Paradigma

🎯 Quais Outras Moedas Podem Se Beneficiar do Merge na Ethereum?

Uma análise das narrativas que podem ganhar força durante as próximas semanas.

🏄🏼‍♂️ Motivação

Com o Merge se aproximando, narrativas vão se formar em torno do evento. É a maior mudança na história da Ethereum.

Analisamos o racional por trás dessas narrativas, buscando por tokens que podem se beneficiar delas. O intuito é explorar como “surfar essa onda”.

📜 Narrativas

Staking Líquido

Após o Merge, ainda há um período pelo qual quaisquer moedas “staked" na Ethereum não poderão ser resgatadas imediatamente. Todos os ETH travados serão liberados para saques aproximadamente 6 meses depois.

É de se esperar que o Merge jogue holofotes sobre os retornos oferecidos pelo stake de ETH, e que este período previsto de iliquidez direcione o interesse popular para plataformas de derivativos de staking (staking líquido).

Projetos/Tokens: Lido (LDO), RocketPool (RPL) e Ankr (ANKR).

Riscos: A utilidade dos tokens é servir como token de governança do protocolo (no caso do RPL, também é usado como “seguro”). A “demanda orgânica" pelo token é baixa, sendo mais utilizado para especulação.

Mineradores

Os mineradores de Ethereum vão mudar suas operações para outra rede. Essas redes podem acabar se beneficiando.

Projetos/Moedas: Ethereum Classic (ETC), Ravencoin (RVN), Monero (XMR).

Riscos: Essas moedas, comparadas a Ethereum, estão em “down only” - só perdem valor no longo prazo. Durante o bull market de 2021, nunca chegaram aos preços que alcançaram em ciclos passados (quando denominadas em ETH).

Se a narrativa prevalecer, é possível lucrar em um trade rápido. Mas, caso a narrativa não ganhe tração, essas não são as melhores moedas para se holdar na carteira - salvo Monero, se for devido à privacidade.

Soluções de Escalabilidade

Um aumento no interesse na Ethereum também pode levar ao aumento no interesse por suas soluções de segunda camada. 

Mesmo em um bear market, em que as taxas são relativamente baixas, para muitas pessoas é impraticável pagar 1 dólar ou mais por transações, enquanto em segundas camadas você transaciona muitas vezes por centavos.

Também podemos pensar nessas redes como ativos que seguem a direção do ETH, mas com maior amplitude de movimento  (beta > 1). 

Existem também algumas redes de segunda camada que não tem token, e podem ser oportunidades de conseguir airdrops (Arbitrum, zkSync, Scroll…)

Projetos/Tokens: Polygon (MATIC), Loopring (LRC), Optimism (OP), Boba Network (BOBA).

Riscos: O perfil de riscos é bem diferente em relação a redes que já tem usuários, tração e TVL alto (Polygon/Optimism - Risco menor) do que outras com baixo uso e TVL (BOBA - Risco muito elevado). Se pensarmos também nelas como ativos de beta > 1, caso ETH se desvalorize elas irão se desvalorizar mais.

Defi 1.0 

Protocolos de DeFi, como a AAVE, foram os únicos que tiveram seus empréstimos pagos de volta pela Celsius/3AC. 

Enquanto o resto de seus credores irão ter que entrar em custosos processos judiciais para um dia (talvez) ver (parte do) seu dinheiro de volta, os dApps em DeFi tiveram todos seus empréstimos pagos (ou se não, as liquidações foram devidamente executadas).

Após um teste de fogo, com uma quantidade extrema de alavancagem sendo expulsa do sistema, esses protocolos funcionaram exatamente como deveriam, mostrando resiliência e fortes fundamentos.

Projetos/Tokens: Uniswap (UNI), Aave (AAVE), Compound (COMP), MakerDAO (MKR), Curve (CRV), Balancer (BAL) e Synthetix (SNX).

Riscos: Esses projetos estão (em sua maioria) em um bear market em relação ao ETH desde o DeFi Summer de 2020. Será que estamos vendo uma reversão na tendência, ou mais a frente vão continuar a perder valor em relação ao ETH?

📏 Metodologia 

Inicialmente, vamos comparar a performance da carteira de cada narrativa, usando como benchmark ETH e BTC. Então, vamos ver quais tokens estão demonstrando maior força.

