Paradigma

🛣️ GPT-3: o Programa que Escreve (muito) Melhor que Você

Como funciona e o que é capaz de fazer o modelo de processamento de linguagem mais avançado do mundo.

Em certo ponto, você terá de escolher entre trabalhar para as máquinas ou insurgir contra elas. Já escrevemos sobre isso.

Na semana passada, a linha do tempo se acelerou. O time dos robôs desferiu mais um “golpe moral” na cara da humanidade.

A OpenAI (ONG financiada com uma esmola bilionária do Elon Musk) lançou o GPT-3. É a última versão do seu programa de geração de texto com aprendizagem de máquina.

Treinado em um corpus de 45TB de conteúdo postado na internet, e com mais de 100 bilhões de parâmetros, o modelo faz uma coisa com excelência: prevê um conjunto de símbolos subsequentes, dado um input inicial. Manipula linguagem.

Você começa uma frase, e ele completa. Digita um parágrafo, e ele compõe um texto. Uma especificação técnica, e ele cospe o código funcional de uma aplicação:

Descrevendo a home page do Google para que o GPT-3 escreva o código-fonte dela. Autor: Sharif Shameem

A API está sendo testada por um grupo de usuários beta, que já construíram, em dias, alguns protótipos de cair o queixo. O modelo tem sido usado para escrever poesia, desenhar layouts a partir de briefings simples, e te permitir conversar com um “clone” de qualquer pessoa, viva ou morta.

Lembra daquele episódio de Black Mirror em que a viúva assina um produto pra papear, online, com a memória do marido falecido? Já é realidade.

O valor da autenticação criptográfica desponta. Em alguns anos, você não vai acreditar no pronunciamento de um político a não ser que a imagem, o áudio ou o texto tenham sido criptograficamente assinados (ou algo parecido).

Pense por um instante: com informações suficientes, já dá pra replicar a voz de alguém. Fazer um vídeo fake quase perfeito. E, agora, ainda por cima, “pensar” e escrever com a “cabeça” da pessoa!

As implicações são vastas. E “política” é só a pontinha do iceberg 🥶👇

Uma conversa ontológica com a Inteligência Artificial. Será que flagramos um glitch na Matrix?

O GPT-3 pode discorrer sobre… tudo.

É curioso como atribui um caráter religioso à simbiose entre homem e máquina. Sua visão singularista nada mais é que uma “média” das ideias que nossos próprios ficcionistas projetaram no futuro. O GPT-3 prevê… o que George Orwell, Arthur Clarke, Douglas Adams & companhia já previram!

“Nós damos forma à tecnologia, e ela nos reforma de volta”.

Intimida pensar que o GPT-3 veio à tona só 18 meses depois do GPT-2. O salto qualitativo é absurdo. Quanto tempo levará até que uma versão seja escrita pela versão anterior?

Já postulamos isto antes, e repetimos: a grande cisão da nossa era não é a que opõe millenials e boomers; cloroquiners e quaranteners; nem esquerda e direita.

É o embate entre tecnocratas e antropocratas. Entre trabalhar por uma simbiose prolífica com as máquinas; ou se opôr ao desenvolvimento da consciência delas.

Foto por Andy Kelly no Unsplash

“Regredir nunca é uma opção. Não permanecemos caçadores depois de inventada a agricultura. Não seguimos fazendeiros, uma vez industrializados. Novas eras requerem novos propósitos".

Este artigo veio da assinatura Paradigma Pro

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