👶🏼 #DeFi pt.1: Explique Como se Eu Tivesse 5 Anos
O que é #DeFi, afinal? Quais avanços trazem em relação a instrumentos financeiros legados?
Você já deve ter ouvido falar em #DeFi - Decentralised Finance. É termo da moda na indústria de criptoativos, em 2019-20. Ao contrário do que a mídia costuma fazer parecer, na superfície, se tratam de serviços e produtos simples. É hora de entender de onde vem, para onde vão, como funcionam e, acima de tudo, se apresentam ou não oportunidades para o seu perfil de usuário.
Finanças: Explique Como se eu Tivesse 5 Anos
Finanças há muito são vistas como um salto não natural para uma quarta dimensão. Mas sua complexidade se resume a uma ideia notavelmente simples: tempo é dinheiro.
O contrato financeiro mais simples é uma transferência de valor intertemporal. Um empréstimo.
Os empréstimos são tão antigos quanto a matemática e a escrita. Um devedor sai com algum dinheiro que não tinha; um credor coloca dinheiro em uma máquina do tempo, esperando que acumule juros em direção ao futuro.
Para ser justo, Finanças (com F maiúsculo) precisam um pouco mais de "adubo" para florescer. Além da "transferência intertemporal de valor", existem dois outros ingredientes principais: a negociabilidade de atestações e a capacidade de contratualizar com base em resultados futuros.
Ou seja: se você pode empacotar um empréstimo (a atestação - ou título - em si) para que possa ser vendido / comprado, e se você pode condicioná-lo, possui a matéria-prima para reconstruir a maioria dos instrumentos financeiros atuais.
Em suma, quase todo investimento remonta aos empréstimos. Mesmo os mais complexos derivativos podem ser desmontados e modelados a partir das ideias acima.
Um panorama das algumas dezenas de derivativos que engolem boa parte do valor negociado em mercados financeiros mundo agora. Dois destes são nativos do Bitcoin. Consegue identificá-los? Fonte: InvestingNote
#DeFi: WTF?
DeFi — assim como Finanças, em geral — se trata basicamente de empréstimos. Crédito.
É como a ideia do open banking, não só nas integrações e API, mas até a camada-base - onde os contratos são criados e liquidados.
O conceito é o de que qualquer pessoa no mundo possa acessar linhas de crédito, colateralizando qualquer ativo que detenha.
O dono de um terreno na Indonésia poder pegar um empréstimo contra sua propriedade para abrir um micronegócio; um estudante poder tokenizar um ou dois anos de salários futuros de modo a se capitalizar para abrir um e-commerce.
Hoje, esse conceito é uma realidade distante não só por questões de distribuição. Mas principalmente pelo fato de que quase todas as plataformas de #DeFi aceitam somente criptoativos como colaterais. O alcance desses serviços se restringe, assim, a quem já tem criptomoedas.
Enquanto evolui a infraestrutura para que pessoas consigam representar a posse de ativos informalizados na blockchain, os experimentos vanguardistas no setor se resumem, em boa parte, à pura engenharia financeira.
Por que o Bitcoin é Ortogonal à #DeFi?
A civilização há muito tem uma atitude ambígua em relação a empréstimos e juros.
A sharia islâmica proíbe empréstimos. O mesmo acontecia com as leis de usura na Igreja Católica Romana.
Por razões tão religiosas quanto, o zelo do Bitcoinismo pela auto-custódia é diametralmente oposto aos princípios que guiam #DeFi. Afinal de contas, emprestar dinheiro significa abrir mão de sua custódia.
O cânone da cultura bitcoiner é cheia de referências a essa crença ("todo mundo é um scammer", "not your key, not your coins"). O Bitcoin
Esse comportamento é uma forma de auto-defesa, e o Bitcoin deve muito de sua resiliência a ele. No entanto,
Os riscos abundam, sim: a maioria das plataformas de #DeFi populares já foi hackeada ou teve de sofrer um update às pressas para corrigir uma vulnerabilidade. Mas, com o tempo (e os incentivos certos), é bem capaz que vejamos instrumentos financeiros inéditos emergindo desse cenário - e isso pode acabar beneficiando pessoas no mundo real.
Do que é feita #DeFi?
#DeFi começa com empréstimos. O mecanismo que deu origem ao ecossistema envolve:
- Colateralizar (prender em um contrato na blockchain) certa quantia monetária;
- Tomar crédito;
- Pagar o empréstimo, a uma taxa de juros (fixa ou flutuante) em uma data futura; ou ter o colateral liquidado se ele se desvalorizar a ponto de descumprir com os requerimentos mínimos de margem.
A primeira plataforma a ganhar escala nesse esquema foi a MakerDAO. Através dela, um usuário pode tomar empréstimos em $DAI (moeda estável pareada ao dólar) contra uma quantia de $ETH que deposita no sistema.
Esse mesmo mecanismo é o coração de operações de alavancagem em bolsas. Deixa-se uma margem na conta, e se toma um empréstimo que pode aumentar sinteticamente a exposição a um determinado ativo.
Não obstante, durante seus primeiros anos, #DeFi foi majoritariamente usada por especuladores em busca de capital para oxigenar suas operações. O custo de capital é alto (não os juros, mas os requerimentos de colateralização), no entanto, não é necessário passar por burocracia ou identificação alguma - o que certamente encontra um nicho na indústria de criptoativos.