👗 Moda "Phygital": O Que é Placebo e o Que é Inovação
Mapeando 15 formas de incorporar NFTs na indústria da moda - dos jeitos mais toscos aos mais revolucionários.
Desde que a RTFKT foi comprada pela Nike, ficou clara a convergência entre os mundos da moda e das criptomoedas.
Surgiu até um termo novo pra classificar peças de vestuário com um componente virtual: "phygital".
Aqui, listamos 15 iniciativas que exploram essa intersecção. E mapeamos elas de acordo com o preço do produto final e a abordagem escolhida: da mais simples, à que, na nossa visão, melhor amarra o físico com o digital.
Será que conseguimos distinguir o que é inovação de verdade... do que é "só mais uma marca entrando na onda"?
😐 Categoria 1 - Item Físico (Aumentado)
A primeira categoria é a das peças que usam o meio digital para aumentar esteticamente a experiência física oferecida pela marca. Vejamos alguns exemplos.
👕 Tommy Hilfiger
A Tommy aproveitou o desfile “Metaverse Fashion Week” no mundo lúdico de Decentraland pra viabilizar a visualização de suas peças de roupa em 3D. Na galeria, ainda dava pra experimentar as peças e comprá-las com ETH.
🥽 Nike & RTFKT
O primeiro lançamento da parceria mais quente do "universo phygital" foi um casaco escuro. Classificamos o produto nessa categoria porque o aspecto mais proeminente dele é o filtro de realidade aumentada que ativa "asas virtuais" na peça, quando uma câmera de celular detecta o QR code nela. Mas o lançamento podia ocupar também as outras 3 categorias do nosso mapa, além da dos (1) "itens físicos aumentados". Isso porque (2) os detentores do casaco ficam com um NFT representando a peça digitalmente; (3) antes disso, tiveram de trocar um NFT pelo casaco físico; e (4) um chip costurado no casaco conecta a peça ao NFT que o representa.
🙃 Categoria 2 - Item Digital
Nessa categoria ficam os itens puramente digitais, sem "contraparte física".
👗 DressX
A DressX é uma plataforma inteira de compra e venda de NFTs representando roupas. Essas roupas podem ser experimentadas em modelos físicos, através de um app que aplica um filtro de realidade aumentada no dono do NFT... ou também podem ser usadas em ambientes exclusivamente digitais. O projeto fica entre as categorias 1 e 2.
🐦 Reserva X - Pistol Birds
Coleção de NFTs lançados pela Reserva, marca de moda brazuca. Dão ao detentor acesso a uma comunidade virtual.
💎 Gucci
A grife foi uma das primeiras a promover lojas virtuais na plataforma The Sandbox. Nelas, vendia artigos de luxo digitais, na forma de NFTs.

🔄 Categoria 3 - Item Duplo (Conversível)
Esta abordagem é a das marcas que vendem NFTs como um "passe" que pode ser convertido em um item físico. Às vezes, o "passe" original é destruído depois da conversão. Às vezes, o NFT permanece na carteira do dono, como um "souvenir" digital, mas com os metadados alterados para denotar que a peça física já foi resgatada.
👑 Tiffany & Co.
A marca centenária lançou uma coleção de 250 NFTs, custando 30 ETH cada mint. “NFTiff” é exclusiva para detentores de Cryptopunks. Os NFTs podem ser convertidos por um pingente, com cerca de 30 pedras raras, ilustrando o Punk do dono.
🥻👟 Reserva X - Spriz
Depois dos Pistol Birds, a Reserva deu um passo adiante na sua empreitada rumo à web3. O segundo projeto da divisão da marca que se dedica ao tema é uma coleção NFTs que podem ser convertidos por um tênis físico, de edição limitada. Até que sejam "resgatados", os itens ficam num misto de vitrine e cofre, mantido pela Reserva. Depois de "usado", o NFT ainda pode ser "vestido" pelo personagem do dono dentro do Decentraland.
🎽 LNQ Marketplace
Suas peças de roupa contém um microchip NFC que, quando escaneado, traz metadados criptograficamente assinados e comprova a legitimidade da roupa comprada.
📱 Tectyle
A Tectyle é um marketplace dedicado a "drops" de roupas com microchips NFC. Esses chips guardam um par de chaves pública e privada que controlam um endereço na Ethereum. A partir desse padrão, cada "drop" interage com seus compradores de um jeito diferente, na blockchain: seja usando a peça de roupa como "ingresso" em festas ou enviando novos itens digitais ao endereço on-chain.
👟 Luxeto
A marca de tênis vendeu um primeiro drop de sneakers exclusivos pra donos de CryptoPunks. Comprava-se um NFT que dava direito a um tênis, físico, com cores pareadas às cores predominantes do seu CryptoPunk. A abordagem deve ser replicada pra outras coleções, e agora a marca tá lançando uma edição em parceria com um artista.
🤯 Categoria 4 - Item Cripto-Físico
A ideia, aqui, é tentar criar um item meio físico, meio digital... de uma forma que a conexão das duas partes seja indestrutível, irrevogável. A abordagem mais vanguardista, hoje, consiste em se costurar um chip que pode ser ativado por sensores de aproximação (NFC), e que gera um par de chaves pública e privada independentemente, sem interferência externa. O chip controla um endereço na Ethereum. E pode-se assinar transações com ele a partir de um app ou site, aproximando o celular do local onde ele está costurado. Não há backup, ou meio alternativo de acesso a esse endereço. A peça física é a única chave daquela carteira. Qualquer NFT soulbound (intransferível) nesse endereço só pode mudar de dono se a peça física efetivamente trocar de mãos.
👘 Metafactory
Lançou a peça de roupa “MF70 ANTI-SURVEILLANCE SET”, cujo microchip controla uma NFT animada do vestido, e exibe ela quando escaneado. Já participaram de outros drops seguindo o mesmo modelo, quase sempre usando os chips da Kong.

