Paradigma

⛽ Auxílio Pump-mergencial: Revisando AirDrops

Revisão das mecânicas + consequências dos airdrops recentes em #DeFi. E 5 produtos que parecem prestes a fazer os seus.

⚠️ Alerta: 99% das vezes em que você ler a palavra "airdrop", estará diante de um scam! O termo é adorado por golpistas já que carrega a sedução dos ganhos fáceis. Desconfie de tudo, até mesmo deste texto aqui.

📦 O Que é Um AirDrop

Um airdrop é a distribuição de uma criptomoeda "em troca de nenhum valor". A prática é popular na indústria para difundir moedas que não tem um plano concreto para ir ao mercado. Existem infinitas variantes. Muito poucas conseguem alinhar incentivos entre um número suficiente de participantes para fazer o intuito do projeto decolar.

Normalmente, um bem que é dado de graça… não vale nada. A esmagadora maioria dos airdrops tende ao limbo, a zero. Uma parcela ínfima deles acaba capturando e sustentando valor. De onde vem esse valor? Das pessoas que estão atribuindo-o ao ativo ao comprá-lo no mercado.

🌱 O Começo da Temporada

Em setembro de 2020, no auge do "Verão #DeFi", a Unsiwap anunciou que lançaria um token, $UNI. O projeto já sumonava centenas de milhões de dólares em volume… com somente 2 pessoas no time.

Do outro lado do planeta (especula-se), um desenvolvedor anônimo forkou (copiou) o código da Uniswap. Lançou uma concorrente: SushiSwap. E um token: $SUSHI — cujo desenho, coincidentalmente, era idêntico ao do $UNI.

A Sushi catalizou uma tonelada de atenção pública. E arrebatou usuários fiéis — recentemente fincou posição no top 50 moedas por ranking de capitalização. 

A Uniswap se viu forçada a acelerar seus planos para conseguir superar o clone. Hoje, o interesse institucional está entre os fatores que levaram a moeda ao top15. A Grayscale está no processo de abrir um truste de UNI.

Mas o legado dessa batalha vai muito além das duas.

O airdrop de UNI — 400 UNI por endereço — inaugurou uma era de "auxílios-emergenciais" em #DeFi que mudou a vida de muitos usuários.

400 UNI, a preços de 30 de janeiro de 2020, valem U$6.000. Mais de 30 mil reais.

🚁 Airdrops (Notáveis) Recentes

$UNI: 400 tokens, à época valorados em U$1.200. O evento ficou marcado na história do verão #DeFi através do meme do "PS5 que caiu do céu" (o PlayStation 5 fora lançado logo antes, e muitos tocaram o subsídio por um presente de Natal adiantado).

Curiosidade: o maior receptor individual de UNI foi o endereço que abriu e inaugurou a liquidez na primeira pool no protocolo, logo depois de seu lançamento na main net. A pool era SPANK/ETH. A carteira é da SpankChain, projeto de micropagamentos com cripto para a indústria pornô.

$BADGER: a quantia era variável, a maioria dos endereços recebeu algo perto de 20 tokens — à época valorados em U$ 120. A Badger é um protocolo de alocação de capital semelhante à Yearn, mas focado em detentores de BTCs.

$DIGG: uma stablecoin que é subproduto da Badger, foi airdroppada para quem participava de uma dinâmica específica de staking. O airdrop "gerou" algumas dezenas de milhões de dólares, no agregado, mas é difícil precisar a quantia (ou média) por participante.

$1INCH: o roteador de liquidez do unicórnio azul fez uma distribuição retroativa do seu token em dezembro. Privilegiou quem já tinha usado a plataforma para executar transações com um valor e frequência mínimos. Os usuários que atendiam aos requisitos qualificatórios ganharam no mínimo 600 $1INCH — na época, U$1.200; em janeiro de 2021, mais perto de U$2.000.

