📝 Por que a Arbitrum merece sua atenção
Essa solução de segunda camada tem alguns catalisadores importantes à frente. Quais são os principais projetos, e como melhor se expor ao ecossistema?
Arbitrum é uma das soluções de segunda camada da Ethereum.
Neste artigo compararemos a atratividade de alguns projetos no seu ecossistema. E explicaremos catalisadores importantes.

Primeiro, vale mencionar a Arbitrum Odyssey, programa em que usuários cumprem missões na rede para ganhar NFTs. Está pausado e vai retornar assim que a atualização Nitro for implementada (agendada para 31/agosto).
Outro catalisador é o fato que a Arbitrum ainda não possui um token. É provável que parte do suprimento desse token seja distribuído via airdrop para aqueles que participarem do ecossistema - talvez até só pra quem tiver completado as missões da Arbitrum Odyssey.
Quando esse token existir, também é esperado que comecem programas de incentivo, do mesmo modo que a Optimism fez - algo que atrai capital.

Na imagem acima, vemos o influxo de novos usuários. Após um interesse inicial em 2021, a atividade diminuiu, e agora está voltando a aumentar. O pico em junho/22 foi quando a Odyssey começou (antes de ser pausada até a implementação da Nitro).
Vemos também que a rede consistentemente recebe mais depósitos do que saques, o que indica que o capital que vai para a Arbitrum tende a ficar por lá.
O racional aqui é que a Arbitrum está bem posicionada para um futuro próximo, possuindo eventos catalisadores e influxo positivo de capital/usuários, e isso pode levar projetos nativos da rede a se beneficiarem - trazendo bons retornos.
Nesse artigo, apresentaremos alguns dos principais protocolos na Arbitrum.
GMX
GMX é uma corretora descentralizada (DEX) de mercado spot e futuros perpétuos. Existe na Arbitrum e na Avalanche.
No momento, é o maior protocolo por valor total bloqueado na Arbitrum. Também é um dos poucos tokens que consegue capturar valor.
As negociações são possíveis graças a uma pool de liquidez de diversos ativos, onde os provedores de liquidez recebem taxas do formador de mercado, de swaps e de trades alavancados.
Possui dois tokens, GMX e GLP.
GMX é o token de governança e utilidade da plataforma.
GMX pode ser colocado em stake, ganhando 3 tipos de recompensas: GMX em custódia (esGMX), pontos multiplicadores e 30% das taxas pagas à plataforma, em ETH (no caso da rede Avalanche, em AVAX).
esGMX, que fica está em custódia - ou seja, travado - pode ser posto em vesting, e após um período de 1 ano vira GMX - e pode ser transacionado normalmente. Ou também pode ser posto em stake, e ganhar recompensas assim como o GMX.
Os pontos multiplicadores são para recompensar holders de longo prazo, tirando a inflação para esses. O método para isso é que ao colocar esses pontos em stake, as taxas pagas para o staked GMX aumentam.
Mas o pagamento mais interessante são os 30% das taxas da plataforma em ETH.
Ao invés da maioria dos protocolos, que remuneram em tokens inflacionários, a GMX distribui recompensas em ETH.
O outro token, GLP, consiste em uma cesta de diversos ativos, e saí daí a liquidez usada no protocolo.
Você pode mintar GLP usando qualquer um dos ativos da cesta, e queimar GLP para resgatar qualquer ativo.
A taxa para mint varia de acordo com a porcentagem do ativo utilizado. Se a porcentagem atual na pool é menor do que o peso alvo, fica mais barato usar aquele ativo para mintar GLP.
De maneira similar, as taxas pagas ao queimar GLP para resgatar ativos ou fazer swaps na plataforma variam de acordo com o peso atual e o peso alvo de cada token na cesta.
Desse modo, a pool tende a se balancear pela própria dinâmica de usuários buscando menores taxas para mint ou queima.
Holders de GLP também recebem recompensas em esGMX e 70% das taxas da plataforma, pagas em ETH (na Avalanche, em AVAX).
Isso torna GLP um ativo muito interessante.
É composto por uma cesta balanceada, com peso maior nas blue chips (BTC e ETH) e stablecoins - o que diminui a volatilidade.
Além disso, gera uma “renda passiva” em ETH e em esGMX.

