📌 Boletim: Um Resumo Da Semana Mais Importante do Ano ⏳
Contagem regressiva para o ETF: procedimentos, possibilidades e o que o mercado nos diz estar esperando.
Entramos na semana mais importante do ano para o BTC.
O ativo acabou de fechar a vela semanal mais alta da história. Belisca o all-time-high, teimoso. Depois de cair +50% da máxima, e levar qualquer investidor racional a cogitar que a fase altista pudesse ter sido interrompida.
A “timeline” macro coloca a criptomoeda em evidência. Nem o mais ferrenho coiner poderia sonhar que Nakamoto estaria tão perto do centro dos holofotes.
O debate fiscal nos EUA se acirra, e ruma para um desfecho absurdo. A China provoca o ocidente com mísseis hipersônicos, acua Taiwan, e se prepara para lançar sua CBDC nos Jogos de Inverno de 2022. Putin coloca lenha na fogueira sinalizando apoio às criptomoedas. Meia dúzia de ditadores correm por fora, acumulando cyber-moedas para seus tesouros nacionais (e famílias, por supuesto).
E agora, depois de anos de ladainha, parece que, finalmente, um ETF de bitcoin está para ser aprovado para negociação, pela SEC.
É a hora da verdade.
Propostas de ETFs de bitcoin se aproximando da data-limite para que a SEC se pronuncie. Fonte: Bloomberg
ETF significa Exchange Traded Fund. Um veículo de investimento, geralmente passivo, que é cotizado e negociado em bolsa. O Brasil e o Canadá já tem um punhado de ETFs de cripto. Os EUA nunca aprovaram nenhum (foram dezenas de recusas).
Um ETF é importante porque legitimiza uma classe de ativo. Expõe ela a uma base pré-estabelecida, e gigante, de investidores. O mercado de fundos de ouro cresceu mais de 100 vezes nos 10 anos seguintes à introdução do primeiro ETF nos EUA. O preço do ativo à vista quintuplicou.
A razão da SEC para barrar propostas de ETF anteriores era a nebulosidade das exchanges onde ocorria boa parte da formação de preços. O crescimento dos derivativos de BTC na CME (mercado que é regulado) abriu a brecha para que pedidos de ETFs baseados em futuros de BTC (e não no ativo à vista) fossem reconsiderados.
São estes que estão em pauta agora.
O custo de um ETF de futuros é maior que o de um baseado no ativo à vista. Mas, pra quem não está nem aí para o ETF, e só liga para a moedinha laranja, pouco importa.
Até hoje, o produto de bitcoin mais “seguro” aos quais investidores institucionais podiam se expôr via corretoras americanas era o gBTC, da Grayscale - uma gambiarra cripto-contábil que funciona quase como um ETF… mas ainda não cabe no mandato de boa parte dos donos do “dinheiro grande”.
O gBTC tem 55 bilhões de dólares. A cota sempre negociou a um prêmio polpudo em relação aos BTC em custódia. Desde março de 2021, o prêmio virou desconto. E nunca mais voltou ao verde.
Será que a demanda pelo gBTC secou porque Wall Street sabe que vem um produto melhor por aí?
➜ Leia nosso relatório sobre o prêmio e as arbitragens da Grayscale
No fim da tarde da última sexta-feira, a SEC soltou um tweet estranho. Recomendava “cuidados para quem fosse se expôr a produtos baseados em futuros de BTC” 🤔
Horas depois, a Bloomberg adicionou os dados do ETF da ProShares (data limite: hoje) ao seu terminal. Em seguida, começou a circular um documento da Nasdaq, protocolando a listagem (na sua base interna) do ETF da Valkyrie (data limite: 25/out).
A SEC não se pronunciou oficialmente, além do tweet suspeito. Em tese, caso não fale nada até o fim do dia de hoje, a ProShares tem luz verde pra prosseguir. E, pelos procedimentos-padrão, seu ETF começaria a ser negociado em 12-72 horas.
A volatilidade implícita (IV) das opções de BTC (na Deribit) vinha subindo ao longo da semana passada. Você pode interpretá-la como o custo de uma opção (atrelado à expectativa de volatilidade dos compradores para um determinado período).
A IV explodiu na sexta-feira, e subsidiou após o fechamento do after market nos EUA. O salto foi excepcionalmente grande nas opções com vencimento entre a data limite do ETF da ProShares (18/out - hoje) e o da Valkyrie (25/out). Podemos inferir que o mercado está apostando mais alto no primeiro.
Volatilidade implícita para opções (at-the-money) vencendo em 7, 30, 90 e 365 dias. Fonte: Laevitas
O mesmo racional é evidenciado pela curva a termo, que compara a volatilidade implícita (o custo) de opções ao longo de diferentes vencimentos.
Note como as opções mais curtas estão mais caras que as que vencem na semana seguinte (um contrassenso, pois nelas há menos tempo pra volatilidade se manifestar).
Os sinais de entusiasmo abundam - sabemos que meio mundo está roendo as unhas por um novo all-time-high. O sentimento no cripto-twitter é de absoluta certeza. Prescrevemos cautela e sobriedade.
O mercado não costuma seguir a linha mais curta entre dois pontos - mas sim a que liquida a maior quantidade de gente. Uma frustração hoje, pavimentando caminho para uma redenção inesperada adiante, soa como um combo plausível, e que chacoalharia bastante dinheiro dos bolsos dos incautos.
Também há de se considerar a hipótese de que o executivo americano aproveite o momento para barganhar alguma medida controversa. Nos parece improvável que a administração democrata “entregue este presente” para a indústria sem pedir nenhum arrego em troca.
Não se surpreenda se surgir uma bomba contra exchanges, stablecoins ou coisa do tipo, logo depois.