Entendemos que, se não há expectativa da carteira performar melhor que ETH, não faz sentido o risco extra. Logo, o que buscamos aqui é encontrar uma cesta que traga retornos maiores que ETH, sem tomar riscos muito grandes.

Para isso, também calcularemos o Beta (β) de cada cesta. O Beta é um índice da volatilidade de um ativo comparado a um benchmark (usaremos BTC e ETH). 

Um Beta maior que 1 indica que o ativo tende a ser mais volátil que o benchmark.

Utilizaremos 4 datas com importância histórica para partir as comparações: 

10/11/21: Topo do mercado

Racional: Analisar quais moedas seguraram melhor durante o bear market.

09/05/22: Início da implosão da Luna

Racional: Foi o começo desse “expurgo final” do bear market. 

10/06/22: Quebra dos 30k 

Racional: Após a crise da Luna, onde BTC chegou a 25k, houve uma recuperação e este voltou a ficar por volta dos 30k. Quando esse suporte foi quebrado, deu início às liquidações em massa que levaram à insolvência da Celsius, Voyager, 3AC e outros. 

18/06/22: Fundo local de 17.5k

Racional: Analisando a partir do fundo local do mercado, podemos ver quais tokens deram a volta por cima com mais força. Exige certa cautela, pois um token pode se recuperar rápido, só para devolver todos os ganhos caso tenha um próximo crash.

📈 Análise de Preços

Para cada cesta de ativos vejamos como foi a performance nas janelas temporais que definimos.

Do Topo do Mercado:

Aqui se destacam LDO, XMR, ETC, MATIC e SNX. Todos esses tokens caíram menos que BTC e ETH desde o topo do mercado - o que é algo notável, visto que altcoins costumam sofrer mais em bear markets. 

Porém, uma observação é que, exceto XMR, todas estavam tendo um desempenho inferior a BTC e ETH, até o fundo de 17.5k - a partir de onde, então, se recuperaram mais rápido.

Da Implosão da Luna:

Aqui, vemos novamente o melhor desempenho da LDO na narrativa de staking líquido, ETC em mineradores, MATIC em soluções de escalabilidade e dessa vez UNI em DeFi 1.0.

Um ponto interessante é que UNI e ETC já têm um retorno positivo a partir do crash da LUNA, o que indica força relativa destes.

Da Quebra dos 30k:

Novamente, temos o destaque para LIDO, ETC, MATIC, UNI e SNX.

OP só foi lançado esse ano, por isso entrou a partir dessa janela temporal - e também trouxe bons retornos.

Do Fundo Local:

Analisando do fundo de 17.5k fica ainda mais claro quais são os líderes em cada cesta: LDO para staking líquido, ETC para mineradores, MATIC/OP em soluções de escalabilidade e SNX/UNI em DeFi 1.0.

Analisar a performance a partir de um fundo local pode ser perigoso, pois as vezes os tokens que recuperam mais também foram os que mais caíram durante o bear market.

Mas nesse caso, os tokens que se saíram melhor aqui, também foram os que seguraram melhor nas outras janelas temporais, então temos uma confluência de fatores.

👩‍💻 Discussão dos Resultados:

Para melhor visualização, apresentamos os resultados em uma tabela abaixo.

Analisaremos o retorno da cesta de cada narrativa, e também calcularemos o beta de cada cesta em relação ao BTC e ao ETH (fazendo as médias para cada token que faz parte da cesta).

Além disso, vamos selecionar um “Dream Team”, com os melhores de cada cesta, em uma proporção para que cada narrativa tenha o mesmo peso. 

A composição do Dream Team então será: 25% LDO; 25% ETC; 12,5% MATIC; 12,5% OP; 12,5% UNI; 12,5% SNX.

A cesta “Dream Team” performou bem em todos os intervalos de tempo, inclusive sendo a que menos caiu em relação ao topo - algo notável para um conjunto de altcoins.

⚠️ Todos esses tokens subiram bastante nos últimos dias: antes de qualquer eventual decisão, pondere sobre fazer alocações parciais, para diminuir o risco de entrar com tudo em um topo local. 

Ainda falta mais de um mês para o Merge. Sem falar na possibilidade de ele ser adiado de novo.

Então, mantenha-se alerta às narrativas elencadas aqui, e outras que possam surgir. Os tokens e cestas citados aqui podem ser uma boa opção para aqueles que buscam um retorno maior no período - e não se importam em correr um risco maior para tal.

Este artigo veio da assinatura Paradigma Pro

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