As taxas sendo pagas à plataforma, acumuladas, estão se aproximando da cifra de U$ 10 milhões. A maioria é paga por usuários alavancados (margin trading).
Essas taxas são convertidas em recompensas para os holders de GLP e stakers de GMX.
Para melhor entendimento, um resumo das recompensas:
- GMX: Quando em stake, recebe ETH, esGMX e pontos multiplicadores.
- esGMX: Quando em stake, recebe ETH, esGMX e pontos multiplicadores.
- Pontos multiplicadores: Quando em stake, recebe ETH, e leva a maior APR.
- GLP: Ao mintado, entra automaticamente em stake e recebe ETH e esGMX.
A melhor maneira de se expor ao protocolo é exatamente através do GMX e GLP.
Aos mais cuidadosos, talvez seja mais interessante buscar exposição ao GLP, visto que este corresponde a uma cesta de ativos - menor volatilidade - e recebe a maior parte das taxas.
GLP não é listado em sites como CoinMarketCap, CoinGecko ou DEX Screener exatamente por representar uma cesta, e não ser negociado via pares como outras criptomoedas.
O modo de “comprar” GLP é pela própria plataforma da GMX, usando um dos ativos que compõem a cesta (GLP Index) para mintar o GLP.
Vale ressaltar também que, como é o GLP que fornece liquidez para a plataforma, quando os traders da GMX têm lucro, ele perde valor - liquidez é movida da plataforma para a carteira dos traders.
De maneira inversa, quando traders têm prejuízos, GLP ganha valor - colateral dos traders virando mais liquidez para o protocolo.
Desde o início, os traders na GMX têm tido o PnL acumulado negativo, ou seja, estão tendo prejuízos. No momento, já superaram a cifra de $4 milhões em perdas.

Para os que estão confortáveis em tomar maior risco, GMX pode se apreciar mais em valor conforme aumenta o uso da plataforma - mas também pode cair com mais força.
Como tudo que é bom acaba sendo copiado, já existe um fork do protocolo.
Mycelium, fork da GMX, possui funcionalidades extremamente parecidas, e menor capitalização de mercado.
Dopex
Dopex é um protocolo de contratos de opções descentralizado.
Uma dos produtos são as pools de opção, onde usuários depositam o ativo base mais o ativo denominador de um contrato de opção, e recebem juros sobre esse depósito.
Tem também a funcionalidade de Single Staking Options Vault (SSOV), que permite que usuários coloquem um único ativo em stake, por um determinado período de tempo, recebendo juros.
Os ativos são depositados em um contrato que vende uma opção de compra, a um preço de exercício selecionado.
Em essência, os usuários estão vendendo opções de compra com risco minimizado, sem precisar ter conhecimentos extensivos sobre o funcionamento desse tipo de operação.
Possui dois tokens, DPX e rDPX.
DPX é o token de governança, que acumula taxas e receitas obtidas pelo protocolo quando bloqueado na forma veDPX - modelo similar ao veTokens popularizado pela Curve.
Quando se bloqueia por 4 anos (o máximo) recebe 1veDPX na proporção de 1 DPX. No momento, o APY está em 30%.
rDPX é um token que serve para abatimento, e é mintado e distribuído para participantes que tiveram prejuízos nas pools.
Como não tem um suprimento máximo, alguns mecanismos estão sendo desenvolvidos para que o rDPX não termine sem valor algum.
Servirá como colateral para abrir posições alavancadas, ou para mintar derivativos sintéticos de outros ativos (ações, commodities, ETFs, etc…).
Também vai poder ser colocado em stake para aumentar os juros recebido.
É possível se expor à plataforma através dos tokens, ou fornecendo liquidez. O protocolo é voltado a usuários mais experientes em DeFi, então vale cautela ao interagir.
Há uma ressalva que a Dopex possui capitalização de mercado totalmente diluída de $190 milhões, e apenas $28 milhões em valor total bloqueado.
A alta proporção da capitalização de mercado por valor bloqueado indica que o token DPX pode estar supervalorizado.
Vesta
Vesta é um plataforma de crédito colateralizado, que permite que usuários usem suas criptos para tomar empréstimos.
É um fork da Liquidity, e pode ser visto como a MakerDAO da Arbitrum.
Sua stablecoin super-colateralizada é a VST, e possui o token de governança VSTA - que também está sendo usado para incentivar a plataforma.
No momento, o protocolo aceita como colateral ETH, renBTC, gOHM, GMX e DPX. Para ETH e renBTC é necessário que o valor do colateral seja, no mínimo, 110% do débito, enquanto para as demais, 150%.
Ao depositar o colateral, é possível mintar VST, e a qualquer momento também se pode utilizar VST para resgatar os ativos usados como colateral - mantendo o valor da stablecoin próximo a 1 dólar.

O protocolo, no momento de escrita deste artigo, estava com cerca de 21 milhões de dólares em valor total bloqueado, após um pico de quase 60 milhões em fevereiro. A maioria do colateral é de gOHM.
Contam com uma pool de estabilidade, onde se pode fazer staking de VST para absorver débito sub-colateralizado, auxiliando no processo de liquidação.
Ao depositar VST na pool de estabilidade, se recebe recompensas tanto em VSTA quanto no ativo liquidado.

Uma forma interessante de se expor ao possível crescimento do protocolo é depositar colateral, mintando VST e então depositar esse VST nas pools de estabilidade - ganhando VSTA “de graça”.
Não é totalmente de graça, pois sempre há riscos como vulnerabilidades nos contratos inteligentes que podem levar a hacks, ou liquidação do colateral.
Outra forma de ganhar VSTA é através dos programas de liquidity mining. Essa operação, entretanto, é bem mais arriscada, devido à volatilidade dos ativos e o risco de perda impermanente (IL).

A maior parte do suprimento do token foi alocado ao tesouro da comunidade - que é de onde sai esses incentivos.
Outra parte considerável foi aos contribuidores principais (o time), e está sendo liberado ao longo de 2 anos.

