Paradigma

⚖️ Altcoins x ETH: Estipulando o Risco-Retorno

Uma análise histórica de diversas altcoins versus o ETH. Tem um modelo mental pra saber se vale ou não vale a pena adicionar mais alts a um portfólio?

Em finanças, geralmente se define risco como volatilidade histórica (e logo expectativa de volatilidade futura) ou como drawdown, e existem modelos para avaliar a relação entre riscos e retornos esperados. No universo cripto, Bitcoin (BTC) é a primeira, maior e mais robusta moeda, que já se provou diante do teste do tempo e sendo assim é a mais segura. Conforme se adentra o mercado de altcoins, principalmente as de menor capitalização de mercado (Market Cap), o risco envolvido também aumenta, assim como as possibilidades de retorno - podemos enxergar alts como um BTC de beta elevado. Dentre as milhares de altcoins, a que se provou mais resiliente e consolidada é a Ethereum - muitos consideram BTC e ETH como as Blue Chips das criptos.

Partindo do pressuposto que a criptomoeda mais segura é o BTC, seguido então do ETH, podemos argumentar que, quando investimos em qualquer outra altcoin, devemos esperar retornos maiores do que se esse capital fosse investido em BTC ou ETH. Afinal, se estou tomando um risco maior e não obtenho um retorno superior, por que me expor a este risco?

A seguir compararemos os retornos históricos de algumas altcoins com o Ethereum. 

Duas observações importantes: 

Altcoins em “queda livre”

Algumas moedas, historicamente, "sangram" em relação ao Ether. Por mais que essas moedas ganhem e percam valor em relação ao dólar, quando comparadas com o Ether, a tendência de queda no longo prazo fica clara. São os tipos de moedas que você não quer holdar em seu portfólio.

   

Acima: LTC contra USD. Abaixo: LTC contra ETH.

Litecoin (LTC) é um bom exemplo. Quando comparada ao dólar, percebemos que ela tem seus ciclos de valorização, mas ao se comparar com ETH, percebe-se, que após um período inicial de oscilação (mais sobre osciladoras à frente), a tendência de queda é clara. Faz mais sentido holdar ETH do que LTC - maiores retornos com menor risco. Comparada com ETH moeda apresenta uma perda de 93% em relação ao seu pico de 2016, 86% em relação a março de 2020 (capitulação da pandemia) e 75% em relação ao início de 2021.

                            

Acima: XMR contra USD. Abaixo: XMR contra ETH.

Monero (XMR) conta uma história parecida. Denominando em ETH, 97% de perda em relação ao pico no final de 2017, 81% em relação a março/2020 e 61% em relação ao início de 2021. Aqui estamos observando datas que possuem importância histórica, mas poderia se fazer a mesma análise em qualquer outro período desejado.

Existem várias outras moedas (BCH, DASH, ETC, XRP…) com comportamento parecido. Historicamente é mais vantajoso holdar ETH - menos risco, mais retorno. É possível ocorrer uma mudança na tendência, uma reversão, em que essas moedas voltem a ganhar valor em relação ao ETH - apesar de improvável, nada é impossível. Ainda assim, fica o argumento que é mais inteligente esperar essa reversão ocorrer do que tentar acertar o fundo - que pode nunca chegar.

Osciladoras

Existem moedas que apresentam um comportamento de oscilar em relação ao ETH. Em determinado momento, estão supervalorizadas, e em outro, subvalorizadas. São moedas interessantes para compor o portfólio, e para traders mais ativos uma estratégia pode ser a de converter seu ETH na moeda quando ela está subvalorizada, e converter de volta a moeda para ETH quando ela entra na zona de supervalorização.

Acima: ADA contra USD. Abaixo: ADA contra ETH.

O melhor exemplo, provavelmente, para esse tipo de moeda é o Cardano (ADA). Apesar de existirem outras moedas que apresentam comportamento parecido (como Polkadot - DOT), quanto maior o intervalo de tempo analisado, mais confiáveis são os dados. Desde o final de 2018 até o período atual, ADA tem respeitado as zonas de supervalorização (verde), subvalorização (vermelho) e a área “central” (amarelo) - que já serviu tanto como resistência quanto como suporte. 

Para quem vem acompanhando essas regiões, oportunidades lucrativas de trade se apresentaram, mas é sempre importante fazer essa análise em confluência com outros fatores (estado geral do mercado, eventos catalisadores, fundamentos, etc..). E também lembrar que não há nada que obrigue esse padrão observado até hoje de continuar se repetindo (LTC já foi uma osciladora), mas historicamente comprar ADA na região vermelha e vender na região verde tem se mostrado uma estratégia com bons retornos. 

"Novos Paradigmas" (até quando?)

Algumas moedas mais recentes têm mostrado incrível força, rendendo retornos altíssimos mesmo quando comparadas com ETH. É o caso das L1’s (Layer 1) alternativas - carinhosamente apelidadas de Ethereum Killers. 

Essas moedas ganharam proeminência devido às altas taxas da rede do Ethereum, sendo uma alternativa mais barata para investidores de menor calibre poderem interagir com DApps em suas blockchains. É o caso do trio SoLunAvax - Solana (SOL), Terra (LUNA), Avalanche (AVAX) - e das FOAN - Fantom (FTM), Harmony (ONE), Cosmos (ATOM), Near (NEAR) e também algumas outras moedas que não ganharam sua “sigla” própria (BNB, EGLD, etc..). Essa narrativa começou no início de 2021, com a emergência da Binance Smart Chain, e ganhou ainda mais força do meio ao final do mesmo ano.

Acima: SOL contra USD. Abaixo: SOL contra ETH.

Aqui resolvemos ilustrar com o exemplo da Solana, mas qualquer uma das outras moedas citadas acima tem o comportamento parecido - uma escalada de preços surpreendente. Essas moedas geraram retornos absurdos para quem se deu o trabalho de experimentar novas chains (a curiosidade em 2021 foi amplamente recompensada), e apesar da queda recente no mercado elas ainda apresentam força.

Surgem algumas dúvidas: Quais são as próximas? (Ou será que a "próxima Solana” não é ninguém menos que a própria Solana?). Até quando esse comportamento irá durar? Se (quando) ocorrer uma reversão na tendência de alta quais dessas altcoins irão passar para um perfil de osciladoras e quais entrarão em modo de “queda livre”?

Para responder às perguntas acima é necessário mergulhar nos fundamentos, utilidades e inovações promovidas por cada uma dessas Blockchains emergentes. 

O futuro, provavelmente, será multi-chain e as cartas já foram lançadas à mesa - a batalha para atrair usuários, dapps e programadores está em andamento (basta ver os programas de incentivo de liquidez milionários) e grandes recompensas aguardam os curiosos o bastante para experimentar as blockchains que podem se consagrar como vitoriosas. Nosso trabalho, como investidores, é separar o joio do trigo e encontrar quem serão as próximas gigantes do espaço, com momentum o suficiente para rivalizar com a poderosa Ethereum.

Observações Finais

Caso você escolha uma altcoin para fazer parte do seu portfólio, é sempre interessante ver como ela se comporta em relação ao BTC e ao ETH, que já se mostraram resistentes ao tempo e (muito provavelmente) ainda estarão aqui em 10 anos - algo que não se pode ser dito sobre a maioria das altcoins atuais. 

Ao analisar qualquer investimento, é importante entender não apenas os possíveis retornos, mas também os riscos envolvidos. A melhor opção não é aquela que possui a maior possibilidade de retorno, mas sim o melhor retorno ajustado ao risco. 

Este artigo veio da assinatura Paradigma Pro

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