Paradigma

📌 Boletim: DeFi Season, versão L2; a Ethereum se Apruma

3 ecossistemas alternativos; status das blockchains do Bitcoin e Ethereum; cavalos da layer 2.

Elon Musk testou a matrix com uma justificativa semântica para a Tesla ter dumpado 1 bilhão de reais em BTC. O mercado comprou o argumento e a moedinha mágica da internet já está de volta acima dos $55K. As expectativas macro se voltam para a possibilidade de que uma das FAANG finalmente entesoure bitcoin.

O MVRV do Bitcoin voltou para baixo de 3. A menos que 4, vai ser difícil nos convencer de que o bull market está perto do fim. Fonte: Paradigma

📚 3 Ideias: Ecossistemas Alternativos

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No canal #ideias, são postados racionais aplicáveis a alguns ativos atrelados a narrativas que estão em voga. Não são recomendações de investimento - faça sua própria diligência e, se interessar, decida se atende ao seu perfil, ou não!

As dessa semana foram: hDAO, UNI e SOV. Confira os racionais.

A primeira é definitivamente a mais arriscada. Mas o mercado vem subprecificando violentamente a Hic Et Nunc ante a competidoras centralizadas. O OpenSea, por exemplo, está valorado em algo entre U$100-200M (último series A levantou $23M). E o OS perdeu quase metade do volume nos últimos 30 dias, enquanto o Hic Et Nunc, ainda muito menor, engatou algumas semanas de crescimento.

O HEN tem movido 1/3 do volume da OpenSea nos últimos dias. O hDAO tem um market cap de $15M, versus o valuation de $100-200M da OpenSea. Fonte: Tzkt/Dune

📚 Status: Bitcoin

O pico de 2013 foi em dezembro. O pico de 2017 foi em dezembro. O trader de QI <100 espera que o topo deste ciclo se dê em dezembro de 2021.

O holder típico está se perguntando o que lhe importa mais: proteger o patrimônio de eventuais candles vermelhos de -50%, ou evitar a dor de corno de perder um +50% depois de uma venda?

Não existe resposta universal, cada um tem seu perfil de risco. Na nossa avaliação, algo entre 1/3 e 2/3 da fase altista deste ciclo já passou. Em tempo, não em performance - vale ressaltar que a maior parte dos retornos se concentra no final do ciclo. E que, obviamente, as dinâmicas observadas historicamente podem mudar com a evolução do perfil dos participantes do mercado.

O URPD é uma espécie de perfil de volume on-chain do Bitcoin. Compara o preço ao qual foram trocados de mão pela última vez todos os BTC em circulação. Destacamos o vácuo entre 20K e 43K, e o suporte relevante construído na região dos 50 mil dólares. É zona para se prestar atenção, nas próximas quedas. A quantidade de moedas comprada na faixa representa uma barreira psicológica importante.

O BTC chegou a recuar ~25% do topo na derrocada do último fim de semana, mas, desde que rompeu a máxima anterior lá nos 20 mil dólares, ainda não apresentou um de seus drawdowns típicos de 30% ou mais (que também podem sinalizar oportunidades boas para entrada, durante o bull market).

O gráfico das HODLWaves denuncia que a fatia de portadores que mais abriu mão de suas moedas nesse último dip (e desde o pico perto dos $64K) foram donos de moedas há menos de 90 dias. Das mãos novas para as mãos velhas. Nada de novo sob o sol. 

📚 Status: Ethereum

A Ethereum guarda mais catalistas (em volume de notícias potenciais) que o Bitcoin, no roadmap para o resto de 2021. A ativação de Taproot constitui o principal drama na bitcoin-lândia - adições a tesouros de empresas listadas em bolsa e outros movimentos institucionais não são mais notícia. No lado etherino, a grande novidade é o fato de que a moeda vai se tornar deflacionária. Reside aí a base para o meme que a comunidade escolheu embandeirar: ultra-sound-money.

