Paradigma

🔐 Cyber-Privacidade: 7 Passos (10min.) Pra Dormir Mais Tranquilo

Medidas simples, que te custarão 10 minutos, e podem poupar muitas dores de cabeça. Se você adotar pra ontem.

Expomo-nos diariamente a múltiplos vetores de ataque cibernéticos. Ninguém precisa mais ser lecionado sobre isso.

Se, só neste mês de novembro/2020, a máquina eleitoral americana, o Ministério da Saúde brasileiro e as bolsas do Japão e da Austrália tiveram a integridade de seus sistemas severamente questionadas… seria leviano acreditar que indivíduos comuns são de alguma forma invulneráveis aos mesmos tipos de táticas.

As medidas a seguir requerem um esforço mínimo, e aumentam gradativamente a sua segurança na internet. Estão listadas em ordem de "importância" (trabalho para implementar vs. tamanho da proteção obtida).

🤷 1. Suas senhas são banais. Reconheça.

Você já inseriu seus e-mails, logins e senhas em centenas (se não milhares) de endereços diferentes.

É impossível prevenir o vazamento de dados de tantas fontes distintas. Qualquer base que possa ser atacada, havendo os incentivos, será atacada mais cedo ou mais tarde. 

A Adobe, o eBay, o Yahoo e o LinkedIn já sofreram roubos de informações da ordem de dezenas ou centenas de milhões de usuários. Se você tem credenciais em algum destes 4, elas estão sendo vendidas nos cantos mais obscuros da web. O mesmo já se passou com outros vários titãs da internet.

Duvida? Cheque neste link (haveibeenpwned.com) quais informações suas já se tornaram públicas e exploráveis.

🛡 ️Defesa:

(1) Jamais repetir senhas em sites diferentes. Quem o faz corre o risco de, se uma vazar, ter várias contas comprometidas. 

(2) Usar aliases de e-mail (ex: [email protected]). Se uma conta for comprometida, você ficará sabendo rapidamente — basta checar o destinatário endereçado pela nova onda de spams na sua caixa de entrada.

(3) Usar um password manager e gerar senhas randomicamente sempre.

Alguns dos password managers mais populares, em 2020.

📲 2. Ative o 2FA.

A maioria dos ataques cibernéticos se origina de uma falha humana, em vez de técnica. O exemplo clássico é chamado de phishing (ou "engenharia social"). Consiste em seduzir a vítima clicar em um link comprometido e inserir seus dados sensíveis, pensando-se tratar de um "ambiente seguro".

A cada dia que passa, tentativas de phishing se tornam mais corriqueiras, além de indistinguíveis da comunicação oficial que recebemos das marcas.

Existe um jeito simples de barrá-las. “Autenticação em 2 fatores” (2FA) é o nome de qualquer método que exija, além de um login e senha tradicionais, a confirmação através de um segundo dispositivo pessoal.

Mais da metade das pessoas nem sabe o que é 2FA.

🛡 ️Defesa:

(1) Instalar um aplicativo de 2FA — pode ser o GoogleAuthenticator — , de preferência, num dispositivo dedicado 100% isso (como um celular velho ou até um YubiKey).

(2) Ativar a verificação 2FA em todas as suas contas pessoais (e-mails, Google Drive, plataformas de serviços financeiros, etc.).

🏦 3. Tem criptomoedas? Guarde consigo.

Há dezenas de milhões de usuários cadastrados em corretoras de criptomoedas ao redor do mundo. Muitos usam a "carteira quente" (hot wallet) da corretora como "poupança de longo prazo". Destes, uma minoria reconhece estar exposta a riscos de perda relacionados à custódia terceirizada.

Mas a história recente mostra que essa possibilidade é real. E faz vítimas ano depois de ano. Em 2020, já foram algumas centenas de milhões hackeados de corretoras centralizadas.

🛡 ️Defesa:

(1) Escolha uma carteira adequada para seu perfil (de preferência, offline — uma "carteira fria"). Explore o manual de carteiras da Paradigma clicando aqui.

(2) Guarde suas moedas consigo. Limite o uso de corretoras a negociações. Elas são feitas para comprar e vender. Não para armazenar.

"Manual de Uso" do bitcoiner. Acesse aqui e veja qual carteira offline te atende melhor.

🗺️ 4. O Google sabe onde você está.

O Google monitora e registra sua localização por GPS, em tempo real, 24 horas por dia, 7 dias por semana — se você tiver qualquer app deles instalado.

Mesmo quando seu celular está com a tela bloqueada, no bolso.

Não é 100% claro se existe maneira de prevenir que isso aconteça. Ainda no caso de aparelhos Android.

