Paradigma

📌 Boletim Semanal: Como o Mercado "Reage" a um Halving?

Padrões on-chain e em contratos derivativos que apontam para as expectativas do mercado até maio de 2020.

⛏️ O Halving que Se Aproxima

O 1º halving no bitcoin aconteceu em 2012. O 2º, em 2016. O 3º é agora, em 2020.

Em suas vésperas, tende a aquecer o debate público em torno da escassez do Bitcoin. Há quem acredite que o evento é catalisador de awareness, demanda e preços. Há quem o veja com menos cerimônia, dada sua natureza pública e previsível.

“O quanto o halving está ou não está precificado”? - a discussão sobre o grau de eficiência do mercado - já era uma questão comum nos ciclos anteriores (veja essa thread de 2015).

O debate não tem uma resolução binária. As informações em cima das quais o mercado precifica o bitcoin não têm o efeito linear, por exemplo, de uma previsão de tempo sobre os preços do milho. Um novo adepto não “capta” o bitcoin por causa de um evento específico, mas sim sente-se confortável enquanto digere o paradigma, até um ponto no qual não há mais retorno. O espectro de tempo no qual se dá o “ momento a-ha!” é extremamente amplo e variado, de pessoa para pessoa - mesmo aquelas com acesso à mesma informação, durante o mesmo período. O processo requer uma fusão de conceitos filosóficos com perspectivas pessoais sobre política, economia e o mundo lá fora.

Essa complexidade está intimamente relacionada com a velocidade em que “a informação sobre o Bitcoin” se dispersa. É como um arquivo de 10GB viajando pela internet em 1997. É a razão pela qual a disseminação de um novo dinheiro leva tempo, e se desenrola como uma história.

O fato é que, até hoje, os preços reagiram positivamente nos meses subsequentes ao halving - e a trajetória atual tem andado em linha com as prévias:


⛓️ Como os Mercados On-Chain Reagem ao Halving?

Nos últimos halvings, aumentos anômalos no volume bruto (em BTC) transacionado on-chain precederam o evento - 3 meses antes, em 2012; 4 meses antes, em 2016.

A urgência de mineradores em vender suas moedas (medida pelo seu nível de “desova de estoques”) demonstrou padrão diferente em 2012 e 2016.

Em 12, notamos que mineradores tornam-se mais “poupadores” nos meses que levam ao halving (no gráfico abaixo, a linha amarela caindo). Em 16, o comportamento se inverte, com aumento nos níveis de “desova” conforme se aproximava o evento (a linha amarela subindo). Ressaltamos que a influência dos mineradores nos preços diminui vertiginosamente com o passar do tempo.

Não houve capitulação de mineradores nem espiral da morte na hashrate - em ambas ocasiões, alguns ajustes de dificuldade negativos, após a redução na recompensa por bloco, deram conta de resolver qualquer desequilíbrio temporário.

Por fim, olhando-se para o perfil de idade das moedas inertes on-chain, pode-se inferir que, às vésperas de ambos os halvings anteriores, houve uma transferência massiva (da ordem de 20% da oferta circulante) de moedas de portadores antigos (>12 meses, as faixas verdes e azuis no gráfico abaixo) para novos entrantes (<6 meses, as faixas avermelhadas embaixo).

Hipotetizamos que essa transferência não causa - tampouco atrasa - escaladas nos preços, mas meramente reflete o aquecimento do lado da demanda no mercado - uma vez que é necessária para acomodar a demanda de recém-chegados (por moedas). Trata-se de um sinal de confirmação, portanto - ainda que algumas faixas específicas - como a de 7d-30d - guardem maior potencial preditivo.

Note como, no fim de 2018, esse movimento parece já ter começado: portadores das faixas amarelo e verde clara (6m-18m) distribuíram algo em torno de 2 milhões de moedas para novos participantes no mercado (a seta verde à direita do gráfico).


💡 Como o Mercado de Derivativos Está Encarando o Halving?

Em 2016, a BitMex ainda era uma nanica. Hoje, lidera uma fatia do mercado (derivativos) cujo volume já deixa os mercados à vista no chinelo.

Em um dia qualquer, nos últimos meses, derivativos têm movimentado entre 5 e 10 bilhões de dólares - mais de 10x o volume “real” médio das bolsas spot.

Dentre eles, opções, especificamente, trazem à tona informações sobre a volatilidade que o mercado expecta (precifica) para diferentes datas futuras.

Atualmente, a volatilidade implícita das opções negociadas para 2020 (Deribit e OkEx, majoritariamente) sugere uma expectativa de aumento na volatilidade entre fevereiro e junho do ano que vem, ainda que a disparidade não salte aos olhos no gráfico.

Os prêmios pagos para cada maturidade (data de vencimento de contrato) também implicam uma distribuição de probabilidade de preços.

A proximidade das curvas azul e verde sugere que não se está precificando a expectativa de grandes variações entre março e junho de 2020.



Em suma: o mercado espera aumento na volatilidade em algum momento entre fevereiro e junho. O comportamento da volatilidade às prévias dos últimos halvings dão suporte à expectativa.


Este artigo veio da assinatura Paradigma Pro

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