O protocolo também possui um sistema em que o GMX usado como colateral é posto em stake, na própria GMX. 80% do yield em ETH vai para os usuários, com o resto ficando para o tesouro do protocolo.
Plutus
Plutus é um protocolo de meta-governança e otimização de yield.
Tem como objetivo acumular poder de governança no ecossistema da Dopex e JonesDAO (outro protocolo de opções e estratégias de yield).
É uma estratégia similar ao que a Convex faz com a Curve.
Usuários podem depositar DPX ou JONES (token da JonesDAO) e esses são bloqueados permanentemente no protocolo na forma de plsDPX/plsJONES.

O protocolo possui cerca de U$ 17 milhões em valor total bloqueado, e uma parte considerável do suprimento circulante de DPX e JONES já foram convertidos em plsDPX/plsJONES (12.6% e 9.30% respectivamente)
É possível utilizar os tokens “pls” para fazer staking, ou ainda em pools de liquidez, recebendo recompensas otimizadas.
Abaixo, vemos as recompensas oferecidas pela plataforma.

As pools de liquidez recebem recompensas em PLS, o token do protocolo, enquanto o stake de plsDPX/plsJONES recebe recompensas em PLS, DPX/JONES e também plsDPX/plsJONES.

O token Plutus (PLS), além de estar sendo emitido para incentivar o uso da plataforma, também pode ser bloqueado no protocolo para receber uma parte das taxas e yield gerados (em plsDPX e plsJONES).
É além disso o token de governança, diretamente para a Plutus, e indiretamente para Dopex e JonesDAO.
Esse protocolo é interessante para usuários mais experientes em DeFi, que tem posições em DPX ou JONES e querem extrair o máximo de valor possível.
Umami
Umami é um protocolo de estratégias de yield - de modo similar a Yearn.
Fornecem juros através de operações on chain, e não por emissões de seu token, UMAMI.
É possível colocar o token UMAMI em stake, através do “Marinate” e receber recompensas em wETH, ou colocar em stake no “Compound” para automaticamente reinvestir as recompensas e aumentar a posição em UMAMI.

Um produto interessante é seu vault de USDC, que fornece 15~20% APR sobre os depósitos.

Faz isso através de uma estratégia que envolve fornecer liquidez para GMX através do GLP e usar derivativos na Mycelium (antiga Tracer) para obter proteção e manter uma posição neutra no mercado.
Obviamente, existem riscos envolvidos, e o funcionamento detalhado desse vault está fora do escopo desse artigo, mas você pode encontrar maiores informações aqui.

Radiant
Radiant é uma plataforma de empréstimos.
Tem como objetivo de no futuro ser um protocolo cross chain, permitindo que seus usuários depositem ativos em qualquer rede e tomem empréstimos em diferentes chains, de maneira integrada e fluida.

No momento, estão fornecendo seu token, RDNT como incentivo para o uso da plataforma.
Ao depositar um ativo, além do rendimento no próprio ativo, também se recebe RDNT.
Ao tomar um empréstimo, é pago uma taxa de juros, mas também se ganha RDNT - diminuindo então o valor final do juros do empréstimo.
Uma funcionalidade interessante que o protocolo oferece é o “Loop”.
É comum a estratégia de se depositar stablecoins como colateral, tomar um empréstimo (também em stablecoins), depositar esse empréstimo como colateral, tomar outro empréstimo, e seguir repetindo esse ciclo.
Isso é uma forma de alavancagem, aumentando o montante total depositado, e recebendo mais recompensas - quando o protocolo está dando tokens como incentivo.
O que o “Loop” faz é automatizar essa operação em apenas um clique e uma transação, obtendo uma alavancagem de até 5x.
As recompensas em RDNT são liberadas após um período de 28 dias.
Caso o usuário queira sacar suas recompensas antes, ele sofre uma taxa de penalidade de 50% do total de tokens.
Esses 50% vão para aqueles que bloqueiam seus RDNT, fazendo stake.
Dessa maneira, o protocolo incentiva que as pessoas não vendam instantaneamente suas recompensas - e aqueles que desejam vender são penalizados.
Também possuem uma pool de liquidez com o par RDNT/wETH, que também é incentivada.

Como o token RDNT está sendo dado como incentivos, é mais interessante se expor ao protocolo recebendo esses incentivos do que comprando o token em si - que está sendo farmado e vendido.
Considerações Finais
Arbitrum deve seguir chamando atenção, e entrar cedo no ecossistema pode se mostrar uma ótima oportunidade.
Esses que abordamos neste artigo não são os únicos projetos, e vale a pena se manter atento às novidades.
Embora a Arbitrum tenha uma perspectiva de crescimento, devido aos catalisadores apresentados no início, também vale lembrar que o mercado como um todo é muito sensível à variação de preço do bitcoin e ethereum.
Uma queda forte nestes vai se refletir também nas moedas na Arbitrum - assim como se ocorrer uma valorização para o BTC/ETH, projetos de capitalização de mercado menor podem trazer ganhos maiores.
A volatilidade é alta, e é importante procurar bons momentos de entrada para aqueles que desejam se expor.