🤳 Lens: A Camada Social da Web3
Como novos modelos de monetização de conteúdo podem empoderar os criadores numa nova era das redes sociais
O Brasil, sozinho, conta com mais de 150 milhões de usuários de redes sociais - cerca de 70% da população.
As empresas por trás alcançam receitas na casa das dezenas de bilhões de dólares por ano.
A Meta (antigo Facebook) vale 562 bilhões de dólares, mais que o do Bitcoin (no momento), em parte devido à quantidade imensa de dados que possui.
Dados que são extremamente valiosos - desde para quem quer te vender um produto, até para quem quer te vender uma ideia. Ainda assim, nós os entregamos de graça.
“No século 21, nossos dados pessoais são provavelmente o recurso mais precioso que ainda temos a oferecer, e os entregamos aos gigantes tecnológicos em troca de serviços de e-mail e vídeos com gatos engraçadinhos.” - Yuval Harari
Além de estarmos entregando nossos dados, não somos realmente donos de nossas páginas e perfis, mas sim inquilinos.
Seja por uma boa causa (ou não), o Instagram, Twitter, TikTok, Youtube, etc, podem muito bem bloquear “sua” conta quando bem entenderem.
Poderia a "web3" mostrar ao mundo novos jeitos de construir redes do tipo?
🌿 Lens Protocol
Lens é uma rede social da web3, construída na Polygon. Seu nome vem da planta Lens Culinaris - popularmente conhecida como lentilha - que possui uma relação simbiótica com certas bactérias do solo.
Seu fundador, Stani Kulechov, também fundou a AAVE, protocolo de empréstimos. Parte dos recursos para o desenvolvimento da Lens veio da AAVE.
Foi feita para empoderar criadores, e formar comunidades. O protocolo é desenhado pensando no conceito de modularidade, permitindo que novas funções sejam adicionadas enquanto garante conteúdo imutável, de propriedade do usuário.
A diferença entre, por exemplo, uma postagem no Instagram para uma em um aplicativo construído sobre a Lens é que, no segundo caso, essa postagem pode ser um NFT, que o criador realmente possui em sua carteira - e é livre para fazer o que quiser com ele.
A Lens também garante a portabilidade entre diferentes aplicações.
Como usuário, você cria um perfil, que é uma NFT. Esse mesmo perfil serve para qualquer aplicativo que use o mesmo protocolo.
Isso é um avanço em relação ao padrão da Web2, onde cada rede necessita de um perfil, e é impossível fazer portabilidade entre elas.
Criadores também podem escolher quais dados aparecem em cada aplicação.
Quase 60 mil carteiras já mintaram um perfil na Lens - embora a taxa em que surgem novos perfis tenha diminuído.

A ideia principal por trás da Lens é tratar o conteúdo gerado por usuários como uma classe de ativos.
O protocolo permite aos donos de perfis algumas funções básicas, como postar, comentar e compartilhar (que chamam de mirror).

E também mais algumas funcionalidades interessantes, como definir o “módulo de seguidores”.
Isso permite que se crie uma whitelist determinando a lógica a ser executada quando uma carteira vai seguir o perfil. Por exemplo, o dono do perfil pode cobrar uma taxa para alguns seguidores usando esse módulo.
Quando uma carteira regular segue um perfil, ela cria um NFT de seguidor, que pode ser programado de acordo com a lógica do módulo.
Esse NFT pode, por exemplo, dar direitos de votação em uma DAO daquele influencer, ou os 1000 primeiros a seguir aquele perfil receberem conteúdos exclusivos, ou mais qualquer coisa que a criatividade permitir.
Criadores podem experimentar novos modos de cultivar sua audiência.
É possível para carteiras regulares “coletar” postagens de perfis, salvando a publicação em sua carteira como um NFT - e o criador pode determinar módulos para monetizar em cima dessa possibilidade.
Donos de perfis ainda podem definir endereços para atuarem como “despachantes”, que podem publicar naquele perfil, sem precisar ter acesso a carteira que o possui.
E ainda há a possibilidade para aqueles que têm uma base de seguidores, mas não produzem conteúdo, trabalharem como curadores - compartilhando conteúdo de outros, e então monetizando sua audiência.
Para mintar um perfil, por enquanto, é necessário assinar uma carta aberta. São aceitas carteiras em rodadas de snapshots, o último tendo ocorrido em maio.
Isso foi feito para evitar que o protocolo sofra um ataque sybil, em que bots criam vários perfis com nomes que podem posteriormente se tornar valiosos. No futuro, permitirão que qualquer um faça seu perfil.

Uma crítica ao modelo do protocolo é: num futuro que a mídia social é monetizada, isso não poderia excluir parte da população?
Para algumas pessoas, que não se importam tanto com sua privacidade, pode ser mais vantajoso vender seus dados, e usar aplicativos de graça - o modelo da web2.
Mas a Lens não determina que nenhum aplicativo seja pago - na verdade, a maioria é gratuito.
E também cabe aos donos de perfis a decisão de como monetizar - ou não - o seu conteúdo.
Lens até então não possui um token. Em um podcast recente, o fundador disse que ainda pretendem tornar o protocolo gerido por usuários, o que indica a possibilidade de um token no futuro.Por enquanto, o foco do time é no produto em si.
🔵 Lenster
Lenster é um dos aplicativos construídos sobre a Lens.
Permite os tipos de interação comentados acima, e tem as funções de redes sociais que já conhecemos, como feed e perfis.

Se descreve como uma rede social descentralizada e não permissionada.
Para utilizar a plataforma, é preciso ter um perfil na Lens.
Embora o número de postagens diárias seja relativamente baixo (comparado com outras mídias sociais), o protocolo está vendo um crescimento constante nessa métrica.

🎥 Clipto
Também construído sobre a Lens, Clipto é um protocolo que permite a conexão direta entre criadores de conteúdo e audiência.
Criadores conectam sua carteira e também fazem uma verificação utilizando o twitter - para evitar imitadores. E então podem vender conteúdo personalizado.
O usuário navega entre o perfil de diversos criadores, e pode solicitar um vídeo único para esses - por um preço definido.
O vídeo é mintado como um NFT, e enviado para uma carteira de escolha de quem o comprou.
É como uma versão cripto do Cameo.

O projeto é gerido por uma DAO, que define as taxas da plataforma - que são enviadas para um tesouro controlado pela mesma.
🌐 Outros
Ainda existem mais protocolos interessantes sendo construídos sobre a Lens.
Zilly é uma plataforma focada em construir conexões e fortalecer comunidades.
Usam mecânicas gamificadas, como pontos de experiência recebidos ao fazer missões dentro da plataforma, ou ao publicar.
Buscam ser construídos em conjunto com os usuários, que podem enviar sugestões ao protocolo.
Iris é mais uma rede social, com um feed padrão.
Sepana é um aplicativo que serve como um motor de pesquisa para a Lens. Ajuda a encontrar conteúdo, usuários e conexões.