Paradigma

📌 Boletim Semanal: Vendedores de Vol. Fazem a Festa 🎉

Volatilidade em mínimas históricas; as próximas bolas da vez em #DeFi; e uma nova narrativa que pode capturar a atenção do varejo.

🌡️ Status: a Festa dos Vendedores de Volatilidade

A volatilidade atual, em qualquer período que se meça, está entre as menores da história no Bitcoin. Tão baixa que o trade ficou óbvio. Compradores de opções estão se amontoando para garantir um espacinho no livro de ofertas.

A moeda laranja está de lado faz tempo. Todo mundo está de olho em qualquer faísca.

Do outro lado da mesa, vendedores de vol. estão com os balanços já superlotados de risco. A lembrança do dia em que o BTC caiu mais de 50% em 8 horas, em março, ainda dá pesadelo em muito market maker. Quanto mais a volatilidade comprime, mais eles fazem dinheiro - mas mais sentem a batata esquentar.

Sua cautela contrasta com o apetite do varejo, desacostumado a uma temporada tão monótona no bitcoin.

Volatilidade implícita (azul) mais alta do que a realizada (vermelho). Dados mensais, para obter o número anualizado é só multiplicar por 12. Fonte: Sk3w

A vol. implícita das opções de BTC está muito mais “cara” que a vol. realizada - mais ou menos ~50% vs. ~30%, em calls ATM curtas.

O spread é um sintoma desse descompasso entre fazedores e tomadores de liquidez: tem tanta gente anseando por uma patada nos preços (para qualquer dos lados), que expressar essa visão no mercado de opções está mais caro do que "deveria”.

O volume no $MOVE - contrato da FTX que funciona exatamente como um straddle sintético - vem flertando com máximas históricas.

A aura de expectativa assegura um fluxo constante de prêmios pagos a vendedores de vol. - vale reparar que muitos deles são também players predominantes nos mercados futuros. E que, não raro, são braços internos de algumas das maiores exchanges.

Estão ordenhando o pequeno investidor. É a casa (“o cassino") operando exatamente como uma seguradora para o varejo: ela sabe que vai perder feio em algum momento; mas também sabe que, até lá, já embolsou em apólices mais do que suficiente pra cobrir a despesa.

Superfície de volatilidade íngreme para calls de bitcoin na Deribit. Fonte: 0xHedge

Alheio a essa orgia de derivativos, o BTC segue preguiçoso, andando poucos dólares por dia pra lá e pra cá. É menos sexy na prática do que no discurso, mas faz parte da tal “financeirização do ativo”: a maturidade de um ecossistema de opções facilita a realocação de risco, e acaba absorvendo parte da volatilidade dos mercados à vista.

A Alavancagem Implícita em perpétuos da BitMex anda baixa. Talvez as massas ainda não estejam vorazes o suficiente para engatilhar uma mordida por conta dos maket makers. Acompanhe o indicador no nosso painel.

👀 #DeFi Ganha Reforços de Peso

Muitas das contrapartes mencionadas acima estão tranquilas com o tédio no principal ativo do mercado, desde que descobriram o quão lucrativo pode ser aplicar sua liquidez em um setor específico: #DeFi.

Em abril, a Jump Trading e a Cumberland (algumas das maiores firmas de trading com capital proprietário do planeta) anunciaram a Chicago DeFi Alliance - iniciativa que conecta startups construindo produtos financeiros na Ethereum a market makers de estirpe mundial. Em junho, uma leva de fundos cripto-nativos se juntou à parceria.

O network da Chicago Alliance agrega boa parte do volume nos mercados de capitais norteamericanos.

Dois pontos são dignos de nota:

Primeiro, é impressionante que um time de jovens na Índia ou na China possa desenvolver um derivativo inédito e vê-lo sendo negociado pelos maiores fazedores de preço do mundo em um estalar de dedos.

Segundo, a tática que desponta para se partilhar do upside nessa mania em torno de #DeFi sem compartilhar muito do risco de downside é fornecer capital denominado em BTC para pools que são usadas para alocar tokens recém-lançados.

Em outras palavras: comprar $COMP e tentar a sorte no mercado é uma estratégia incerta; muito menos arriscado teria sido aportar alguns milhões de dólares nas pools da Compound, e receber uma bolada, a custo-base zero, assim que os tokens forem alocados e se tornarem líquidos. O risco de mercado é neutralizado, restando-se somente o risco técnico a se fatorar (aí está o propósito da Chicago Alliance).

