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🗺️ Projetos Brasileiros: Até Onde Chegaram?

Uma análise de 3 projetos Brasileiros antigos, visando aprender com seus erros e acertos e mostrar o que conseguiram realizar

A história não se repete, mas frequentemente rima. Esta frase do autor Mark Twain descreve bem o que é notado nos diferentes ciclos de mercado em cripto. 

Projetos com potencial que não conseguem atrair atenção e formar uma comunidade, ataque hackers que abalam a confiança em protocolos e moedas que surgem com uma premissa supostamente inovadora mas são esquecidas pelo tempo. Neste relatório iremos apresentar 3 projetos Brasileiros de eras passadas, mostrar até onde chegaram, quais foram seus empecilhos, erros, acertos e onde estão hoje.

Auctus

Auctus é um protocolo de opções, construído na rede Ethereum. Ele permite que usuários negociem, mintem e exerçam opções de compra ou venda, de maneira descentralizada e sem necessitar de uma terceira parte. 

Qualquer um pode interagir com o contrato inteligente do protocolo, e mintar um token ACO (Auctus Crypto Options), que representa uma opção que dá ao seu detentor o direito (mas não obrigação) de comprar ou vender um determinado cripto ativo a um preço especificado, a qualquer momento até a data de expiração.

Com isso é possível utilizar o protocolo para fazer hedge, protegendo suas posições ou então para alavancar seu capital e ganhar mais exposição a um ativo.

Esse tipo de atividade é comum em corretoras centralizadas (CEXs), mas o protocolo inovou ao possibilitar que usuários operem on-chain, mantendo a custódia de suas moedas.  

Pelas informações obtidas no DeFiPulse, o projeto chegou a ter 8 milhões de dólares em valor total bloqueado (TVL) em abril/21 e desde então essa quantia vem diminuindo, atualmente estando em cerca de 470 mil dólares. O ganho expressivo de TVL em abril/21 foi devido a um airdrop oferecido pelo protocolo.

O projeto foi integrado com o protocolo de empréstimos AAVE, também conseguiu uma parceria com a Anyswap Bridge para levar o token para a Binance Smart Chain e ainda segue ativo em seu twitter. O token não apresentou ganhos significativos recentemente, mas tem atividade de negociação, possui cerca de 3527 holders e uma distribuição saudável entre as carteiras que o detém - além do mais importante: um produto que funciona. 

Taylor

Taylor foi um projeto de assistente para trades, que visava utilizar bots para analisar o mercado e fornecer aos seus clientes sinais de entrada e saída. Segundo informações em seu medium, o app empregaria a estratégia de scalping, trades rápidos (alguns podendo ser entre segundos e minutos) visando lucros por volta de 1% a 3%. Esse estilo de trade foi escolhido por possibilitar que o usuário performe diversas operações no dia, invés de ficar em uma mesma posição por vários dias.   

Sem entrar no quesito da viabilidade e consistência nos lucros de um bot desse tipo - isto está fora do escopo deste relatório -, o projeto lançou uma ICO para o token TAY em fevereiro de 2018 até março do mesmo ano, com o objetivo de arrecadar fundos. Dentre os planos do projeto, estava a criação da Taylor Academy, com o intuito de fornecer conhecimento acerca de cripto para todos.

Após arrecadar cerca de 3100 ETH de 1689 contribuidores em seu ICO, eles sofreram um ataque hacker e perderam todos os fundos. Segundo o projeto, de algum modo o hacker teve acesso a seus dispositivos e aos arquivos com as senhas.

Após lançar um novo token (TAYLR) para seus holders iniciais como forma de mitigar o dano causado, e disponibilizar um beta do app, o projeto ainda encontrou dificuldades de se manter funcionando devido à falta de fundos para pagar seus empregados. A última atividade em seu twitter foi em abril de 2019.

É extremamente difícil reconquistar a confiança e apoio da comunidade após um erro dessa magnitude, em que os que investiram no projeto foram deixados de mãos vazias. Hoje, o token não possui negociações recentes e nem pares em nenhuma corretora ou DEX, sendo um dos vários casos em que um token vai - literalmente - a zero. Fica a lição de como é importante, em especial para aqueles que estão desenvolvendo protocolos e aplicativos, ter um conhecimento de boas práticas de segurança.

MarteXcoin

Lançado em 2014, o projeto se intitula como a primeira moeda digital anônima e é uma das moedas brasileiras mais antigas. De acordo com seu whitepaper, a moeda é baseada no Bitcoin, porém com várias melhorias. 

Entre as tecnologias interessantes implementadas pelo projeto, está o Anonsend que possibilita o envio anônimo de MXT (sigla para MarteXcoin), blocos com tamanho adaptável (ABS) de acordo com as necessidades da rede, transações instantâneas, Master nodes e o uso tanto de Proof of Work (PoW) quanto de Proof of Stake (PoS). A moeda também possui uma carteira própria.

Em 2017, o projeto chegou a ter uma capitalização de mercado de 19 milhões de dólares (hoje está por volta de 10 mil), e no início de 2018 chegou até a patrocinar a camisa do clube de futebol Santos.

Como a maioria dos projetos que tentaram “melhorar” o bitcoin, depois de um hype momentâneo e o fim do bull market de 2017, os preços (e a atenção) caíram vertiginosamente. A moeda conta com uma modesta perda de 99,98% de valor em relação a sua máxima histórica. Apesar disso, ainda há atividades relativamente recentes em seu twitter e sua blockchain continua produzindo bloco atrás de bloco, como foi projetada para fazer.

O fato é que, independente da tecnologia em questão, é muito difícil que moedas de ciclos passados que foram esquecidas voltem a ter relevância, a não ser que haja algum catalisador que traga atenção para o projeto - como o airdrop oferecido pela Auctus.


Este artigo veio da assinatura Paradigma Pro

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