$COMBO: a ferramenta de "composição de transações" complexas em #DeFi lançou seu token através de um "evento de distribuição por liquidity mining", na Balancer. Mas também distribuiu uma parcela da oferta para usuários que já tinham usado eles 1 vez (350 $COMBO) ou mais de 1 vez (900 $COMBO). em janeiro de 2021, U$700 e U$1.800.

🕵️ Efeitos Colaterais da Distribuição Retroativa

Existia certa expectativa de que, um dia, a Uniswap distribuísse tokens próprios. A empreitada teve investimento de VCs, lá no início. O projeto precisava ser monetizado. 

O que surpreendeu o mercado foi o formato adotado: uma distribuição retroativa entre todos os endereços que tinham, em algum momento, interagido com o protocolo.

Centenas de cópias deste airdrop foram implementadas mercado afora. O legado conjunto é o de incentivar o uso de um leque maior de produtos em #DeFi.

Além, é claro, de motivar o uso de múltiplas carteiras — alguns usuários cautelosos com privacidade (não reciclam endereços) receberam dezenas de lotes de 400 tokens no airdrop da UNI.

🎁 Vindo aí…?

Quais protocolos e serviços estão mais propensos a lançar uma distribuição retroativa de tokens? Como usá-los para se qualificar para um eventual airdrop?

As especulações abundam. Aqui vão 5 oportunidades selecionadas a dedo 👇

1. DyDx

Um dos principais protocolos na Ethereum para margin trading (junto com a FutureSwap e a PerpetualProtocol (que já lançaram seus tokens). A dYdX é popular pelo suporte nativo a flash loans (empréstimos relâmpago).

O lado ruim de "se candidatar" para receber um eventual futuro airdrop são as taxas: abrir uma posição chega facilmente a custar centenas de dólares.

2. Zapper, Zerion & DeFiSaver

As 3 interfaces mais populares, hoje, para gestão multi-carteiras (na Ethereum). Tornaram-se populares por simplificarem o monitoramento de posições complexas, como empréstimos na MakerDao ou aportes em pools de liquidez extremamente voláteis.

É provável que, quando um destes 3 lance um token, os outros 2 sigam o movimento — parecido com o jogo de gato e lebre que ocorreu entre SushiSwap e Uniswap em 2020.

Supomos que, numa eventual distribuição retroativa, basta efetuar ao menos uma transação (em cada um deles) para que um endereço se qualifique.


3. Set 

A Set é um protocolo para cestas de ativos tokenizados. Esteve à sombra de AMMs voltados para propósitos parecidos (e.g. Balancer) em 2020, e pode muito bem lançar um token para tentar recuperar tração.

Dentre os produtos que o protocolo oferece, o mais popular é o DPI — um índice de "DeFi" baseado no DeFiPulse.

4. Tornado.Cash

O time de desenvolvimento (anônimo) propôs um token de governança — $TORN — que, na verdade, já foi acatado e gerado. Ele ainda não é transferível, pelo menos até o dia 3 de fevereiro.

A distribuição foi pouco chamativa, e o token está relativamente "fora do radar", em relação à relevância que tem. Fique de olho quando pipocar no Uniswap.

A quebra da oferta de TORN é massivamente desequilibrada em favor dos fundadores — o que é uma bandeira vermelha, dada a anonimidade deles. Ao menos, o vesting é demorado. 5% foram distribuídos no airdrop, e 10% ainda serão distribuídos ao longo de 1 ano para quem participar da pool da Tornado.

5. OpenSea

O OpenSea é um marketplace de NFTs (tokens não fungíveis, colecionáveis). Nenhuma plataforma mainstream dessa categoria fez um airdrop retroativo, ainda. Mas algumas concorrentes e adjacentes menores (e.g. NFTX) já fizeram coisa do tipo.

Dentre os maiores marketplaces de NFTs, a OpenSea parece uma das mais propensas a "dar o primeiro passo". A qualificação provavelmente envolveria já ter comprado ou vendido alguma peça no site.


Este artigo veio da assinatura Paradigma Pro

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