⚽️ Fan Tokens: Novo Paradigma do Entretenimento Esportivo - ou Apenas mais um Ponzi?
Fan Tokens são moedas sem nenhuma utilidade real? Ou uma força disruptiva na indústria esportiva?
👉 O que é, e para que serve um Fan Token?
Futebol é o esporte mais popular do mundo, com cerca de 3.5 bilhões de fãs. Existem mais países filiados à FIFA do que a ONU.
Isso culmina em uma indústria bilionária. Segundo uma matéria do The Economist, só em 2018, o futebol gerou 42 bilhões de dólares em receita.

Na Web3, a iniciativa de Fan Tokens pretende abocanhar uma parte dessa receita.
Mas o que são Fan Tokens, afinal?
Fan Tokens são tokens criados com a intenção de melhor conectar times esportivos e seus fãs, promovendo benefícios exclusivos aos filiados.
Para o time, é mais uma maneira de engajar com sua torcida e, principalmente, fazer mais dinheiro.
Já para os fãs, dá acesso a benefícios exclusivos, como descontos em mercadorias, experiências VIP e acesso a uma comunidade.
Também há o uso de NFTs, para que fãs possam comprar momentos históricos - como por exemplo o vídeo do centésimo gol de certo jogador, imortalizado numa blockchain qualquer.
Além disso, espectadores também podem influenciar em decisões de seu time - como com qual camisa irão jogar, a música que vai tocar quando fizerem um gol, a pintura no ônibus da equipe e coisas do gênero.
Embora no momento ainda sejam decisões triviais, isso pode evoluir com a aceitação da tecnologia.
Por exemplo, em 2020 o time Apollon FC permitiu aos detentores de seu token escolher qual a formação e os jogadores que iriam participar de uma partida amistosa. E parece que os fãs sabem uma coisa ou outra, pois o time ganhou.

A ideia por trás disso é que o fã deixa de ter uma presença apenas passiva, e começa a ter voz ativa.
Fica a cabo da criatividade das plataformas e times envolvidos para criar novas maneiras de permitir o engajamento e fazer o fã se sentir mais parte da equipe.
É importante clarificar que, embora os tokens tenham essas utilidades para seus holders e dão direitos à participação em algumas decisões, não representam nenhum tipo de propriedade sobre o time ou a marca.
Em teoria, os times podem emitir fan tokens onde bem entenderem, e até mesmo por conta própria. Na prática, os times têm feito parcerias com companhias para emitirem seus tokens - afinal, é mais fácil usar a expertise de empresas já ligadas a Web3.
🏦 Plataformas Emissoras

Chiliz e Socios
Socios é a maior plataforma para fan tokens atual, sendo construída sobre a blockchain da Chiliz, feita especificamente para esse tipo de aplicação.
Dentro do aplicativo da Socios, holders dos fan tokens podem votar em certas decisões envolvendo o time.
CHZ é a moeda nativa da rede, e serve para as transações na plataforma e negociar os tokens.
Os tokens dos times parceiros da Socios são todos mintados na blockchain da Chiliz, e todas as decisões/votações que os detentores dos tokens de cada time podem fazer pelo aplicativo da Socios passam por contratos inteligentes nessa rede.
A Chiliz está lançando a Chiliz Chain 2.0, onde possibilitam o desenvolvimento de outros tipos de aplicações além de fan tokens. A rede adota um modelo PoSA - Proof of Stake Authority - em que a Socios e os times que possuem seu token vão rodar seus próprios nodes. Nela, CHZ também vai servir para pagar o gas da rede.
No modelo da Socios, os fan tokens são oferecidos via uma FTO - Fan Token Offering - que é similar a uma ICO. Nele, os fãs têm a oportunidade de comprar os tokens por um preço fixo antes de entrarem no mercado.
A Socios é a plataforma que tem parceria com o maior número de times. Além de times de futebol, também tem tokens para times de e-sports, corrida, basquete, tênis, luta, futebol americano, rugby e hóquei.

A receita da plataforma vem, além da venda dos tokens, das taxas de transações. Essas taxas são divididas meio a meio com os times, cada time recebendo as taxas do par de negociação de seu token com CHZ.
As principais métricas da Chiliz - usuários ativos, transações e contas criadas - apresentam um comportamento muito similar: caíram com força após o bull market de 2021, mas tem se recuperado recentemente, possivelmente devido à antecipação da Copa do Mundo.


Binance
A Binance também possui alguns fan tokens próprios, na Binance Smart Chain - além de ter pares para trade com os tokens da Socios.

Outro produto interessante que a Binance oferece é um índice de fan tokens (Binance Football Fan Token Index). Funciona como um ETF, com os principais fan tokens, com um peso no índice proporcional a sua capitalização de mercado.

Esse índice foi lançado a pouco tempo, então ainda não temos muitos dados históricos. No momento, registra uma perda de 40% de sua máxima, e uma valorização de 25% em relação ao fundo que fez no crash do dia 09/11.

BitCi
A BitCi é uma blockchain e corretora Turca.
Possui uma boa quantidade de fan tokens, inclusive vários times brasileiros, e a própria seleção nacional.

🤔 O Futuro do Entretenimento Esportivo?
Até então, fan tokens possibilitam aos fãs se engajarem de novas maneiras com seu time - o que já é algo válido.
Mas os Fan Tokens podem ter a capacidade de ir ainda mais longe. Como?
A indústria esportiva produz receita através de três maneiras principais: patrocínios de marcas, direitos de transmissão dos jogos para mídia, e venda de ingressos e mercadoria para fãs.
Dessas três, as duas primeiras são a maior fonte.
A renda das mídias que transmitem os jogos é, majoritariamente, devido às propagandas.
Então, no final das contas, a receita da indústria esportiva vem principalmente de propaganda para marcas - sejam as patrocinadoras, ou aquelas que anunciam nas mídias.
Qual o “ativo” que está sendo monetizado?
A atenção dos espectadores - que também são, no final, consumidores.
Os times trabalham criando entretenimento/conteúdo, através dos jogos, enquanto os fãs pagam com sua atenção - que é monetizada através da exposição das marcas patrocinadoras, e das propagandas na mídia - que é quem fica com a maior parte do valor gerado.
O time e os fãs vendem seu produto (conteúdo e atenção), para as marcas patrocinadoras e anunciantes, que são os compradores - usando a mídia como intermediário.
Esse é (de maneira extremamente simplificada) o modelo tradicional de negócio da indústria esportiva.

A revolução que os Fan Tokens podem fazer é tirar o intermediário (mídia), levando o produto (atenção dos espectadores) diretamente ao comprador (marcas).
O token pode acumular valor através das taxas obtidas por propagandas, repassando parte para os detentores do token - os fãs do time.

A princípio, parece que apenas trocamos o intermediário - da mídia, para as plataformas de tokens.
Mas a diferença está onde o valor que é criado se acumula.
No modelo tradicional, com as plataformas de mídia como intermediárias, elas capturam a maior parte do valor, mesmo que seja os espectadores que fornecem a atenção e os times que criam o conteúdo.
Usando tokens on-chain é possível organizar o fluxo de valor de maneira mais transparente, para que os compradores da indústria (marcas patrocinadoras e anunciantes) possam pagar de forma mais direta os vendedores (espectadores e times).
As plataformas de tokens (como a Socios) ainda capturam parte do valor para si, porém mais valor pode ser direcionado para os times e espectadores do que no modelo tradicional.
Isso ainda não é uma realidade. E se quiserem seguir por esse caminho, as plataformas ainda têm alguns desafios pela frente - como na questão regulatória, visto que um token que gera receita pode ser visto como um valor mobiliário.
