindo-o como um valor mobiliário. Com o lema “venha até nós e converse conosco”, a SEC tem demonstrado exatamente o oposto, coibindo iniciativas de exchanges em trazer as oportunidades existentes em DeFi aos seus clientes. Outras corretoras com serviços de lending semelhantes aos da BlockFi, como a Gemini e Celsius, vem sendo analisadas pela SEC.

Este artigo veio da assinatura Paradigma Pro

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