Paradigma

💊 O Plano da Yearn Para Engolir Fundos e Bolsas Incumbentes | Pt.3

O panorama competitivo; as vantagens que não dá pra copiar; e os 3 cenários futuros possíveis.

⚔️ Panorama Competitivo

A ideia de um sistema de investimento descentralizado e automatizado não é nova. Muito menos em criptomoedas.

O TheDAO captou mais de cem milhões de dólares, em 2016, para fazer algo do gênero — um fundo de venture capital com o qual qualquer pessoa no mundo podia contribuir.

A Numerai é outro projeto na mesma veia. Promove uma competição periódica entre criadores de modelos quantitativos, aplica-os no mercado financeiro tradicional, e remunera os autores dos que performaram melhor.

Seu grande "problema" é a questão do "oráculo": como saber que os trades propostos por cada modelo foram ou não foram executados? É preciso confiar na Numerai para operá-los e repassar uma porção dos lucros. Quando a iniciativa surgiu, simplesmente não existiam oportunidades de investimento on-chain suficientes para que um produto como a Yearn fosse viável. Sem #DeFi, não haveria YFI.

Matriz com as principais concorrentes da Yearn. Nos quadros pontilhados, serviços periféricos que agregam valor à oferta de cada player.

Vantagens Competitivas

Pois hoje, depois da Yearn, já há um bocado de veículos de investimento 100% on-chain. O que impede a Yearn de perder seu posto? Enxergamos 3 vantagens competitivas:

Lista (incompleta) de forks da YFI. Via YFI Pulse.

🔭 O Master Plan

Existe um futuro hipotético em que a Yearn se torna uma plataforma decabilionária de alocação de capital (pense numa gestora como a Renassaince ou TwoSigma), competindo por munição no atacado com players como a Grayscale.

Existe um outro futuro hipotético em que o projeto morfa à imagem de um cripto-banco — e passa a competir diretamente com exchanges centralizadas (como a Binance) por depósitos do varejo.

A direção de longo-prazo depende do foco que recair sobre as Vaults vs. os outros componentes financeiros oferecidos. Em qualquer dos casos, deter YFI, hoje, é como portar uma participação na empreitada.

A Yearn já sobreviveu a forks, campanhas de cancelamento e uma derrocada violenta nos preços em #DeFi. Seu fado parece menos vulnerável à fatores exógenos, e muito mais sensível à manutenção (ou não) das estruturas de incentivo que trouxeram o projeto até aqui.

Renassaince 2.0

Andre Cronje tem motivação para dedicar seus próximos anos à Yearn? Quais são as armas para se manter o fluxo de novas estratégias? O quê poderia levar a um êxodo de provedores de liquidez, rumo a concorrentes?

Se a Yearn encontrar equilíbrio entre detentores de YFI, criadores de estratégias e provedores de capital, tem tudo para amadurecer como o maior "estacionamento de criptomoedas" do mercado.

Pense no gestor de um fundo discricionário, que faz uma dúzia de apostas concentradas ao longo de um ano — e passa boa parte do tempo sentando sobre dinheiro, ponderando onde alocá-lo. Por que não deixar sua munição (USD, BTC ou ETH) estacionada em um protocolo que gera cashflow?

Uma das críticas ao modelo da Yearn aponta a insustentabilidade de se depender da comunidade para cunhar novas estratégias. É um dito popular no universo dos investimentos quantitativos que "uma estratégia sozinha não faz verão". Robustez requer que se detenha uma fábrica delas. Um ovo de ouro dura pouco tempo; seguro mesmo é criar galinhas que dão ovos de ouro.

No caso de YFI, o produto deve dar um salto qualitativo a partir do momento em que houver programas (e não só pessoas) gerando, testando e propondo estratégias para novas Vaults. É questão de tempo até começar a acontecer. Grande parte dos primitivos de #DeFi pode ser modelada e combinada matematicamente. Seus riscos podem ser medidos. Logo logo, devem pipocar ferramentas que cumpram com essa função.

Um Cripto-Banco Sem Dono

Já fazem parte da Yearn Finance: uma "conta corrente" (Earn), uma "gestora" quantitativa (Vaults), uma exchange (ySwap), uma seguradora (yInsure) e um serviço de empréstimos (yBorrow).

Carece, ainda, de dois tipos de funcionalidades que a separam de uma Coinbase da vida: onramps (mecanismos para receber depósitos em dinheiro fiduciário) e integrações B2C (acessibilidade via wallets e exchanges tradicionais).

Não é preciso ir muito longe para ver como a Yearn está perto de afrontar algumas das maiores fintechs da cripto-lândia, oferecendo alternativas não-custodiais a produtos famosos. Por exemplo:

No cenário "Renassaince 2.0", é provável que o modelo de monetização da yearn seja simplificado pelos governantes do protocolo. Algo mais próximo ao 2/20 (2% de administração, 20% de performance) típico para fundos ativos, no mundo dos investimentos.

No cenário "Cripto-Banco Sem Dono", é mais plausível que o código seja tratado como "bem público", e as formas de monetização sigam evoluindo nos moldes da atual.

Qualquer que seja o caminho escolhido, a história da Yearn ainda está longe do fim. 

Das duas, uma: ou vai protagonizar uma catástrofe inesquecível — fazendo jus à comparação com o TheDAO. Ou vai ser uma das poucas altcoins que ainda estaremos comentando com entusiasmo no próximo halving.

Este artigo veio da assinatura Paradigma Pro

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