🤯 6 novidades na maior cripto-conferência do ano: Devcon VI
Fomos até Bogotá para trazer a vocês as tendências tecnológicas da criptosfera para 2023.
A Devcon é uma das conferências mais importantes do ano. Reúne os melhores em suas respectívas áreas e um termômetro para novidades no cripto-mercado.
Neste ano, voamos até Bogotá para assistir as palestras e conversar com pessoas de diferentes comunidades para monitorar esta tendências.
Documentamos todas as narrativas em voga e trouxemos para você interar-se dos principais assuntos do cripto-mercado.
Aproveite 😉
1 - 🤯 O boom em Zero Knowledge Proof
Ao total, ocorreram 38 palestras sobre zero knowledge proof na Devcon.
Contando com uma trilha somente destinada a este tema, ZKP foi um dos tópicos mais debatidos dentro e fora das palestras.
Zero knowledge proof é um protocolo criptográfico que possibilita a verificação de informações sem a necessidade de conhecer todos os dados por trás dela. Sua capacidade de garantir a veracidade de informações, mantendo a privacidade das partes envolvidas, atraiu a comunidade e empresas estão desenvolvendo suas soluções.
ZKs também tem sido utilizada no desenvolvimento de L2, as chamadas zkRollups. São blockchains usadas para dar maior escalabilidade a Ethereum, combinando sua capacidade de armazenar o mínimo possível de informação onchain e a segurança da Ethereum.
Empresas na vanguarda no desenvolvimento de zkRollups são Polygon, zkSync, Scroll, Aztec e Starknet. Vale lembrar, a BNB CHain também está elaborando sua zkEVM.
Em 2023, veremos um corrida de L2s baseadas em ZKs, semelhante a disputa das Ethereum Killers em 2021. Para você capitalizar sobre a narrativa, vale ficar atento ao lançamento de cada uma delas: você pode aproveitar de protocolos novos, coleções de NFTs recém-lançadas e receber airdrops por suas interações com as blockchains.
Escrevemos um artigo sobre a Layer 2 e esmiuçamos os detalhes das diferentes soluções e como posicionar-se. Clique aqui para acessá-lo.
Além das L2, outras aplicações estão sendo desenvolvidas utilizando ZKPs. Graças a sua capacidade de garantir a veracidade das informações sem a necessidade de revelar todos os dados:
Dentre os dapps em proeminência, destacam-se os jogos desenvolvidos pela 0xPARC. O time de research focado em zero knowledge proof inovou com a criação do Dark Forest e já possui + 2 games, um deles lançado durante a Devcon.
2 - 🤖 O súbito interesse por MEV na Devcon VI
Durante a Devcon a palavra MEV pipocou em vários painéis na conferência: 22 palestras trataram sobre o assunto. Na última conferência, realizada em 2019, não ocorreu nenhuma palestra sobre MEV.
MEV ou Valor Extraível pelo Mineiro (ou validador) é definido como a capacidade de mineradores ou validadores reordenarem, excluírem ou incluírem blocos para aumentar a lucratividade de sua atividade.
Existem críticas ao MEV, porque seu uso possibilita bots e/ou validadores copiarem estratégias de traders, copiá-las e executá-las em benefício próprio. Poucos sabem como usar o MEV a seu favor ou mesmo proteger-se de ataques vindo de terceiros.
Mesmo com estes problemas, MEV faz parte da natureza permissionless das blockchains. É um retrato do oligopólio formado pelos responsáveis por assegurar a rede.
A Flashbots é a provedora do software mais utilizado por validadores para capturar MEV, o mev-boost. Nâo por acaso, seus integrantes compuseram a maioria dos palcos na Devcon VI.
Atualmente, 79.73% dos validadores usam a solução da Flashbots para extrair o valor máximo ds blocos. Esta porcentagem preocupa a comunidade quanto a centralização da validação e inserção de novos blocos na Ethereum utilizando o mev-boost.
