📌 Boletim Semanal: Onde os Gigantes Investem 👔
Status semanal da blockchain + uma bolsa que pode se tornar a maior de todas nos próximos anos.
A ressaca do halving trouxe pouca dor de cabeça até agora. Os preços do BTC continuam a beliscar os U$10.000. A indústria da mineração dá poucos sinais de fadiga. Os volumes seguem aumentando junto com o interesse público, conforme aumenta constantemente o tráfego web em sites de corretoras no Brasil e no mundo.
🌡️ Status
Dados de hoje, às 11:15AM de Brasília.
Modelos de Valor: o termômetro de modelos do BTC tem flertado com valores “Justo”s nos últimos dias - em contraste à predominância de “Barato”s antes do halving. O aumento dos preços projetados pelo modelo do stock-to-flow (derivado do menor fluxo após o halving) sendo contrabalanceado pela diminuição daqueles previstos pelo modelo da Equivalência à Energia (com a queda na hashrate).
OPL (On-Chain Profits & Losses): o OPL seguiu mantendo a linha de 0.00 como suporte, depois da queda da semana passada - o mercado defende seus lucros on-chain, num sinal bullish de otimismo.
Hashrate: chegou a cair 41% da máxima, hoje já está a -25% dela. Na 1ª semana da 4ª era do Bitcoin, as recompensas para mineradores oscilaram em torno dos 8 milhões de dólares por dia. O 1º ajuste de dificuldade dessa era (hoje à noite) deve ser de ~-6% - o que é pouco para aliviar mineiros, dada a volatilidade na hashrate - e continua empurrando aqueles com margens estreitas para fora do mercado.
MVRV: participantes do mercado, hoje, sentam sobre lucros médios não realizados na casa de 70% (MVRV = 1.703). Ainda distamos da linha dos 2.5, que, quando superada definitivamente, sugere a entrada na fase de alta mais agressiva do ciclo.
MVRV no Bitcoin: para visualizar a escala de cores completa, clique aqui, escolha o indicador MVRV e selecione Período > All.
👔 Derivativos: Onde os Gigantes Investem
Derivativos de Bitcoin vem crescendo explosivamente desde o ano passado. O setor é no mínimo uma ordem de magnitude maior do que mercados à vista (spot) em instrumentos financeiros tradicionais. Derivativos superaram o volume “spot” do bitcoin em 2017, e a distância vem aumentando desde então.
O volume diário dos futuros na CME - Chicago Mercantile Exchange - tem batido ~2x a média do mês passado, enquanto o interesse nas opções (lançadas em janeiro, dois anos depois dos futuros) mais que decuplicou em relação ao período prévio.
A CME ainda representa fração pequena (~um décimo) do volume acumulado em bolsas de derivativos de Bitcoin.
Fonte: CME / QuikStrike
Sua importância deriva do fato de que ela oferece a única via regulada e integrada ao sistema legado de se expôr ao Bitcoin nos EUA através de derivativos.
Os olhos do mercado se voltaram para a CME conforme Paul Tudor Jones (Tudor BVI Fund) e o Medallion Fund, de Jim Simmons - dois fundos decabilionários - anunciaram planos de montar posições na classe de ativo.
Os futuros na CME já rondam 500 milhões de dólares em open interest (valor somado das posições em aberto), enquanto as opções se aproximam de U$ 150M. A título de comparação, 2% do fundo do Paul Tudor Jones (uma estimativa de alocação dada por ele) representam ~U$ 450M.
Nos futuros, o open interest reporta mais posições alavancadas short (vendidas) do que long (compradas) - condição que perdura desde o começo do ano, tendo a diferença alargado nos dias anteriores ao choque de 12 de março (quando o BTC caiu ~50% em um dia), e encolhido progressivamente desde então. Um recorte dos 4 maiores traders ilustra a “propensão shortista/vendedora” da bolsa:
Seguir o humor dos maiores negociadores da CME pode se revelar uma estratégia simples e frutífera para operar derivativos de Bitcoin em 2020. Acima, o delta shorts/longs entre os maiores traders da bolsa. Fonte: CME / QuikStrike
Nas opções, o cenário perspira mais otimismo. As maiores variações (mensais) são vistas em calls - opções de compra -, +U$ 40 milhões de dólares em calls fora do dinheiro tendo sido compradas para o fim de maio; e ~U$ 5 milhões de posições equivalentes para junho. Estão circuladas na imagem abaixo:
Fonte: CME, QuikStrike
Levando-se em conta as relações nos preços de opções negociados (skew), não só na CME, mas no mercado todo, podemos inferir que traders estão atribuindo uma probabilidade de 9% à hipótese de que o BTC supere sua máxima histórica (arredondada aqui para U$20.000) até o fim de dezembro deste ano.
Fonte: Sk3w
📚 O Que Nosso Time Leu No Fim de Semana
- Reflexer Labs Whitepaper (Stefan Ionescu, Ameen Soleimani): $RAI são “títulos reflexivos” - oscilam nas mesmas direções que seus ativos subjacentes, mas com menos volatilidade - o que lhes torna uma opção de colateral mais “desejada” (que $ETH, por exemplo) para uso em aplicações financeiras na Ethereum. Projeto anunciado essa semana, cava um nicho novo no setor de stablecoins.
- Leaking Into The Future (Venkatesh Rao): a história é uma simulação ideológica - nos últimos meses, nós coletivamente perdemos a habilidade de manter um senso contínuo de progresso ao longo do tempo. As narrativas-bastião da nossa época estão “escorrendo para o futuro”.
- The Deep State VS. The Deep Right (Curtis Yarvin): um dos pensadores mais provocadores da cibercultura moderna, Yarvin propõe que a única maneira de mudar os rumos do regime dominante é impressionando-o até que abra mão de sua própria agência sobre o futuro. Persuadir é para os fracos: os fortes performam.
- How Bitcoin Dies (idem, 2013): artigo antigo, mas mais contemporâneo do que nunca, sobre as 2 maneiras concebíveis pelas quais o Bitcoin pode “morrer”.