📌 Boletim: 5 Conselhos Que Eu Amaria Ter Recebido em 2018 🦉
Tem mais razões para crer ou para duvidar que... "this time is different"?
Tem nos chamado a atenção uma certa hesitação nas discussões sobre preço.
Analista gráfico sugerindo que “existe esperança”. Veteranos evitando se perguntar se “estamos num bear market". Gráficos viralizando no twitter com legendas sem pé nem cabeça, desde que fortaleçam a narrativa de uma “nova máxima histórica iminente”.
Não temos bola de cristal. Mas também não temos rabo preso, nem papas na língua.
Enquanto boa parte da indústria depende das suas compras e vendas (em corretoras) pra prosperar, nós só dependemos da sua felicidade e riqueza.
Então, resolvemos compilar opiniões que adoraríamos ter ouvido… 4 anos antes.
Estudo da Pantera Capital sobre quase uma década de aportes em fundos de bitcoin. Traçou-se uma tendência de longo prazo pro ativo (regressão linear simples). Cada “bucket” no eixo horizontal representa uma distância do preço em relação a essa linha de tendência. O retângulo cinza, no meio, denota o centro da tendência. Cada bucket seguinte representa uma valorização de 33%. Note que quase 1/4 de todos os aportes acontecem… quando o BTC está mais que 9 vezes acima da linha de tendência 😳
🦉 Conselhos que Eu Gostaria de Ter Ouvido Antes
1️⃣ Escute menos as narrativas novas; e mais os dados novos.
A mídia tem noticiado a abertura ETFs de cripto no Brasil. Investidores institucionais estão se aglomerando na porta de entrada. O Twitter está promovendo NFTs, que vão trazer um perfil novo de pequeno investidor para a indústria.
Estas são algumas das narrativas em voga.
O que os dados mostram é que o varejo está deixando cripto de lado.
Os volumes em corretoras tiveram pico em maio e não pararam de cair desde então. O mesmo vale para volumes em exchanges descentralizadas. O pico em mercados peer-to-peer foi até antes (março).
2️⃣ A “justificativa” costuma ser mais simples que parece.
A China empreitou em junho uma campanha anti-bitcoiniana digna de cinema.
E a mídia, sem muita criatividade, apontou esta como a “causa” do declínio das criptomoedas.
Agora, repare: a operação chinesa, que culminou com a expulsão de boa parte dos mineiradores locais (e uma queda de >50% na hashrate), começou efetivamente no início de junho. Enquanto o sentimento do mercado tinha virado em maio.
Por mais que seja tentador buscar “justificativas” para fenômenos maiores que nossa capacidade de compreendê-los, o mais provável é que a torrente de notícias do oriente tenha pegado carona no movimento, e não necessariamente lhe servido de gatilho.
Se você pesquisar por manchetes de 2018, vai ver que a dinâmica foi parecida - tudo quanto é regulador aproveitando o dump para propagandear suas posições anti-cripto.
Esquerda: A Coinbase deixou o topo da App Store em maio. Na próxima vez que eles saírem do ar recorrentemente por conta do excesso de demanda, você já sabe o que fazer. Direita: a busca por corretoras em redes sociais esfriou junto.
3️⃣ Sinais de topo são indistinguíveis de sinais de adoção.
A euforia é inebriante. E anuvia a capacidade crítica de qualquer caboclo.
Lembro-me como se fosse hoje, do fim de 2017. A sensação de que, a qualquer momento, um presidente americano twittaria sobre a criptomoeda. A ansiedade pela hora em que um presidente anunciaria planos de adquirir Bitcoin, em nome da nação. A aparente inevitabilidade de que o PayPal começasse a vender BTC, e tantos outros marcos simbólicos.
O Bitcoin ganhava contornos geopolíticos, e previsões descabidas de anos atrás finalmente faziam sentido. O novo paradigma estava instalado.
Não estava errado quem teve estas intuições todas. Mas estava errado quem presumiu que a história seria escrita numa linha reta!
Alguns dos eventos que, em retrospecto, serão lembrados como “sinais de topo”.
4️⃣ Quando a parábola quebra… a rede esfria.
O Bitcoin é uma commodity em pleno processo de hiper-monetização.
Ninguém que está entre nós testemunhou um fenômeno desses antes. Ninguém pode dizer que sabe exatamente como vai transcorrer.
Mas existem teorias. E, por mais ficcionais que soem, norteiam boa parte dos Neanderthais que compõem o grosso do mercado.
A essa altura, você já deveria estar familiarizado com a ideia da "curva de adoção em S". Com o conceito de “ataques especulativos”. E, é claro, com a noção dos ciclos atrelados ao halving do BTC.
A rede tem base num grupo crescente de hodlers, que, a cada 3-4 anos, é aumentado por um tsunami de novos entrantes. Destes, alguns passam os próximos anos virando hodlers. Mas a maioria é ejetada do mercado no primeiro grande dump (porque não sabia direito o que estava fazendo, em primeiro lugar).
O SOPR (lucros/prejuízos realizados on-chain) vinha encontrando suporte em 0 (a linha d'água dos participantes do mercado). Em contexto de alta, é preferível esperar do que vender no 0 a 0. No último mês, foi o inverso. O indicador tem despencado a cada vez que ameaça superar a linha d’água. Em tendência de baixa, qualquer chance de vender no 0 a 0 (ou perto), é valiosa.
