Paradigma

🔓 Analisando o Impacto de Unlocks no Preço de Criptomoedas

É verdade que moedas caem quando tem unlocks significativos? Existe alguma oportunidade de trade ao redor de tais eventos?

Introdução

Os alquimistas da idade média que tentavam (futilmente) transmutar metais comuns em ouro ficariam maravilhados com o tipo de alquimia financeira que cripto permite - onde desenvolvedores podem criar, a partir do nada, moedas mágicas da internet.

Quando um projeto lança sua moeda, na maioria das vezes apenas parte da oferta da moeda está inicialmente em circulação. 

A fatia do time e investidores normalmente é desbloqueada algum tempo depois - em eventos conhecidos como “unlocks”.

Isso leva a um aumento na oferta circulante da moeda. Em outras palavras, inflação. 

O esquema de “low float, high FDV”, aquelas moedas com baixo fornecimento circulante inicial e alta inflação, já é amplamente conhecido e discutido.

Também é normal vermos notícias de unlocks significativos, e seu possível impacto no preço - muitas vezes em tom catastrófico.

Seria isso verdade? Moedas tendem a cair após unlocks? Ou o mercado se adianta a esses eventos, que são conhecidos? Existe algum trade para capitalizar sobre?

Nesta pesquisa, analisamos 27 unlocks em tokens diferentes, e qual foi seu impacto nos preços.

Metodologia e Resultados

Existem unlocks de todos os tipos. 

Alguns acontecem gradualmente (e em alguns casos com uma inflação é bem agressiva), mas não tem como definir um dia específico para o evento.

Em outros casos, é possível identificar o dia em que o unlock começou.

Nessa pesquisa focamos naqueles casos em que foi possível discernir um dia específico para o unlock. 

Embora unlocks graduais também impactam nos preços, não há como analisar a performance do token ao redor do evento - já que não há um dia discernível onde ocorreu o unlock.

Dentre os 27 unlocks analisados, alguns ocorreram durante um mercado de baixa, outros durante um mercado de alta. No gráfico abaixo temos o preço do BTC (linha preta) e os unlocks analisados (círculos laranjas), para termos uma noção temporal dos dados analisados.

Para analisar o impacto dos unlocks pegamos o preço dos tokens, medidos em BTC, de 180 dias antes do unlock até 60 dias após o unlock. Medimos em BTC (e não em USD) para minimizar efeitos dos movimentos do mercado como um todo, e tentar isolar o impacto do unlock.

Normalizamos os preços em 1 no dia do unlock. Traçamos a performance dos tokens individuais, e também a média e mediana.

Esse é o resultado:

Abaixo temos um zoom na parte central do mesmo gráfico, destacando a média e mediana:

Na média (e também na mediana), as moedas tendem a cair por volta de 40% antes do unlock, começando a queda por volta de 2 a 4 meses antes do evento.

Já a queda após o unlock é bem menor. Na média, nem há queda após o unlock. Na mediana, uma queda de cerca de 20% nos dois meses após o unlock.

O mercado parece se adiantar ao unlock, visto que é um evento de conhecimento público.

E será que o tamanho do unlock também influencia?

Dividimos os unlocks em duas categorias: unlocks grandes, onde a oferta da moeda pelo menos dobrou no evento; e unlocks “pequenos”, onde o aumento na oferta da moeda foi menor que 100%.

Ao contrário do que o senso comum nos leva a crer, não parece haver diferença significativa devido ao tamanho do unlock. Embora obviamente a inflação da moeda impacte na performance de longo prazo da moeda, não parece haver diferença discernível nos meses ao redor do dia do unlock.

E quanto aos ciclos de mercado?

Separamos também os unlocks de acordo com a fase de mercado (bull market ou bear market).

Unlocks em mercados de baixa parecem ter um impacto mais negativo do que unlocks em mercados de alta.

Essa diferença é mais significativa nos dias mais distantes do unlock, e a partir do dia ~75 antes do unlock, a trajetória de unlocks em bear markets fica similar a dos unlocks em bull markets.

Dentre as moedas analisadas, 3 delas (INJ, ROSE, MASK, SAND) tiveram um comportamento especialmente diferente da média, subindo antes, após e durante o unlock. Estão destacadas no gráfico abaixo:

A semelhança principal entre elas é que foram unlocks que ocorreram durante mercados de alta. Tirando isso, não parece haver um motivo específico em comum que justifique a sobreperformance - podendo então ser atribuída simplesmente ao efeito estatístico esperado da amostra.

Conclusão

Na média, os tokens apresentam uma desvalorização de cerca de 40%, começando de 2 a 4 meses antes do unlock.

A desvalorização ocorre com mais força antes do unlock, e não depois.

A fase do mercado parece impactar mais do que o tamanho do unlock - com unlocks em mercados de baixa tendo um impacto mais negativo.

Existem moedas “outliers”, que apresentam um comportamento diferente da média. Mas a pesquisa indica que, no geral, vale a pena trocar (seja pra BTC ou stablecoins) moedas que vão ter unlocks significativos nos próximos ~4 meses.

A pesquisa também aponta que podem haver oportunidades de shorts (operar vendido) em tais moedas. 

Mas é preciso se atentar que aqui consideramos o preço em BTC (e não USD). Moedas podem cair em BTC, enquanto ao mesmo tempo sobem em USD. Essa estratégia de short é mais eficiente durante um mercado de baixa do BTC.

Este artigo veio da assinatura Paradigma Pro

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