🛹 Azuki
A coleção de NFTs cimentou sua posição no panteão dos projetos de PFPs quando inventou de lançar itens físicos - e fez bem feito. Chamou de "Proof of Skate" um leilão de 9 skates banhados a ouro, com um chip da Kong/Arx por debaixo dessa nobre cobertura, dando acesso a um endereço único, contendo um NFT que ilustra/reflete o objeto físico. Os 9 vencedores do leilão - que arrecadou 2.5 milhões de dólares - ficaram identificados numa arte na página oficial do projeto, como "pilares" de um totem que ilustra um pedaço do universo da Azuki. O lance mais alto superou os 300 ETH. A Azuki batizou a implementação que fez de "Phisically-Backed Token". Pra ser justo, a abordagem já vinha sendo exercida em partes do ecossistema há algum tempo. Mas a execução da Azuki foi de fato impecável.
🎟 Endstate
Os tênis produzidos por Endstate vêm com um microchip costurado na lingueta (e um QR code discreto na lateral, pra checagem do endereço associado). São pareados a NFTs únicas que possibilitam a entrada dos detentores em experiências físicas e digitais.
🎫 Rags Cool
A empresa segue o que chama de “Trinity Protocols”, e já sorteou brindes físicos a detentores de suas peças. Vendem passes para seus drops na forma de NFTs, e os NFTs podem ser convertidos por uma peça física que vem com um chip NFC estilizado costurado. Promovem eventos exclusivos, dão acessos antecipados a outros projetos, etc.

🏀 Krause House
Sua jersey exclusiva tem um microchip da Kong, e autentica a entrada em eventos da DAO, além de servir de repositório para se colecionar assinaturas digitais de jogadores da NBA. É tipo um "passaporte on-chain" do fã.
👨💻 Como esses microchips funcionam, afinal?
Os negócios nessa 4ª categoria costumam usar um dentre dois microchips: IYK e HaLo. Ambos usam a tecnologia de Near-Field Communication (NFC) - a mesma que faz funcionar os cartões de crédito "por aproximação".
Os chips encapsulam circuitos isolados, que geram um par de chaves e, por consequência, um endereço, na Ethereum. Normalmente, as peças incluem também um QR code que identifica o endereço, mas é o chip quem assina transações, quando instigado a prover uma assinatura válida para uma transação específica que lhe é proposta por NFC, geralmente por um celular.
🔬 Outras dimensões
Neste exercício, mapeamos 15 iniciativas em 2 dimensões (preço e "hibridez").
Existem incontáveis outras iniciativas no espaço. Nossa amostra é um recorte pequeno.
E existem outras dimensões importantes a se explorar, também.
Uma que vale ressaltar é a "forma de distribuição": os "drops" são abertos a qualquer um? Restritos a detentores de um certo NFT? Vendidos a preço fixo? Leiloados? Num leilão ascendente ou holandês (decrescente)? Uma coleção que explorou bem o "espaço de design", aqui, foi a Azuki. Levantou 2.5 milhões de dólares vendendo meros 9 skates (tudo bem, banhados a ouro). Isso porque fez um leilão que carregava no seu entorno um verdadeiro circo social - leaderboards, comentário ao vivo, lances sendo bradados no Twitter, etc.







