🌎 FEWOCiOUS Vende Mais de 30 mil NFTs em 2 Dias
UST, USN e o renascimento das stablecoins algorítmicas; FEWOCiOUS dá largada ao seu projeto mais ambicioso; União Europeia aprova lei para banir wallets anônimas.
Rapidinhas
- Michael Saylor anunciou recentemente que a MacroStrategy, uma subsidiária da MicroStrategy, realizou um empréstimo de $205 milhões de dólares colaterizado por bitcoins no Silvergate Bank para comprar mais bitcoins.
- O Banco Central do Brasil anunciou nove parceiros para auxiliá-lo a desenvolver sua CBDC. Dentre os principais contribuidores, estão Mercado Bitcoin, Santander, Itaú Unibanco e Aave.
- Sinalizando sua intenção em tornar-se um cryptohub, o Reino Unido divulgou sua intenção de reconhecer stablecoins como meio de pagamento e a Casa da Moeda Britânica comunicou que irá mintar uma coleção de NFTs durante o verão deste ano.
- A Blur, um projeto que visa desenvolver um marketplace de NFTs voltada para traders profissionais levantou $11M de dólares em uma rodada de investimentos liderada pela Paradigm. eGirl Capital, Keyboard Monkey, LedgerStatus, 0xMaki, Zeneca e Deeze são outros que estão investindo no dapp.
🤔 Stablecoins Algorítmicas Voltam à Cena
As stablecoins algorítmicas tem voltado a ganhar tração em DeFi. A criação de funções matemáticas para manter a estabilidade de um token em relação ao dólar - chamado de peg - são questionadas, frente aos prejuízos causados por projetos no passado. Desta vez, foi a chance da USDN nos mostrar os riscos destes mecanismos.
A Waves é uma blockchain de primeira camada, que tem o WAVES como seu token nativo. Dentro de seu ecossistema, foi criada a Neutrino, um dapp especializado em criptoativos sintéticos estabilizados por algorítmicos. A USDN é uma stablecoin desenvolvida por ela, colateralizada por WAVES.
A correlação entre os tokens acaba por causar uma dependência direta entre eles: para a USDN conseguir manter a estabilidade de seu preço, é necessário sempre manter a capitalização de mercado da WAVES maior que a USDN. Esta interligação impacta também nos yields: a apreciação no valor de WAVES, aumenta a colateralização de USDN e os rendimentos pagos aos seus investidores.
Com este cenário, foi identificado que os desenvolvedores da Waves estavam criando um volume artificial no seu token nativo. Um usuário do cripto-twitter detalhou o ponzinomics elaborado.
Diante da necessidade de pumpar o preço de WAVES para imprimir mais USDN, passou-se a depositar a stablecoin na Vires Finance, um protocolo de empréstimo na Waves. Assim, poderiam tomar emprestado USDC/USDT. Apesar dos altos juros cobrados sobre o empréstimo, a demanda dos tokens tem sido tão grande quanto sua oferta.
Os empréstimos eram enviados para a Binance, visando comprar WAVES, inflar seu preço e a capitalização de mercado. Após esse processo, os tokens eram convertidos novamente para USDN e o loop continuava. Desde 1 de março, o token valorizou 240% e seu market cap atingiu $3B de dólares, possibilitando o aumento em sua capacidade em imprimir mais stablecoins.
O CEO da Waves negou as acusações, justificando a apreciação do valor no crescimento da empresa no mercado americano. Segundo ele, a Alameda Research foi a responsável por fazer empréstimos massivos na Vires Finance, causar FUD na comunidade e desvalorizar o token WAVES. Tudo isso, para tornar seu short no token, lucrativo. O CEO da FTX e fundador da Alameda Research afirmou não estar envolvido
Independente dos culpados, o resultado desta narrativa sobre a WAVES fizeram-na acumular uma desvalorização de ~80% em relação seu ATH, impactando diretamente no peg da USDN. Desde então, a stablecoin obteve uma valorização, mas sua estabilidade foi colocada em xeque.
Após o episódio, os riscos sobre as stablecoins algorítmicas foram novamente trazidos a tona. A Terra tem crescido seu ponzinomics em larga escala e tornou a UST é quarta maior em capitalização de mercado. Com mecanismos semelhantes aos utilizados na Waves, vale ficarmos atentos quanto a movimentação da LUNA no mercado.