Essa dinâmica já se repetiu vezes o suficiente para se cristalizar como uma espécie de profecia autorrealizável. E quem opera profissionalmente não perde a chance de monetizar a volatilidade decorrente.
Mesmo na sua 4º era, o Bitcoin segue ostentando avanços parabólicos - o que é raro para qualquer ativo, e inédito com tamanha recorrência. Via de regra, é muito simples: quando a parábola quebra, a rede inteira esfria… e a reflexividade entra em jogo.
Um exemplo simples que ilustra essa reflexividade (na Ethereum) 👇
Cerca de metade do volume em AMMs (Uniswap, Balancer, etc) se origina de market makers profissionais, capitalizando sobre o fluxo de ordens do varejo. Quando o interesse dos pequenos investidores diminui, seca também o capital oferecido por estes market makers (que estão ali, no fundo, para te arbitrar). Com isso, cai a liquidez. Pioram os preços. E o negócio fica ainda menos atrativo para o varejo…
5️⃣ Todo ciclo é diferente do anterior... e, depois, parecerá igual ao anterior.
Preços não seguem o caminho mais curto entre A e B - mas sim o caminho que liquida a maior quantidade de participantes do mercado.
Era tanta gente esperando que um pico fosse feito em dezembro/21, que a festa começou a esvaziar antes.
É verdade que muitos indicadores de sentimento não chegaram exatamente aos patamares do ATH de 2017. E que timing não coincide perfeitamente com o que vimos em 2013 e 2017.
Mas, diante da febre dos dogtokens, do homem mais rico do mundo tirando sarro da indústria na TV americana, e dos zilhões de dólares que foram gastos em JPEGs… não dá pra negar que o varejo deu, sim, um show de euforia.
A mente humana é viciada em buscar padrões. Em retrospecto, pode ter certeza de que haverá mil maneiras de mostrar como este ciclo se desenrolou precisamente “como deveria”.
🔮 This Time Is Different?
A pergunta que importa não é “se estamos num bear market". O drawdown de +50% no Bitcoin responde inequivocamente que “sim”.
As perguntas que importam são “quando ele vai terminar", e “se você tem caixa para atravessar tranquilamente um eventual inverno cripto”.
Se tiver… fique tranquilo. Acredite quando dizem por aí que fases baixistas são as melhores para se criar vantagem competitiva. Aprender, conhecer gente, incorporar ferramentas ao seu arsenal e montar posições em gemas que podem entregar retornos estratosféricas nas próximas pernadas de alta.
Se não tiver… tire um tempo para pensar. Ainda que admiremos o culhão de quem aloca +95% do que possui à classe de ativo, é nosso dever ressaltar: uma gestão de risco mais sofisticada pode melhorar a qualidade do seu sono. Além de ajudar a aumentar sua stack progressivamente.
Será que não vale a pena montar uma reserva, pra acumular sats quando o MVRV voltar a mergulhar abaixo de 1? Esta foi uma das estratégia mais óbvias da última década. Mesmo assim, pouquíssimos têm disciplina e frieza para colocá-la em prática.
Média dos juros pagos a quem empresta stablecoins em DeFi. Engana-se quem pensou que os yields de 2 dígitos se sustentariam quando a euforia se esvaísse.
Este boletim pode ter soado mais realista do que de costume. A intenção é te instigar e ferramentar para que tome as melhores decisões possíveis.
Pode ser que leve semanas até que o BTC recupere sua máxima. Pode ser que leve anos. Pode ser que Elon decida instalar uma mineradora na órbita terrestre. Pode ser que o dono duma das maiores corretoras seja preso. Pode ser que nada disso importe.
Se você está aqui conosco, é metade do caminho andado. Se você conseguir permanecer montado neste foguete - basicamente, sobreviver ao mercado - já basta; pra garantir uma vaga no futuro que sonhas (e que estamos construindo juntos).
📚 Dicas de Leitura da Semana
➡ 👣 Caçando os Hackers do Colonial Pipeline com Wolfram (Dariia Porechna)
Sabe a história dos hackers que invadiram sistemas logísticos vitais para os EUA, e pediram resgate em cripto? Aqui você vai ver um passo-a-passo de uma pesquisadora que resolveu perseguir o rastro destes fundos.
➡ 👾 Flashbots: Finding & Capturing MEV 101 (Robert Miller)
MEV (Miner/Maximum Extractable Value) tem sido o assunto mais quente da Ethereum nos últimos meses. Uma organização chamada Flashbots se formou para publicar código aberto que permita a qualquer um virar “explorador de MEV”. Isto é, buscar oportunidades de arbitragem, emprestar capital ilimitado (flash loans) e mandar transações privadas (impossíveis de fazer frontrunning) direto para mineradores. Neste vídeo, veja como um explorador profissional usa o software da Flashbots para gerar ideias, monitorar oportunidades, planejar, testar e executar.
➡ 🔬 MEV: Wat Do? (Phil Daian)
Extrair MEV é “equivalente ao roubo" - uma vez que +60% do MEV acaba prejudicando pequenos investidores de varejo? É imoral? Um dos papas do trading em alta frequência na blockchain - Phil Daian - explica como enxerga o dilema, e como transformar uma potencial vulnerabilidade… numa força propulsora para a Ethereum.