⚰️ Osciladoras & Degeneradas: Só Existem 2 Tipos de Altcoins
Uma regra de bolso simples para medir os riscos da altcoin com que você está se metendo.
2019 foi marcado pela homogeneidade entre retornos de ativos alternativos, com notável descolamento destes em relação ao bitcoin. Ao fim do ano, a única criptomoeda (no top 10) cuja correlação com as demais decresceu foi o BTC.
A constatação ilustra uma tese postulada pelo analista Willy Woo, que distingue “Osciladoras vs. Degeneradas”. Dentre as criptomoedas alternativas - salvo anomalias -, para o investidor de médio-longo prazo, é preciso identificar basicamente dois tipos.
Osciladoras são moedas que se provaram resilientes. Não basta “bater” o bitcoin. É preciso ser capaz de guardar valor em termos dele - o preço oscilar em torno de uma “linha de equilíbrio”. É preciso sobreviver a pelo menos um ciclo inteiro.
Degeneradas são todas as outras - traçando inevitável declínio rumo a zero (em bitcoin).
Osciladoras (as linhas grossas) e degeneradas (as linhas finas) ficam nítidas no gráfico acima, que compara os preços de mais de 2000 moedas entre 2012 e 2020.
A heurística facilita o entendimento de boa parte das altcoins como instrumentos financeiros (além de justificar o volume de negociação atribuído a elas): são ativos com beta alto (se movem mais que o “mercado”, tanto para cima, quanto para baixo). Úteis, do ponto de vista especulativo, para se alavancar exposição (de novo, tanto “para cima, quanto para baixo”).
São raras as oportunidades de investimento de longo-prazo na categoria, uma vez que, na média, altcoins perdem valor consistentemente - são degeneradas. Osciladoras, por outro lado, oferecem risco-retorno sedutor quando divergem de sua “linha de equilíbrio” e quando o investidor busca um beta alto.
Em 2019, Tezos (+51.88%) foi uma criptomoeda que deu passos rumo a esse status, ainda em vias de completar seu primeiro ciclo de vida. DOGE (-56,45%), LTC (- 29.04%) e XLM (-79,01%) e XRP (-71.51%) são algumas já mais estabelecidas. É difícil encontrar segmentações que descrevam retornos ao longo do tempo tão bem como o par Osciladoras vs. Degeneradas.
O apelo das altcoins como “jogadas de alto beta” foi abalado em 2019, com a maturação acelerada dos mercados de derivativos de bitcoin. Derivativos carregam o mesmo atributo, e têm a vantagem de proporcionarem a montagem de posições infinitamente mais flexíveis.
No começo de 2018, havia uma só bolsa de futuros “global”; ao fim de 2019, havia pelo menos 10. Havia basicamente um tipo de contrato futuro; hoje há contratos para moedas e índices de todos os tipos. Os volumes no setor num dado dia são de 5 a 10 vezes maiores que os volumes nos mercados à vista. No ouro, por exemplo, essa relação é de mais de 30 vezes.
A financeirização da classe de ativos transcorre a todo vapor - mesmo sem novidades concretas sobre o ETF de bitcoin que se vêm tentando emplacar há anos.
Outro sinal de maturidade foi dado pela recepção dos mercados secundários às moedas que se arrastavam por uma longa fase de desenvolvimento, e finalmente lançaram. Tendo captado financiamento junto a investidores de risco, muitas atrasaram seus lançamentos à espera de um clima mais favorável nos mercados. Não funcionou: Hedera, Algorand, Luna e Grin são alguns exemplos que foram esmigalhados em seus meses de estreia.
A tendência não é uma exclusividade da classe de ativo: em 2018-19, nos mercados de ações, a capitulação de papéis estreantes, que vinham sobrevalorizados nos mercados privados, deu o tom.
Um questionamento recorrente entre leigos diz respeito à utilidade não-monetária das diferentes criptomoedas. Conseguimos uma medida aproximada comparando, entre elas, a correlação entre atividade transacional e preço da moeda.
Quanto mais descorrelacionada for uma da outra, mais a utilidade transacional independe de especulação na rede. Ou seja, há demanda por recursos (transações) “independentemente” dos preços.
Aqui, BAT e Tezos são destaques, entre as 30 maiores moedas. A primeira dá provas do vigor de seu programa de micropagamentos (em BAT) para criadores de conteúdo; a Tezos exige transações recorrentes como parte integral do seu processo de criação de blocos.
Resumo da História
Está inclinado a investir em alguma altcoin? Lembre-se da distinção aqui proposta, e saiba em que grupo a sua moeda em questão se encaixa.
Se for uma osciladora, avalie, num contexto de médio-longo prazo, se está acima ou abaixo de sua linha de equilíbrio (em que direção a tendência se reverterá, quando o fizer).
Se for uma degenerada (ou se for cedo demais para determinar), saiba que está prestes a fazer uma aposta bastante arriscada (e cuidado se for atraído com força demais para uma determinada altcoin: lembre-se que não é qualquer narrativa técnica que tem o poder de mexer significativamente com os preços) 😅