🛡 ️Defesa:

(1) Pegue seu celular. Clique em "Settings", e depois em "Privacy". Procure por "Location Services" e desative a função. Isso em tese impede que aplicativos específicos usem seus dados geográficos. Quando for usar um Waze da vida, ative a função, e, assim que puder, desligue-a de novo. Você vai se acostumar rápido.

(2) Se quiser dificultar a vida do Google, você vai ter que fuçar nas configurações da sua conta até achar a seção "Web & App Activity". Isto é: mesmo aplicando o método acima, o Google Maps, Chrome & cia. continuam tecnicamente capazes de espioná-lo.

Location Services ativado, num iPhone.

🛫 5. Não carregue o celular no aeroporto.

Portas USB públicas (em aeroportos, estações rodoviárias, shoppings) são convenientes, mas inseguras. Sabe quando você carrega o celular no computador, e aparece uma mensagem "pedindo autorização pra ler os dados do aparelho móvel"?

Pois então. Entradas USB carregam tanto energia quanto dados. Na maioria dos cabos, dá inclusive pra distinguir as funções: os feixes de metal mais compridos, que ficam "do lado de fora", transmitem carga. Os feixes mais curtos, centrais, transmitem dados.

Portas USB públicas, em princípio, não devem interagir com a memória do seu aparelho (e tanto iPhones quanto Androids tem suas barreiras de segurança) — mas nada impede que elas tentem; ou que alguém tenha plantado ali um programa malicioso para fazê-lo. Esse tipo de ataque se chama "juice jacking".

🛡 ️Defesa:

(1) Ter sempre seu carregador, e conectar direto na tomada elétrica (nunca no USB).

(2) Caso precisar usar uma entrada USB pública, improvisar uma fita crepe para cobrir os contatos do cabo que carregam dados.

Fonte: Instructables

A essa altura talvez não precise dizer, mas não custa lembrar: se estiver usando um wi-fi público, abstenha-se de fazer login em qualquer lugar ou enviar qualquer tipo de informação sensível. Assuma que a conexão é vulnerável.

📸 6. Suas câmeras pertencem a eles.

Já se tornou lugar comum brincar com algum amigo sobre o "celular estar nos ouvindo", e, em seguida, receber anúncios no Instagram sobre um assunto que estava na conversa.

Há 5 anos atrás, chamavam de "conspiracionista" quem sugeria essa prática. Hoje, conspiracionista é quem nega que ela acontece.

Pois se os microfones dos nossos aparelhos pertencem "aos hômi", é preciso presumir que o mesmo vale para as câmeras.

Fique tranquilo: é improvável que alguém esteja te vigiando ao vivo, lá no HQ do Google. Mas fique alerta: é improvável que haja algum impeditivo para tal.

🛡 ️Defesa:

(1) Usar tapadores físicos de câmera frontal (laptop e celular).

(2) Pegar o celular. Entrar em "Settings". rolar para baixo até encontrar a lista de apps instalados. Abrir um por um, e remover as permissões (ativadas por padrão) de acesso à câmera e microfone. Fazer o mesmo no navegador que se usa, no laptop. 

Faça que nem "o hômi". Hoje em dia, não dá pra confiar nem na própria sombra.

🗝️ 7. Encripte.

A criptografia é o pilar central do que nos restou de privacidade online.

Por mais que haja esforços globais no sentido de proibir o seu uso por parte de empresas de tecnologia, é impossível coibir, em escala, indivíduos comuns de usufruírem de propriedades da matemática (expressas em softwares públicos que qualquer um pode baixar e executar).

Há duas instâncias, em particular, nas quais a criptografia pode ser uma aliada poderosa do indivíduo soberano 👇

🛡 ️Defesa:

(1) Encripte o seu HD (MacBooks o fazem por padrão, mas você também pode ativar uma senha no firmware para se prevenir de um ataque específico que acessa a memória através do "Recovery Mode"). A encriptação protege com uma senha todos os seus arquivos e programas, dificultando a vida de um invasor físico.

(2) Considerar assinar uma VPN — serviço que encripta os pacotes que você envia enquanto navega pela internet. Assim, os seus rastros digitais se tornam um pouco mais difíceis de associar à sua identidade, o que te protege não só de atacantes como também de anunciantes abusivos.

Este artigo veio da assinatura Paradigma Pro

Relatórios de pesquisa, carteiras recomendadas, indicadores on-chain, mais de 10 mini-cursos e live semanal com os analistas. R$ 1.438,80 por ano, equivalente a R$ 119,90 por mês.

Ver o plano