Para oferecer seu software, a empresa respeita regulações americanas, obrigando-a a censurar transações contendo endereços incluídos na OFAC (Agência de Controle de Ativos Estrangeiros dos EUA). A adoção majoritária pelo mev-boost, afeta diretamente a neutralidade da Ethereum.
Vale mencionar, empresas como Eden Network e Blocknative também detém o mesmo posicionamento regulatório.
Fonte: mevwatch.info
Após o Merge, a adoção do mev-boost só cresceu, aumentando a porcentagem de blocos censuráveis, alcançando a marca de 52%.
Para incentivar a descentralização, a Flash Bots tornou open-source seu relay e anunciou na Devcon VI o SUAVE - Single Unifying Auctions for Value Expression -.
A nova aplicação consiste num construtor de blocos descentralizado, compatível com a Ethereum e blockchains EVM. Com ela, o nível de dependência dos validadores da Flashbots diminuirá e usuários poderão construir versões de softwares adequadas as suas necessidades.
Mesmo com a introdução do SUAVE para tornar o MEV mais “saudável” e a criação de aplicações como a Flashbots Protect, para proteger usuários sem conhecimento sobre o assunto, é inegável o impacto negativo do MEV na blockchain.
Do outro lado do espectro, temos a CoW Protocol. Integrantes também ministraram palestras na Devcon, mas focando no outro lado da moeda: como proteger usuários dos males do MEV?
A CoW ou Coincidence of Wants é uma solução desenvolvida pelo protocolo, composto por ex-membros da Gnosis DAO.
Seu funcionamento baseia-se na capacidade de prover a traders um meio de negociar tokens sem passar por AMMs. A negociação é realizada off chain, com a inserção de várias ordens num único bloco e sua execução via peer to peer. No CoW Protocol, os solvers são responsáveis por fazerem ordens de compra e venda encontrarem seu match.
Há maneiras para capitalizar sobre ambas narrativas?
Não há nenhum instrumento para investir na Flashbots, mas você pode usar suas ferramentas para ganhar dinheiro.
- A 1ª opção é rodar um validador localmente e usar o mev-boost para conseguir extrair recompensas ao validar/inserir blocos na Ethereum. Com o SUAVE, esta oportunidade vai expandir-se para outras blockchains. Se você não tiver 32 ETH para colocar em stake, pode optar por protocolos como a Rocket Pool, que contam com soluções simples para montar seu validador.
- Uma 2ª ideia é utilizar o Flashbots Protect. Com ele, você envia sua transação diretamente para validadores ao invés de mandá-la para a mempool pública. Optar por esta ferramenta, pode lhe dar vantagens ao mintar um NFT disputado ou diminuir as chances de sofrer front-running.
No caso da CoW Protocol, o meio mais simples de investir no protocolo é através de seu token. No entanto, a ausência de utilidade e uma falha no design do tokenomics, dificultam o COW ganhar valor. Por este motivo, o método recomendado para expor-se a CoW Protocol é simplesmente usar sua solução.
Outros assuntos sobre MEV para você ficar de 👀
AMMs capturando MEV (McAMMs): Um novo design para AMMs que possibilita-as capturar parte do MEV de validadores e transformá-lo numa receita para seu protocolo.
MEV NFT: forkando o ERC-721 para Bloquear Arbitragens Atômcas: O fork do ERC-721 permitiu um pesquisador desenvolver um padrão para NFTs que bloqueia bots e protege usuários.
A construção de blocos após o Merge: Com a entrada do PoS, o MEV torná-se uma característica cada vez mais presente no cotidiano de pesquisadores e validadores, podendo trazer riscos para a neutralidade da Ethereum e dos usuários da rede.
3 - ❌ O fim das governanças tradicionais
Com uma trilha destinada somente e governança, representantes das DAOs compareceram para trazer suas experiências para a comunidade.
