💥 Curve: Um Risco Sistêmico Para DeFi?
Como um hack e um empréstimo milionário colocou um dos maiores protocolos DeFi do mercado - e todos aqueles ao seu redor - em risco.
💥 Curve: Um Risco Sistêmico Para DeFi?
A Curve já chegou a guardar U$24B, mas hoje corresponde a “apenas” U$2.3B do mercado DeFi.
Curve é um dos maiores protocolos DeFi do mercado.
Sua eficiência em trades de criptodólares e ativos menos volateis atraiu bilhões de dólares ao longo dos anos. Dezenas de projetos usam sua estrutura para manter seus tokens líquidos, graças a sua segurança e aos incentivos direcionados pela Curve as pools.
Mas no final de semana, o projeto sofreu um ataque.
Uma vulnerabilidade na linguagem de programação usada em contratos da Alchemix, JPEG’d, Metropolis e da própria Curve, permitiu o roubo de U$70M. Parte da grana foi recuperada por alguns benfeitores, mas o exploit afetou negativamente o preço do CRV, token da Curve. O token chegou a valer 0 on-chain.
Um dos maiores afetados com isso foi o fundador do protocolo - mas não só por sua preocupação com a segurança do projeto.
Michael Egorov fundou a Curve em 2020 e, desde o Verão DeFi, vem contraindo empréstimos usando seus CRVs - desbloqueados ao longo dos anos - como garantia. Gradualmente essa bag aumentou - e assim também foram com os empréstimos.
Até o fim da semana passada, tinha mais de U$100M emprestados, garantido por ~U$220M em tokens da Curve.
Pra que ele usou esta grana? Bem, para comprar 2 mansões na Austrália, avaliadas em U$100M.
Quando o preço do CRV despencou, as posições de Egorov nos protocolos já não estavam tão saudáveis. Caso fosse liquidado, ocorreria um efeito em cascata, liquidando-o em todos os protocolos onde contraiu empréstimo.
Isso afetaria não somente o fundador da Curve, mas todo o mercado DeFi. Protocolos ficariam insolventes, criptodólares poderiam perder a paridade e todo um ecossistema ao redor da Curve iria por água abaixo.
Pra piorar, há pouca liquidez para o token. Se U$200M em CRV fossem liquidados, não haveria mercado algum capaz de suportar essa enxurrada de tokens e os protocolos acabariam com bags que não valem nada.
Correndo contra o tempo, Egorov começou a procurar liquidez para pagar seus débitos.
Detendo milhões de CRV na sua carteira e desbloqueios diários de U$79K em tokens, começou a vendê-los para players interessados em salvar as suas bags e ganhar influência no protocolo. Justin Sun, Machi, Yearn Finance e até Sifu foram alguns dos envolvidos nas compras: pagaram U$0.4 por cada CRV.
Com grana em mãos, Egorov conseguiu diminuir o risco de liquidação, mas ainda precisa dar conta de pagar os juros do seu débito de U$77.5M com protocolos. Atualmente, o custo pra mantê-los durante mais 1 ano é de U$9.6M.
A Frax é quem cobra os juros mais alto, obrigando-o a priorizar os pagamentos a ela. Observando isso, seus competidores começaram a correr para aumentar o custo dos empréstimos e impedi-lo de emprestar mais dinheiro, para obrigar Egorov a saldar seus débitos. O último apaga a luz.
Contudo, alguns têm medo dessa escolha. Exigir o pagamento desta maneira, pode implicar em um atrito entre a governança dos protocolos e membros da Curve.
Como todos têm criptodólares, dependem diretamente dos incentivos direcionados as suas pools. Caso haja um conflito entre as DAOs, isso pode significar stablecoins menos líquidas e mais riscos aos projetos.
Observando o caos na Curve, traders mantêm mais de U$100M em shorts abertos em corretoras, apostando na queda do CRV. Muita gente ganhou grana com a queda, mas quem mais faturou mesmo foram as corretoras.
A situação de Egorov ainda não está resolvida e esta novela pode perdurar por semanas. O que nos resta é acompanhar suas posições e torcer para os protocolos serem mais responsivos na oferta de empréstimos para quem os utiliza.
🦲 Uma Careca de U$20M
Num único dia, foram transferidos U$57.8M para a blockchain da Coinbase, ~68% do seu TVL.
O fim de semana foi tomado por memecoins de cunho duvidoso, numa blockchain que nem foi publicamente lançada para os usuários.
U$85M foram bridgeados para a Base, L2 da Coinbase, nos últimos dias. Um token chamado $BALD emergiu no sábado a tarde, usando a careca de Brian Armstrong como chamariz para os degenerados.
Seu criador gastou U$12.5M em 24 horas para adicionar liquidez para os traders negociarem o token, atraindo outras pessoas a lançarem memecoins na rede e iniciando uma temporada de shitcoins na Base.
Por ser a primeira e mais líquida, a $BALD subiu ~4M% (sim, milhões) num único dia . Todas as memecoins subsequentes a elas também valorizaram dezenas de vezes, transformando alguns traders em milionários.