🌎FEWOCiOUS lança o FewoWorld e Vende Mais de 30 mil NFTs
Na arte, a história e as experiências do artista refletem-se diretamente em suas obras. FEWOCiOUS é um exemplo disso. Sua jornada para tornar-se uma das referências na cripto-arte é fruto de inspiração para produção de suas peças. A coleção “Hello, i’m Victor (FEWOCiOUS) and This Is My Life” narra seu amadurecimento, transferindo sua carga emocional as artes digitais tokenizadas. A sinceridade na produção foi valorizada pela comunidade: arrecadou 2.16M de dólares na venda dos NFTs na Christies, batendo recordes na casa de leilões.
O sucesso alcançado pelo artista continuou. Em parceria com RTFKT, lançou uma série de 600 tênis personalizados com artes produzidas por ele e resgatáveis para o mundo real. As unidades disponíveis esgotaram em 7 minutos, conseguindo $3.1M de dólares
Diante dos resultados atingidos, projetos do FEWOCiOUS são admirados pela comunidade cripto.
Recentemente, o artista anunciou a criação do FewoWorld, um mundo virtual idealizado e desenhado por ele. Será o seu primeiro projeto de arte generativa. Sem roadmap, apresenta a existência de três tipos de NFT: Paints, Canvas e Fewos.
Somente as Paints foram colocadas a venda. Holders de outras artes de FEWOCiOUS poderiam comprá-las antecipadamente por $500 dólares e o restante dos interessados adquiriram por $1.000 dólares. O mint terminou no dia 4 de abril, vendendo 30.198 NFTs.
Paint Drop #3041 e Paint Drop #3577
Todos os detentores das Paints poderão desbloquear recompensas no Fewoworld, como Canvas e Fewos. Os “50 maiores receberão um troféu-NFT diamante e um Fewo único, quando o drop acabar no final deste ano”. Com isso, a expectativa é que os demais itens do Fewoworld sejam vendidos ao longo de 2022.
Cientes dos bônus, colecionadores adquiram centenas de peças, com o maior detentor possuindo 561 unidades. Alguns deles veem este NFT como um mecanismo para mintar PFPs no futuro. Os NFTs também serão ingressos para participar de festas presenciais e virtuais promovidas por FEWOCiOUS para pintar peças reais da coleção junto dos holders das Paints.
As obras tem sido negociadas no mercado secundário entre ~$1.225 e $2.100 dólares e movimentou $1.3M de dólares.
Fonte: Parsec
Apesar de inexistir roadmap, a expectativa da comunidade cripto sobre o mundo virtual do artista é grande, frente suas criações. Vamos acompanhar a sequência de drops e a revelação dos NFTs, de olho nas suas implicações no Fewoworld.
⚔️A Batalha Entre as Bridges
O desenvolvimento de projetos focados em realizar bridges tem estado ativo na comunidade cripto e entre venture capitals. A Layer Zero captou $135M de dólares, avaliada em $1B de dólares. Wormhole estima arrecadar ~$200M de dólares com a pré-venda de seus tokens, com um valuation de $2.5B. Axelar captou $35M em uma rodada de investimentos Serie A, sendo avaliada em $1B de dólares. E estes são somente alguns dos projetos de bridges operando em DeFi.
Os recentes casos da Wormhole e da Ronin Network mostraram os riscos inerentes as bridges, comparando-se a temporada de hacks ocorrida durante o Verão DeFi e JPEG-season. Mesmo com os riscos, tem-se observado o crescimento de pontes entre chains, devido à demanda dos usuários navegarem entre elas e protocolos em expandirem sua liquidez.
A Stargate Finance, primeiro protocolo desenvolvido e implementado pela LayerZero, já acumula mais de $4B de dólares custodiados em seus contratos inteligentes em 3 semanas de existência. Com o interesse dos usuários em prover liquidez a DEX omnichain e receber incentivos em STG, os desenvolvedores da LayerZero têm obtido sucesso. Recentemente, foi lançada uma coleção chamada Gh0stly Gh0st: identificando como o primeiro NFT omnichain, movimentou ~$13.3 de dólares.
