Paradigma

📌 Boletim: Medindo a Dança da Cadeira das Altcoins 🕺

Como se portar diante destas quedas do BTC? Dá pra quantificar a rotatividade entre as grandes criptomoedas? Até onde vai o embate entre DEXs e CEXs agora que o Uniswap superou a Coinbase?

🌪️ Bitcoin despencou! Devo agir?

Retrações de 30-40% são comuns nas fases de alta do Bitcoin.

Se você anda preocupado demais com quedas destas, pode ser que esteja sobre-alocado em cripto. Reveja o tamanho da sua posição. Num mercado extremamente volátil, é preciso estar confortável com oscilações violentas do dia pra noite. NÃO se constrói riqueza do dia pra noite. Mas sim tendo paciência.

Se você tiver risco demais na linha, talvez não mantenha o equilíbrio emocional necessário para conseguir “esperar o suficiente”.

Em vermelho, quedas acentuadas durante os períodos altistas anteriores (porcentagens denotam a queda do topo ao fundo local). À direita, em roxo, o Corona-crash. Fonte: Bitstamp

O BTC segue fazendo fundos acima dos últimos (o que configura manutenção da tendência de alta).

O OPL (nível de lucro médio das posições realizadas on-chain) agora cisca o terreno negativo, mas (ainda) não se “fincou” abaixo de zero - o que sugere oportunidade proveitosa de entrada, caso voltemos ao positivo, o que é esperado, no contexto. O resultado não-realizado (MVRV) de portadores de bitcoin segue verde.

O que vimos foi uma desalavancagem saudável em derivativos, e uma reação a um catalisador macroeconômico (sell-off nas bolsas americanas). Todos os olhos miram as eleições nos EUA. Segue o jogo.

💃🕺 A Dança das Cadeiras das Shitcoins

Alt Season é o apelido carinhoso dos períodos em que criptomoedas de menor capitalização (altcoins) sobre-performam as mais famosas.

É difícil negar a evidência de que tivemos uma alt season nos últimos 3 meses.

Computamos a rotatividade (turnover) mensal no ranking das top 200 e top 100 moedas por capitalização de mercado. Um turnover de 20% no top 200 significa que 40 novas moedas entraram na lista nos últimos 30 dias.

Períodos de alta rotatividade no top 200 costumam preceder a elevação da rotatividade no top 100 - primeiro um rebuliço nos ativos de menor capitalização, depois uma re-ordenação entre os maiores.

Para conhecer nossa visão sobre a natureza das altcoins, leia: ⚰️ Osciladoras & Degeneradas: Só Existem 2 Tipos de Altcoins.

O turnover aumentou significativamente nos últimos meses. Fonte: CoinMarketCap, janeiro de 2014 a setembro de 2020

Alta rotatividade significa que houve diversas oportunidades de se pegar carona numa moeda que galgou rápido posições no ranking. Pela amostra computada inferimos que uma rotatividade mensal acima de 20% no top 200 e 10% no top 100 denota anormalidade (a partir do comportamento do último período altista, em 2016-17).

O spread entre estes 2 turnovers também serve de termômetro para se diagnosticar onde reside o foco especulativo no mercado. Um spread alto indica que microcaps estão em voga. Um spread baixo indica que o período é de consolidação entre as grandes.

Fonte: CoinMarketCap, 2014-2020

🎰 Uniswap > Coinbase

O volume da Uniswap superou o da Coinbase no dia 30 de agosto.

A Uniswap foi construída por um garoto com alguns tostões no bolso, em 2018.

A Coinbase nasceu em 2013, emprega 500+ pessoas, já arrecadou centenas de milhões de dólares em investimentos e se prepara para fazer um ICO.

Dias depois, o volume da Uniswap ultrapassou o da FTX - uma das maiores bolsas de cripto-derivativos.

A proeminência do AMM simbolizado por um unicórnio rosa inquieta donos de exchanges centralizadas.


Market Share de DEXs em relação à CEXs (por volume). Fonte: The Block / Larry Cermak

A empreitada mais notável para se tirar uma casquinha desse sucesso é orquestrada a partir de um escritório em Hong Kong. A FTX, conglomerado que comanda boa parte do volume do mercado, lançou “uma versão não-custodial de si mesma” na blockchain da Solana, e demonstra estar disposta ao que for preciso para sugar liquidez dos AMMs existentes, hoje concentrada no Uniswap.

Ao “herdar” a SushiSwap depois do fiasco por que passou, Sam Bankman-Fried (CEO da FTX) bootstrapou “de graça” (o custo foi puramente reputacional) um projeto que já teria que construir dentro de casa, de qualquer maneira. O objetivo é migrá-lo para a Solana, potencializando interações com a Serum. A vantagem do SushiSwap é que já carrega uma marca, uma comunidade e um bocado de liquidez. A desvantagem é a mancha que essa saga bizarra deixa na história do projeto (e o risco judicial).

A Uniswap pôde respirar com o “fracasso”, por ora, da SushiSwap. Esfriou a febre de concorrentes sem diferenciação.

Uma especulação crescente é a de que a distribuição de tokens $UNI seja retroativa, de modo a recompensar provedores de liquidez há muito tempo interagindo com o protocolo, e desprivilegiar baleias.

A bolsa do unicórnio rosa já ostenta ~1% do volume da NYSE.

📚 O Que Nosso Time Leu no Fim de Semana

➡ 🧛 Vampire Attack on Liquidity-Dependent Protocols (Martina Krung)

A primeira descrição formal do “ataque social” protagonizado pela SushiSwap, e replicado incessantemente desde então. Como protocolos que agregam capital on-chain podem proteger “seus” provedores de liquidez de tentativas de “sequestro”?

➡ 😈 Cornering the Ethereum Fee Market (Amber Group)

No começo dos anos 90, George Soros lucrou U$ ~1 bilhão numa aposta agressiva contra a libra inglesa. Hoje, uma estratégia parecida - mas do avesso - pode ser aplicada por qualquer grande player que tenha interesse em fazer explodir os custos transacionais na Ethereum - e embolsar uma bolada pelo caminho.

➡ ⛩️ Bitcoin: A Novel Economic Institution (Ark Invest)

O beabá do Bitcoin como nova classe de ativo. Muito bem escrito e ilustrado com gráficos da CoinMetrics. Ótimo pra aquele parente que “ainda não entendeu”.

Este artigo veio da assinatura Paradigma Pro

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