Para essa próxima semana, os holofotes estão sobre a $LEND (protocolo Aave). Queridinha do setor, é a menina dos olhos dos pregadores da alt season. Depois de ficar anos no limbo, rompeu uma máxima histórica de 2018. Já é top #35 em capitalização de mercado, e julgamos ter força para chegar a no mínimo top #25.

$BAND é uma moeda de menor porte que entrou no nosso radar de fundamentos recentemente e merece atenção. Moeda de governança de um oráculo cross-chain, é o que o mercado tem de mais polido a oferecer para matar a sede da horde de novos ricos formados com a explosão da Chainlink ($LINK).

A $BAND tem uma narrativa que parece ter sido desenhada para soar como “Link 2.0". Os boards do 4chan - fórum mais insosso e influente da “dark web” - já tomaram nota. Alguns dos investidores mais influentes da Ásia também.

Entre tokens que podem vir a ganhar liquidez a qualquer momento, nossa aposta fica com $CRV, outra adição recente ao radar de fundamentos. Ainda não dá pra comprar $CRV em uma corretora, mas você pode injetar capital nas pools da Curve para garantir uma fatia da oferta para si assim que as moedas forem distribuídas - que nem fazem os market makers de que comentamos acima!

🧱 Ownership Economy: Reinventando a Posse

A “Zona Variante” no espectro da propriedade. Fonte: Variant Fund

O hack sofrido pelo Twitter nessa semana escancarou a vulnerabilidade encarnada no “modo admin” a que muitos funcionários da rede social têm acesso.

O evento suscitou discussões relevantes sobre o modo como a propriedade privada e o controle alodial se aplicam ao conteúdo que produzimos em plataformas online.

Já passou da hora. Quando ex-presidentes americanos começam a twittar sobre scams com criptomoedas, provavelmente deveríamos estar desligando a por** inteira da tomada.

O termo Ownership Economy foi cunhado por Jesse Walden para descrever uma onda de protocolos abertos capazes de recolocar criadores, jornalistas e curadores (e não seus empregadores) no centro da economia da atenção.

Uma ideia não tão distante: já pensou se sua handle no Twitter fosse atrelada a uma par de chaves criptográficas, a autoria das mensagens fosse verificável, handles tivessem liquidez no mercado, e posts fosse interoperáveis entre plataformas?

Urbit e Handshake ($HNS) são duas criptomoedas que se beneficiam da tendência. Comentaremos mais no próximo boletim.

🦸 Histórias do Front

El Zonte é uma cidade praiana com ondas perfeitas e 3.000 habitantes em El Salvador. Pode ser o destino das suas próximas férias. No ano passado, um surfista apaixonado pela região descobriu um pendrive velho com uma quantia polpuda em bitcoin. Decidiu doar algumas centenas de milhares de dólares à vila, em parcelas ao longo de anos.

Fila para receber o auxílio emergencial em El Zonte. Fonte: Forbes

Contratou um administrador para alocar o dinheiro produtivamente, em terra firme, com uma única condição: não poderia converter os bitcoin para dólares. Teria de ensinar a população a usá-los.

O que se seguiu foi a reconstrução da economia local, por meio de programas educacionais regulares, patrocínio de empresas de cripto e até auxílio emergencial em BTC durante a pandemia.

Vale a pena ler sobre o caso. É mais um para a lista de lugares no terceiro mundo onde o Bitcoin tem impacto positivo explícito - escrevemos a respeito aqui.

Feira de frutas itinerante em El Zonte: 0.5 BTC de faturamento em um mês e meio (durante a pandemia). Fonte: Forbes

Outra adição recente a essa lista de casos de uso vem da África do Sul, onde um comerciante P2P conhecido reporta que ~80% dos seus clientes não holdam criptomoedas, mas sim as usam majoritariamente para importar bens estrangeiros - desde eletroeletrônicos até carros japoneses.

📚 Dicas de Leitura Para o Fim de Semana

➡ 🌾 3 Reasons I'm Investing in Bitcoin (Lyn Alden)

Lyn Alden é a economista independente queridinha do momento. Nesta tese, argumenta porque está investida em bitcoin para um horizonte (em princípio) de 2 anos, fundamentada em seu efeito de rede, momento no ciclo e contexto macro.

➡ 🗿 Progress As a Myth - The Thielian Moment (Matti)

Uma crítica ácida que opõe visões pessimistas e otimistas diante do progresso acelerado das tecnologias de coordenação social.

➡ 🕸️ State of The Art on Neural Rendering (Eurographics | Star)

Pesquisadores do Google, Facebook, Stanford, Adobe e outras instituições de ponta reúnem num paper bastante legível o que de mais impressionante vem acontecendo quando o assunto são máquinas programadas para aprender a criar imagens.


Este artigo veio da assinatura Paradigma Pro

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