A EIP-1559 deve ser implementada na main net no dia 14 de julho - a partir daí, se mantido o patamar atual de volume on-chain, a cada dia, haverá menos ETH no mercado.

Além disso, o upgrade (chamado de London) abaixará custos de taxas transacionais e adiará a difficulty bomb, uma espécie de limite máximo para matar o PoW. A data será resetada para um bloco em ~julho de 2022.

O upgrade Berlin deu vida à beacon chain, e iniciou depósitos de stakers. O upgrade London tornará o ETH deflacionário. Shards serão implementadas mais à frente. Então, ganharão a capacidade de executar código. Só então, a cadeia de PoW (ETH 1.0) será completamente “encaixada” naquilo que se chama de ETH2.0 - e as recompensas dos validadores (PoS) começarão a fluir. Fonte: Ethereum Foundation

A febre dos NFTs perdeu gás. Os dados do último mês entre os principais marketplaces na Ethereum são inequívocos.

Ainda que a Christie's vá leiloar CryptoPunks no dia 13 de maio, e restem uma ou outra celebridade para criar seu próprio NFT (Eminem e Ellen deGeneres foram os nomes da semana), o cataclisma da tendência nos parece ter sido alcançado na venda histórica ($69M) do Beeple.

Acreditamos no potencial de “Bem de Veblen” de NFTs com significância histórica, assim como enxergamos potencial em protocolos fundacionais e marketplaces diferenciados. Mas nossa avaliação é a que a mania deve arrefecer nas próximas semanas.

Números de marketplaces de NFTs na Ethereum. Fonte: DappRadar

Dentre as tendências em voga dentro da Ethereum, destacamos 3.

Primeiro, a aceleração da financeirização. O Banco Europeu de Investimentos está lançando um bond na Ethereum. O volume de stablecoins não pára de crescer. DeFi é uma aposta secular, não de curto-prazo.

Volume mensal em stablecoins, na Ethereum. Fonte: Dune

Segundo, a migração de capital (e interfaces) para soluções de segunda camada, que resolvem questões de custo e usabilidade independentemente do roadmap de updates da Ethereum (vide a nossa carteira temática “Cavalos da Layer 2”, cuja estrela tem sido MATIC nas últimas semanas).

Terceiro, a implementação de programas de liquidity mining em protocolos de DeFi antigos (ex: AAVE), que não o fizeram na primeira onda de incentivos de liquidez que aflorou em 2020. Estratégias criativas de gestão do tesouro podem fazer a diferença para destacar um ou outro projeto no mar de novos entrantes (veja o que a Yearn está fazendo).

Esquerda: depósitos diários (USDC) na Aave. Direita: transações diárias na Ethereum (base layer) e na Polygon/Matic (segunda camada). Fonte: Nansen

📚 Dicas de Leitura pra Semana

➡ 🧭 100 Datapoints Pela Coinmetrics (CoinMetrics)

Um compilado de 100 dados interessantes, pela incansável CoinMetrics. Curiosidades como: “mineradores de BTC detém 4.5M BTC”. “A Ethereum gerou só em 2021 mais taxas transacionais que o Bitcoin gerou em sua vida inteira”.

➡ ⛏️ ASICs and Decentralization FAQ (Andrew Poelstra)

Um documento histórico (2015) e impecável na desmistificação da prova-de-trabalho (PoW) - o elemento mais mau compreendido do Bitcoin.

➡ 💰 The State of Bitcoin as Collateral (Arcane Research)

Panorama compreensivo sobre o uso de BTC como garantia para a tomada de crédito, em serviços centralizados e descentralizados.

➡ 🖨️ Printing Money Doesn't Help (Philip Rosedale)

No contexto da renda básica universal entrando em pauta na agenda pública, no Brasil, aqui vai uma simulação visual simples demonstrando que dinheiro de graça não é panaceia para reduzir desigualdade.

Este artigo veio da assinatura Paradigma Pro

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