Paradigma

9️⃣ Setup #2: Oscilador Estocástico

Entenda como um dos indicadores mais populares da análise técnica é utilizado como estratégia, e como adaptá-lo para funcionar perfeitamente durante tendências.

Na década de 1950, George Lane introduziu o que é hoje um dos mais populares indicadores de análise técnica – o oscilador estocástico. Em suas palavras, o indicador mensura o momentum do preço de um ativo:

“Se você visualizar um foguete subindo no ar – antes que ele possa virar para baixo, ele deve diminuir a velocidade. Momentum sempre muda de direção antes do preço.”

A analogia com a desaceleração de um foguete denota a natureza antecedente (“leading”) do indicador: ele visa antecipar o movimento futuro dos preços, em contraste com indicadores defasados (“lagging”), como médias móveis, que são meramente descritivos.

Em sua construção, o autor buscou incorporar a premissa de que, à medida que os preços sobem, os preços de fechamento tendem a se aproximar do limite superior da faixa de preço recente (o inverso, à medida que os preços caem). O distanciamento deste limite, portanto, reflete uma desaceleração que precede uma virada de direção no ativo.

O sistema é composto por dois indicadores, que oscilam de 0 a 100, cuja intersecção serve como sinal de entrada e saída:

Tradicionalmente, pela proximidade com o valor máximo do indicador, a região superior a 80 denota uma condição batizada de “sobre-compra” no ativo – contexto para sinalizações de venda pelo sistema. Analogamente, pela proximidade com o valor mínimo do indicador, a região inferior a 20 denota uma condição batizada de “sobre-venda” – contexto para sinalizações de compra.

Uma fraqueza comumente atribuída ao sistema é o de que ele não obtém bons resultados quando o ativo se encontra em tendência. A observação é de que, em fortes tendências de alta, o indicador permanece naturalmente na região de sobre-compra; em fortes tendências de baixa, o indicador permanece naturalmente na região de sobre-venda. Como consequência, sinalizações falsas de venda e de compra são produzidas nestes períodos, respectivamente. Essa fraqueza, contudo, não impede o uso do sistema, que foi adaptado conforme descrito a seguir.


1. Setup

Em sua forma mais simplória, o sistema sugere comprar o ativo quando o %K ultrapassar %D, e vender quando o cruzamento for oposto. Ou, tradicionalmente, apenas fazê-lo em condições de sobre-compra (para venda) e sobre-venda (para compra). Na plataforma, vamos desconsiderar o cruzamento como sinalização de entrada, e incluir o filtro de tendência anteriormente discutido.

Note como esse método contorna a fraqueza do indicador supracitada: ele ignora sinalizações de venda em tendências de alta, e de compras em tendências de baixa.

Há inúmeros setups alternativos baseados no Estocástico, tanto utilizando-o exclusivamente, como em conjunto com outros indicadores. Dentre eles, o maior destaque é provavelmente o que se baseia em divergências entre o indicador e o preço do ativo: o ativo marca máximas ascendentes enquanto o estocástico apresenta valores descendentes, por exemplo.


2. Parâmetros

O valor comumente utilizado para o %K é o de 14 períodos, e 3 para o %D. Aqui, utilizaremos o de 10 para o %K, e o usual para o %D. Novamente, o importante é ter consciência do trade-off envolvido: quanto menor o período, mais sensíveis serão os indicadores. A sensibilidade implica em uma maior facilidade em atingir os valores para acionamento, e consequentemente maior será a frequência de operações.

Em relação a região de sobre-compra e sobre-venda, utilizaremos valores mais acomodativos que os tradicionais: de 70 e 30, respectivamente. Essa é uma alternativa popular que atua no mesmo sentido do parâmetro anterior - afrouxar as condições para acionamento. Nos testes realizados, exigir os valores mais extremos não beneficia a estratégia.


3. Vantagens e Desvantagens

Com o filtro de tendência, essa estratégia busca capturar o final de todas correções. Ou seja, ela se propõe a fazer com perfeição aquilo que toda estratégia seguidora de tendência almeja. A ideia é que condições de sobre-venda em tendências de alta e sobre-compra em tendências de baixa representam as melhores oportunidades de entrada a favor da trajetória em vigor, pois elas ocorrem após uma forte movimentação contrária. Essa pretensão se manifesta nas operações ganhadoras, e explica a sua assimetria.

A maior desvantagem, assim como a do setup do DMI, advém da especificidade dessas condições: em tendências fortes, o oscilador estocástico não atinge os patamares necessários para entrada. Por essa razão, a frequência de operações por esse setup também é baixa. Pode acontecer de se ficar de fora de uma grande movimentação direcional, no aguardo de uma correção que não se materializou.

Uma vantagem secundária é que esse setup é o único dos 4 apresentados que também se aproveita de eventuais períodos de congestão. Esse contexto dispensa filtros, pois é justamente sob ele que o indicador tradicionalmente prevalece.

Ainda, mesmo em estratégias alternativas, o Estocástico não deixa de ser uma ferramenta útil. Condições de sobre-compra e de sobre-venda, como a terminologia sugere, manifestam-se após movimentações crônicas em uma mesma direção. Essa é uma informação valiosa que pode ser aproveitada de inúmeras formas, conforme mencionamos anteriormente, em diferentes estratégias.


4. Resultados

Esse setup apresenta um perfil de resultados muito similar ao do DMI, abordado anteriormente: alto payoff, baixo índice de acerto, frequência baixa.

Dentre os 4 setups comparados nesta série, este detém o menor profit factor médio, para os 7 ativos trabalhados na periodicidade diária – ainda que alto. Fruto do payoff, o segundo mais alto na média, que compensa o índice de acerto médio pouco inferior a 30% - o mais baixo.

O drawdown (medida da maior perda acumulada no período amostral) ajustado pelo número de operações é o maior. Este, somado ao baixo índice de acerto, são os maiores comprometimentos do alto profit fator.

O teste foi realizado de acordo com as condições de entrada, saída e filtro de tendência postuladas no texto introdutório dos setups. A única modificação realizada foi a adição de um filtro de posições adicionais, permitindo que uma nova entrada só ocorra a cada 4 candles. Esse ajuste deriva da observação de que, em muitos casos nos quais a operação sofre stop, uma nova operação lucrativa se origina algumas barras à frente. Porém, quando os sinais “disparam” em sequência, a operação fica redundante. A “distância” de 4 ou mais barras de distância acomoda espaço para prevenir essa redundância, sem perder novas oportunidades.

O baixo número amostral foi novamente um problema. Como uma forma de compensá-lo, trazemos também resultados do setup no tempo gráfico de 12 horas. Os resultados reforçam a consistência da estratégia, que não só se manteve rentável para todos os pares, como também apresentou uma melhora em praticamente todas as métricas, na média (com exceção do payoff). Em especial, o drawdown (ajustado) médio foi reduzido quase pela metade, em relação ao tempo gráfico diário.


5. Exemplo

Abaixo segue o exemplo de uma operação.

Este artigo veio da assinatura Paradigma Pro

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