Outra bridge que destacou-se foi a Synapse. O projeto viu seu volume de transações aumentar com a integração do DeFi Kingdoms a uma subnet da Avalanche utilizando sua bridge. Em 24 horas, ~58.000 transações foram realizadas, movimentando ~$400.5 milhões de dólares. Já transacionou ~$9B de dólares e tem $880M de dólares em seus contratos inteligentes.
Fonte: Synapse
Mesmo com outros projetos nascentes, a Wormhole tem mantido seu lugar entre as bridges. Embora tenha sofrido um hack de $318M de dólares, a bridge recuperou-se com a inserção de liquidez da Jump Capital. Tem o objetivo de captar novos investimentos com a venda de seu futuro token nativo e já possui ~$3.8B de dólares de TVL, transferindo, em média ~104 milhões de dólares e 8.000 transações diariamente.
Fonte: Wormhole
Em análise, as soluções descentralizadas tem buscado concentrar seus esforços em oferecer liquidez a protocolos DeFi e games P2E. A parceria feita pela Synapse e a implementação da Stargate Finance, na LayerZero, demonstraram esta eficiência. Os tokens nativos das bridges apresentaram ganhos, com a valorização de SYN ~50% e STG ~300% nas últimas 2 semanas.
Enquanto isso, empresas centralizadas como a WBTC e Huobi ainda custodiam bilhões de dólares para introduzir liquidez as chains compatíveis com a EVM, advinda da blockchain do Bitcoin.
Terra, Avalanche, Multichain e Ren também são atores importantes na disputa deste mercado. Com tecnologias diferentes, veremos o embate pela adoção de suas soluções e o crescimento da “narrativa multichain”.
🤫 União Europeia Aprova Lei Visando Banir Wallets Anônimas
O Comitê sobre Assuntos Econômicos e Monetários do Parlamento Europeu aprovou medidas que restringem CASPs - Provedores de Serviços relacionados a Criptoativos - de realizarem transações com carteiras não-custodiais sem a verificação das partes envolvidas na transação impondo a necessidade de empresas como a Consensys e Ledger a realizarem a identificação dos usuários de suas wallets
As regras compõem o novo “pacote anti-lavagem de dinheiro” que vem sendo discutido no Parlamento Europeu desde o final de dezembro de 2021. Incluindo criptoativos em seu texto, legisladores demonstram correlacioná-los a lavagem de dinheiro, tese já refutada por empresas especializadas no tema.
Para cumprir com as determinações, será necessário realizar a coleta e gerenciamento de dados, incorrendo em riscos aos usuários no caso de vazamentos de informações pessoais e custos adicionais para transacionar com carteiras não-custodiais. O texto também exige o monitoramento de transações, para reportar o recebimento de transferências acima de 1.000 euros.
Muitos players da indústria demonstraram seu descontentamento com a medida. Brian Armstrong, CEO da Coinbase, publicou em seu Twitter que “a proposta é anti-inovação, anti-privacidade e difíceis de serem cumpridas.” O Conselho de Inovação em Criptoativos também trouxe seu posicionamento, expondo que as regras trarão a coleta excessiva de dados pessoas dos usuários, ferindo o direito fundamental a privacidade e minando pequenas empresas no ramo das criptos.
O pacote de novas normas relacionados a lavagem de dinheiro é somente o começo da adesão das nações as Diretivas do GAFI - Grupo de Ação Financeira Internacional -. Publicada no ano passado, serve como guia para seus integrantes adequaram-se aos parâmetros estabelecidos pela entidade internacional. Seu enforcement, baseado em sanções econômicas, acaba obrigando tacitamente todas as potências alinharem-se as regras fixadas por ela.
Sua incompatibilidade com o funcionamento dos contratos inteligentes, impõem a burocratização estatal sobre o setor de criptoativos. As medidas colocarão protocolos DeFi e DAOs a margem da regulação, ilhando a União Europeia em termos de inovação. Elas obrigarão os projetos adotarem mecanismos para protegerem-se como o geo-blocking, já realizado anteriormente pela 1inch em 2021 com usuários dos Estados Unidos.
A votação ainda deverá ser discutida em um triálogo com a Comissão Europeia e Conselho Europeu a ser realizada no final de abril. Há uma mobilização na indústria para eliminar as medidas restritivas, mostrando aos legisladores as incoerências do texto.