Diferente de Devcons passadas, o sentimento não era de otimismo. Era latente a preocupação dos contribuidores em desenhar governanças mais eficientes para suas organizações.
A grande diferença entre eles era qual o significado de eficiência: descentralização ou receita?
O sentimento compartilhado entre todos era: o modelo de “1 token, 1 voto” está falido. Adotado majoritariamente por DAOs, cria plutocracias internas, dando maior influência aos membros com dinheiro suficiente para comprá-lo.
Para solucionar este problema, são propostas ideias com objetivos diferentes.
A Token House usa o sistema de 1 token/1 voto, enquanto a Citizen House será um governança baseada na reputação/contribuição de cada membro.
DAOs como a Optimism, querem encontrar mecanismos para manter sua descentralização intacta. Não será extinta a desigualdade de poder na governança, mas amenizada, dividindo-a em 2 câmaras distintas. Em cada uma delas, os membros da organização tomarão decisões sobre determinados temas e, numa delas, os votos não serão comprados, mas ganhados como sinal de contribuição a DAO.
Outras organizações, querem centralizar suas operações, em prol da eficiência. A existência de baleias responsáveis por definir resultados de votações em governanças não é nenhuma novidade. O que busca-se é institucionalizar esta prática.
A Element Finance apresentou sua nova governança (esq.), enquanto a Maker expôs seus futuros mecanismos para tomada de decisão (dir.)
A Element Finance está estabelecendo um Conselho de Diretores para representar os interesses dos membros. Já na Maker DAO, o plano é possibilitar delegados da DAO formarem partidos políticos para unirem-se e aprovar suas pautas.
Em ambos os modelos, as organizações pretendem dar autonomia para seus “setores” internos terem governanças próprias, responsáveis por votarem a entrada de novos membros, orçamentos e atualizações. Sugere-se até a criação de metatokens, válidos somente nas votações das subDAOs.
Por que a mudança? Baixa participação de participantes da DAO, ruptura ideológica entre membros e interesse em manter no poder os mais envolvidos no projeto.
Nos próximos meses, veremos uma modificação nos mecanismos de decisão de organizações descentralizadas, o que afetará diretamente no desenvolvimento dos projetos. Ficaremos de olho para analisar qual modelo mostra-se mais eficiente.
4 - 📉 A sobrevivência das DAOs no bear market
Palestra da Maker DAO durane a Devcon VI.
Mercados de baixa são momentos difíceis para projetos conseguirem obter receita suficiente para se manterem. Durante o bull market, propostas são aprovadas com facilidade e a euforia toma conta da comunidade. Contudo, no bear market, tudo muda.
Durante a Devcon, contribuidores da Maker apontaram que sua organização tem um custo maior que a receita obtida com o protocolo. Com um gasto de U$30M com salário de membros, a DAO tem procurando maneiras de obter yield com seu tesouro, para não consumir seu tesouro com gastos operacionais.
DAOs com centenas de milhões de dólares guardados, como Uniswap, Lido e ENS possuem dinheiro suficiente para suportar até o próximo bull market. No entanto, organizações menores podem não suportar a escassez de receita somada a depreciação dos tokens no tesouro - via de regra, DAOs o mantém no seu token de governança -.
Para analisar a saúde financeira de organizações descentralizadas, você pode usar o Deep DAO para estudar a composição do ativos no caixa e Token Terminal para verificar a receita obtida por cada uma delas.
A receita exibida no Token Terminal mensura somente a captação através do seu principal modelo de negócio. Fontes alternativas de renda como monetização de tesouro ou liquidity mining em outros protocolos não são inclusos. Fonte: Token Terminal.
A Ethereum Name Service possui uma constante receita, graças a venda recorrente de domínios somada aos royalties da negocição dos NFTs no secundário. Em maio, faturou U$1M num único dia e vem captando ~U$80K/dia com seu modelo de negócio. Seu tesouro é composto majoritariamente por seu token de governança - U$1.3B - e ETH - U$43M -.
