Paradigma

🥞 Aliens, Panquecas e Cachorros

Recapitulando as protagonistas da "altseason" do Q1 2021.

A #altszn de 2021 não teve cripto-gatinhos como protagonistas, que nem em 2017. As personagens desta vez são mais exóticas.

Abaixo, recapitularemos as narrativas que propeliram os maiores retornos no mercado, entre junho de 2020 e abril de 2021.

👽 Aliens

A escalabilidade é o calcanhar de Aquiles da Ethereum. Cryptokitties foram as principais responsáveis por trazer essa questão à tona, em 2017. Em 2021, os bodes expiatórios foram dois: NFTs e DEXs (negociação de ativos).

Aliens são os mascotes da primeira categoria, por serem as peças mais raras de uma coleção que movimentou centenas de milhões de dólares em tokens não fungíveis (CryptoPunks). A cifra, antes inimaginável, desencadeou uma corrida entre celebridades e empresas para tokenizar itens diversos e se apropriar (financeiramente) do fenômeno.

DEXs nos empolgam mais. A negociação descentralizada de ativos, até pouco tracionada por 0x e Bancor, hoje movimenta bilhões de dólares por dia. Nada mal para um intervalo de três anos. Em um futuro próximo, veremos uma plataforma que permite negociar milhares de ativos (e pares entre si), usar quaisquer como colateral, com taxas irrisórias, sem KYC, sem barreiras, não-custodialmente. Na linha do “devagar, então, de repente”, o vencedor dessa corrida mudará o mundo. 

E quais liderando a disputa? Dica: das três maiores, duas levam um nome de comida.

🥞 Panquecas

Até meados de março, observamos como a categoria DeFi nadou de braçada sobre as outras. Os holofotes estavam majoritariamente sobre a Uniswap, DEX pioneira e que até saiu na capa do WSJ. 

Na época as “uni bags” (micro-projetos negociados exclusivamente nela) protagonizaram o rali das altcoins. Valorizações de dezenas de vezes foram normalizadas. Bilhões de dólares eram negociados diariamente.

Mas, como abordamos anteriormente, os gargalos da Ethereum apareciam conforme esse contexto se desenvolvia. Em provocação a DeFi, cunhou-se o termo FeeFi, associado às taxas altas em curso. A cifra de volume supracitado é ainda mais impressionante quando se considera que as taxas superavam 100 dólares por transação, na época.

Não é difícil imaginar o que sucedeu. Em 2017 aprendemos que a incapacidade da maior rede descentralizada escalar dá margem para todo tipo de “blockchain 3, 4, 10” justificar a sua existência. Assim, no maior espírito “pimenta na rede dos outros é refresco”... 

A concorrência não perdeu tempo. Primeiro, no próprio espaço DEX na Ethereum, com a ascensão da SushiSwap (que executou um "ataque de vampiro" sobre a Uniswap) e da sub-categoria “roteadores”, que visam otimizar o caminho mais barato para transacionar um ativo. Segundo, e mais importante, através de iniciativas encabeçadas pelos dois grandes titãs centralizados do mercado – Binance e FTX. 

A competência de ambos para capitalizar em um ambiente a priori descentralizado é de se aplaudir.

De um lado, a FTX adquiriu participação relevante na Solana e lançou produtos lá (Raydium e Serum, DEXs). Do outro lado, a Binance armou ofensiva usando a sua própria BinanceChain, onde lançou e propagandeou a PancakeSwap (DEX). 

$CAKE ostentou uma das maiores rentabilidades no período. E roubou para si os holofotes da $UNI. Herdando a ganância e os lucros advindos da “uni-season”, as “cake-bags” emergiram como uma alternativa ainda mais degenerada que a anterior.

Pancake Bunny e NCAT são algumas das réplicas com variações nos nomes, que engrossaram o caldo em torno da CAKE. A altseason deu forma a uma dança das cadeiras tanto entre blockchains (BinanceChain, Solana, Ethereum) quanto entre DEXs. As alternativas pseudo-descentralizadas tinham usabilidade e custos transacionais melhores o suficiente para justificar um êxodo – temporário – da Ethereum. Do lado desta última, ganharam tração projetos focados no desenvolvimento em “segunda camada”.

Em paralelo a essa dualidade, o terceiro e principal marco do quadrimestre tomava forma: o ativo mais memético do mercado uniu forças com o homem mais rico do mundo.

🐕 Cachorros

No passado, introduzimos uma classificação binária para altcoins: osciladoras (aquelas que sobreviveram a diversos ciclos e demonstraram comportamento de reversão à média) e degeneradas (aquelas que tiveram seus momentos de glória, mas caminham lentamente para o limbo).

Dogecoin, a moeda-meme inspirada em um Shiba Inu, é o maior exemplo de osciladora no mercado. Em contraste com grandes nomes de hoje – como por exemplo, o ETH – a DOGE existe desde 2013. Não obstante, ela se demonstrou capaz de renovar máximas (em bitcoin) múltiplas vezes ao passar dos anos. Mais que um cachorro, a moeda é um dinossauro (ou um crocodilo, já que ainda não foi extinta). Seu preço (até então) dançava dentro de uma faixa e, em cada ciclo, tocava a região superior ao menos uma vez.

Nessa safra, a história foi diferente. Em suma, Elon Musk começou a twittar sobre o ativo frequentemente ao longo dos últimos meses. Se batizou como Pai da Doge, fez piada no SNL. Apesar de sempre ser com um teor de brincadeira, a cada nova menção um meme imparável engrandecia.

A principal piada era elevar a moeda de centavos de dólares para 1 dólar. Esse é o resultado.

O frescor do episódio da Gamestop na memória coletiva deu força à narrativa. Não há mais questionamentos quanto à capacidade de valorização de dinheiros irracionais. DOGE foi o escolhido no criptoespaço.

Esse feito, contudo, não saciou a ganância e degeneração dos criptocoiners em plena altseason. Um movimento generalizado de alta se espalhou para outras moedas que tinham cachorro no nome (SHIBA, AKITA, etc). De uni-season, para cake-season, o mercado culminou na dog-season.

O sinal de que a festa estava se esgotando foi dado por Vitalik, o inventor da Ethereum. Entre dog tokens, normalizou-se a prática de enviar uma porção da oferta para um endereço sabidamente do Vitalik - como uma forma de "sacrificar" parte dos tokens. Pois Vitalik violou a expectativa dos emissores de moedas de cachorros, e doou uma tonelada de SHIBA e AKITA para caridades. O "basta" de Vitalik aconteceu 3 dias depois da aparição do Elon Musk no SNL, e um mês depois do IPO da Coinbase na Nasdaq.

Este artigo veio da assinatura Paradigma Pro

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