📱 As FAANG da Web3 [pt.1]
Uma tese (e alguns "cavalos") pra se expôr à nova era da internet.
➜ Leia o relatório completo em PDF aqui 👀
FAANG é um acrônimo para o grupo de titãs que "leva a internet nas costas".
Facebook (F) captura boa parte do valor criado em redes sociais. Amazon (A) provê infraestrutura de cloud (armazenagem e computação na nuvem) para a esmagadora maioria dos sites. A Apple (A) é a rainha do hardware. O Netflix (N) é o maior império do entretenimento em vídeo. O Google (G) indexa toda a informação da web.

Juntas, estas 5 companhias detém mais da metade do valor da NASDAQ100, o índice de tecnologia das ações americanas. É quase impossível apontar um negócio online que funcionaria mesmo se as 5 não existissem.
O "apagão" recente da família de apps do Facebook escancarou nossa dependência desses provedores — até mesmo na esfera social.
Esta dependência podia ser menor. Há tempos se discute a possibilidade de uma internet diferente, em que a infraestrutura seja majoritariamente pública, em vez de privada.
Uma internet em que o poder de barganha de cada aplicativo diminui diante do consumidor. Em que dá pra migrar de uma rede social pra outra levando suas fotos e amigos. Uma internet em que o modelo peer-to-peer se sobressai sobre o paradigma do cliente-servidor.
O nome dessa internet é Web3.

🏭 As Vantagens Competitivas das FAANG
Não é por um capricho que a Web2 (atual) funciona como funciona. O investimento em hardware e software necessário para nos trazer até aqui é de uma escala inatingível até pouco tempo.
Compare a experiência de se pôr um e-commerce de pé nos anos 2000 versus hoje. Antes, era preciso comprar ou alugar um servidor físico, buscar parceiros de pagamento, montar uma operação logística e gastar a lábia no boca a boca. Hoje, abre-se uma conta num Squarespace da vida e, com 10 dólares por mês, mantém-se uma loja funcional — que hospeda conteúdos na Amazon, gera tráfego pela família de apps do Facebook e usa o Google de vitrine para aparecer pro resto da web.
Os efeitos de rede destas companhias significam que, quanto maiores, mais baratos os seus serviços, e mais valor podem trazer ao próximo usuário.
Você pode se perguntar: mas existem alternativas a estes monopólios? E a resposta não é tão simples quanto parece. Há dois pontos a se considerar.
1. É praticamente impossível competir em custo com a infraestrutura dessas gigantes. Transcodar e hospedar vídeos custa caro. Fazê-lo ilimitadamente e de graça, como o YouTube faz para seus usuários, já quebrou muita startup que cresceu rápido demais.
2. Existe o argumento de que não se tratam de monopólios, mas sim monopsônios. Você não é o cliente do Facebook ou do Google (spoiler: são os anunciantes), você é o produto. A razão pela qual sua atenção social tem basicamente um só comprador (Zuck) são os custos de transição — a dificuldade em se migrar para uma nova rede, sem suas fotos, conversas e amigos prévios. A razão pela qual suas buscas são compradas por um só buscador (Google) é que toda a informação já está lá — o problema do ovo e da galinha.
Note como os dois pontos estão interligados. É essa escala que permite a estes titãs oferecerem produtos "excelentes e gratuitos"; e é o modelo de negócio predicado no capitalismo de vigilância que justifica o investimento para se chegar à escala necessária para competir globalmente.
Como postulou Ethan Zuckerman, a aliança entre farmadores de cliques e capitalistas de risco é o pecado original da internet.
🔮 As FAANG da Web3
A alternativa mais promissora para obsoletar os titãs supracitados é descentralizada.
Os dois impeditivos mencionados acima podem ser driblados com a seguinte abordagem:
1. Economias de escala ainda maiores podem ser "desbloqueadas" se o trabalho for distribuído. Em algumas indústrias, o paradigma do peer-to-peer já é realidade. A do streaming de vídeo é um bom exemplo. O Skype começou como um app de vídeo-conferência p2p. O Peer5 ajuda broadcasters a economizarem ao tornar todo player um nó de uma rede de distribuição de vídeos. O mesmo racional pode ser aplicado para a hospedagem de arquivos (servidores distribuídos); para a indexação (indexadores distribuídos); etc.
2. A Web3 não é sobre velocidade, performance ou conveniência. É sobre identidades pseudônimas, portabilidade irrestrita e indiscriminação. Vasculhar dados pessoais para vender anúncios não é o modelo de negócio nativo desse contexto. Pasmem: o modelo de negócio agora envolve tokens, e o valor criado na rede é capturado por quem participa dela.
Tokens permitem a um serviço ainda incipiente distribuir parte do seu upside futuro para quem contribuir para melhorá-lo agora. O subsídio atrai especuladores e adensa a rede antes de ela ter a escala necessária para se tornar competitiva em preços. O dilema do "ovo e da galinha" é superado do mesmo jeito que se fazia na Web2 — com capital para bootstrapping. A diferença é que, agora, esse capital não vem de VCs, mas sim de usuários da própria tecnologia.
Por mais que a ideia de um Facebook ou de um Youtube sem dono já tenha sido bastante iterada, ainda distamos de apps autônomos que ostentem tração equiparável à das FAANG. É muito token pra pouca entrega.
Mas, há alguns anos, a infraestrutura necessária pra suportar tais produtos habitava o campo das ideias. Agora, algumas empreitadas se consolidam na vanguarda do movimento. E dá pra investir na maioria delas.
