Paradigma

👩‍🏫 O Que é: Volatilidade, Alavancagem e Margem

3 conceitos-chave em finanças, explicados para alguém com dez anos de idade entender.

Finanças são normalmente vistas como uma impenetrável quarta dimensão.

99,4% dos brasileiros não entende o conceito de juros compostos. É preciso reconhecer: economês é uma língua que nosso povo não fala.

Abaixo, você encontra definições e exemplos para alguns dos conceitos que é essencial compreender antes de começar a operar.


Volatilidade

Volatilidade significa incerteza. Os mercados ficam voláteis quando não conseguimos concordar sobre o que vem por aí.

Num cenário hipotético em que todos os participantes do mercado têm acesso às mesmas informações e as julgam da mesma maneira, os preços de um ativo não oscilam. 

Quanto maior a assimetria de informação, a ineficiência na sua distribuição, e a emoção nos julgamentos individuais (em detrimento da razão), mais os preços variam.

VIX — a volatilidade do maior índice de ações americanas — disparou na segunda semana de março. Desde 2008, não se via um mercado tão incerto quanto ao seu futuro imediato.

Para muitos modelos matemáticos, volatilidade significa risco. A teoria é questionada por muitos mas, na prática, quando a volatilidade em um ativo aumenta, é de se esperar que os participantes do mercado reduzam sua exposição.


Alavancagem

Todo mundo já "se alavancou" na vida.

Alavancagem significa operar em um mercado com quantias maiores do que se têm em conta. 

Exemplo: anunciam uma festa na faculdade. Você já sabe que o preço do ingresso (R$100) deve dobrar ou triplicar nos 30 dias seguintes. Mas só tem R$50 em conta. Então você pega mais R$50 no cheque especial, que cobra 10% de juros ao mês, e decide se virar para pagar lá na frente. No pior dos casos, revende o ingresso por R$200-R$300, e os 5 reais de juros do cheque especial mal farão diferença.

Pronto: você se alavancou em 100%. Ou seja: emprestou dinheiro para adquirir ativos que valem 2 vezes o seu capital original.

Alavancagem carrega risco porque, assim como você pode ganhar mais do que você tem em conta, você pode perder mais do que tem em conta.

No exemplo acima, sua convicção é alta — o risco da operação parece baixo. Mas pensa se bate um vírus, a festa é cancelada sem reembolso, e agora você não só perdeu os R$50 que tinha, como também deve mais R$50 mais juros? Mais arriscado que deixar o dinheiro parado, não?


Margem

Por um lado, alavancagem é frutífera para bolsas e corretoras (quanto mais dinheiro elas giram, mais capturam em taxas).

Por outro, alavancagem pode ser extremamente perigosa. Vamos extrapolar o cenário acima, do ingresso. Vamos supor que você faz parte de um enorme mercado de cambistas (especuladores de ingressos).

Se a festa é adiada indefinidamente, você pode ficar com um ingresso que não vale nada (ou cujo valor é extremamente incerto). Agora imagina se todo mundo que comprou ingressos fez a mesma coisa (pegou empréstimo no cheque especial). E se a renda de todo mundo depende da revenda de ingressos. Não havendo festa alguma no curto-prazo, nenhum cambista vai fazer mais dinheiro. E, pior, muitos cambistas não vão conseguir pagar suas dívidas no banco.

Bancos são grandes e difíceis de falir. Mas se substituirmos bancos por corretoras, cambistas por investidores, e ingressos por ativos financeiros, a coisa pode ficar muito mais feia.

Num evento completamente fora da média (como a disparada da volatilidade nas bolsas em março de 2020), não são poucas as corretoras e investidores que correm risco de ruína. Se o mercado inteiro está alavancado (operando com capital emprestado), e o mercado não conseguir quitar esses empréstimos... quem emprestou o dinheiro pode ficar a ver navios.

Para evitar cenários como este, credores de todo o tipo costumam ter regras bem específicas para determinar quanto cada pessoa pode tomar de crédito. Em corretoras de ações, o critério é mais genérico.

Via de regra, a "alavancagem" permitida para cada investidor é determinada pela quantidade de capital que ele tem em conta. Esta última é nomeada "margem", em economês.

A margem é a garantia (para quem empresta o capital) de que, se o devedor se der mal, ele pelo menos tem algo de valor que pode ser liquidado para quitar as dívidas em voga.

Exemplo: se uma corretora permite alavancagem de até 50%, isso quer dizer que, se você tem R$100 em conta, você pode operar com até R$150.

Dependendo do mercado/corretora, o ativo no qual a margem é deixada pode variar. Numa corretora de ações brasileira, sua margem são os reais que você tem em conta. Numa corretora de criptomoedas, sua margem pode ser deixada na forma de alguns bitcoin, ou ether, por exemplo.


Chamadas de Margem

Já ouviu falar naquele filme nomeado "Margin Call" (Chamada de Margem)?

Quando a variação no valor da sua margem é grande a ponto de romper com os limites máximos de alavancagem permitidos para sua conta, acontece uma chamadas de margem.

É quando a sua margem é liquidada, e a sua posição é desfeita, para evitar que você fique inadimplente e leve à corretora o risco de insolvência.

Exemplo: uma corretora de criptomoedas permite alavancagem de até 50%. Se você tem 10 bitcoin em conta, e o bitcoin vale R$100.000, você pode montar posições equivalente a até R$1.500.000. Mas se o valor do bitcoin despenca em 51%, sua margem agora vale R$490.000 - se a sua alavancagem tiver passado de 50%, você vai ser liquidado, a não ser que adicione mais margem à conta (injete capital na operação), ou que feche a operação antes.

Entender como funciona o mecanismo de liquidação automática de uma corretora é essencial antes de se entrar em qualquer operação alavancado.


Este artigo veio da assinatura Paradigma Pro

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