Só tinha um problema: não dava para tirar o dinheiro facilmente da Base. Por não ter sido lançada a público, a L2 não possui uma bridge para transferir criptos para outras redes. O único meio de enviar dinheiro pra fora da Base é através de uma implementação mais técnica, que poucas pessoas saberiam executar.
E ai a história começou a ficar estranha 👇
O criador da $BALD tirou (sem avisar ninguém) U$20M de liquidez do contrato da memecoin, causando uma desvalorização 98% em questão de horas e provando que o token não passava de um golpe.
Durante os 2 primeiros dias, o desenvolvedor da moeda colocou liquidez para atrair traders e pumpou o preço artificialmente, para fomentar o interesse na $BALD.
O gráfico a esquerda mostra como adicionar liquidez a pool fez o $BALD valorizar; a direita, exibe as ordens de compra colocadas pelo criador do token, para pumpá-lo antes de sumir com o dinheiro. via thiccythot
Segundo analistas on-chain, ele gastou U$15.6M no golpe, mas conseguiu recuperar a grana e ainda ganhar U$5.9M.
Após o rug, encontraram ligações entre o endereço do criador da $BALD e carteiras da FTX/Alameda Research, apontando Sam Bankman-Fried, Sam Trabucco ou correlatos como autores do golpe na Base.
Indepente do desenvolvimento da $BALD ser de autoria do SBF ou não, uma coisa é certa: degenerar em memecoins pode ser lucrativo - e até divertido -, mas o risco de você ser apenas uma massa de manobra é grande.
🙏 Um Culto de Milhões
Cada caveira deste círculo é um membro do “Conselho”, composto por curadores da próxima coleção de Sam Spratt.
Sam Spratt é um artista tradicional, que veio para cripto em 2021, atraindo a atenção com seu projeto LUCI, uma coleção composta por pinturas que retratam a “redescoberta dos valores do ser humano”. Gerou mais de U$2M em receita, entre vendas no primário e royalties.
Sob esta narrativa, o projeto é dividido em capítulos e está prestes a lançar o quinto no fim de agosto.
Pra isso, formou um conselho de pessoas responsáveis por indicar quem serão os artistas que confeccionarão os NFTs deste novo capítulo da coleção.
Este grupo é composto por figuras conhecidas no mercado da arte NFT, como Snowfro, Cozomo de Medici, VVD, Dave Krugman, Fewocious, Defaced, entre outros.
Para fazer parte deste conselho, é preciso holdar um token da Skull of Luci, coleção criada por Sam Spratt para presentear quem deu lances nos seus primeiros projetos. São somente 49 NFTs que foram airdropados em 2021 e 2022. Atualmente, não dá pra comprar um deles com menos de U$361K.
E o que você pode fazer para participar desse projeto?
O 5º capítulo da LUCI será composto por 256 NFTs e começará em 21 de agosto de 2021. Você pode especular nas obras criadas pelos artistas - ou nos desdobramentos da LUCI (derivativos da coleção original).
Fique atento/a no twitter de Sam Spratt, que é o principal canal para novidades do projeto.
🚨 Richard Heart É Processado Pela SEC
Acima, Richard Heart num filme sobre sua vida e o projeto HEX, que o fez multimilionário. Confira o trailer completo aqui.
Richard Heart é criador da HEX, um token da blockchain Pulse Chain. Talvez você nunca tenha ouvido falar dele, mas ele captou U$1B nos últimos anos, com a promessa de “criar uma Ethereum mais escalável”.
Em maio a rede foi ao ar, mas com problemas escalabildade, hacks e até preços sem nenhuma relação com os praticados no mercado - WBTC era vendido a U$70K na PulseX, fork da Uniswap “criado” por Heart.
O fundador do projeto é conhecido por torrar grana com carros de luxo, jóias, jatinhos e tudo o que o dinheiro pode comprar. O cara é tão caricato, que vão fazer um filme sobre ele (talvez bancado por ele mesmo).
Com um monopólio sobre o supply dos tokens HEX e usando o capital arrecadado com seu projeto para pumpar o preço e investir em produtos para si, Richard Heart chamou a atenção dos reguladores - e está sendo processado pela SEC.
A CVM americana alega que ele conduziu uma oferta de valores mobiliários sem autorização dos EUA, usou U$12M de investidores para comprar produtos de luxo e falsificou volume de transações na Pulse Chain, visando ludibriar quem aportou no projeto.
Horas após o processo se tornar público, a Uniswap delistou a HEX dos pares negociados na corretora, atraindo críticas da comunidade cripto, mas principalmente dos membros da HEX
Os seguidores - ou bots - de Richard Heart levantaram a hashtag #RichardHeartWasRight, demonstrando seu apoio ao lider da HEX. Pode soar estranho, mas os participarantes do projeto tratam quase como um culto este círculo da Pulse Chain, com seu fundador sendo uma mistura de todos gênios de cripto numa única pessoa.
Vamos aguardar os próximos capítulos desta história e ficar atentos ao filme da “história” de Heart.
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