Com estas duas ferramentas você conseguirá monitorar a lucratividade e sustentabilidade de DAOs, o ajudando na tomada de decisões para investir em seus tokens.
5 - ✌️ Public Goods na web3
Dias antes da Devcon VI, a Gitcoin - em parceria com outros projetos - organizou o Schelling Point. O evento reuniu pessoas referências em public goods. Mas você sabe o que é isso?
Na econômia, public goods ou bens comuns, são definidos como comoddities e/ou serviços disponíveis para toda a sociedade. Tradicionalmente, são criados e gerenciados por Estados, responsáveis por prover a população o bem-estar, garantidos com saúde, educação e cultura, por exemplo.
A ineficiênia do Estado em cumprir seu papel, impulsionou o setor privado para desenvolver public goods. Quando empresas privadas destinam parte de sua receita para diminuir o desmatamento na Amazônia ou ONGs arrecadam fundos para compra de materal escolar, estão investidos em bens comuns.
Nos últimos anos, cripto-projetos vem construindo suas alternativas para financiar public goods.
A rodada com maior captação de recursos foi no final de 2021, com U$11.2M em doações recebidas. Fonte: Gitcoin
Um exemplo é a Gitcoin: implementando a votação quadrática, ajuda projetos open source a captar recursos para serem desenvolvidos. U$71.6M foram doados usando sua plataforma nos seus 5 anos de existência.
Os Public Nouns tem um preço médio de 3 ETH, mas alguns NFTs são vendidos mais caros: o 8º pNoun foi vendido por 8.69 ETH.
Já a Public Nouns, fork da Nouns DAO criados por organizações como Moloch, Optimism e Metacartel, leiloa 1 NFT a cada 12 horas. Em menos de 1 mês, arrecadou U$189K e o dinheiro será gerido por sua comunidade, somente para investir em public goods.
Devido ao conceito de public goods ser amplo, possibilita protocolos construírem soluções com o próprio entendimento de bens comuns. Redes sociais descentralizadas, comunicação sem censura, descentralizar pesquisas acadêmicas e até a infraestrutura da Ethereum podem ser enquadradas nesta definição.
Com tantos pessoas construindo sobre a mesma narrativa, torna-se difícil discernir quais estão procurando desenvolver public goods e quais querem aproveitar-se da tendência para captar fundos.
Se você tem uma ONG, ação social ou desenvolve projetos disponíveis a todos e benéficos para a coletividade, fique de olho nas rodadas de financiamento da Gitcoin. Além disso, submeter propostas em DAOs para financiar public goods pode ser eficiente para tirar sua ideia do papel.
6 - 🎮 Desenvolvedora do Dark Forest lança novo game
Dark Forest é um jogo on-chain desenvolvido com zkSNARKs. Foi criado por gubsheep e aperfeiçoado por sua empresa, a 0xPARC, junto dos jogadores do game. Consiste numa batalha intergalática por recursos e planetas, onde os players podem usar quaisquer meios para conseguir vencer seus oponentes.
Desde seu lançamento em 2020, conquistou uma legião de fãs. Sua natureza on-chain, possibilitou a comunidade criar plug-ins para o jogo, adicionar novas funcionalidades e usar bots e IAs para melhorar seu desempenho.
DAOs foram formadas dentro do Dark Forest, unindo jogadores para disputar recursos de seu universo. Elas têm suas respectivas governanças e mecanismos de tomada de decisão para coordenar as facções no jogo.
Após o Dark Forest, a 0xPARC lançou durante a Devcon VI, o OPCraft. O game é um Minecraft on-chain na Optimism, onde cada bloco minerado no jogo existe na blockchain.
Ainda há poucos players no jogo e pouco foi construído sobre ele, mas pode ser uma oportunidade de construir sua reputação na comunidade e evoluir antes da sua chegada no mainstream.
Durante a Devcon VI, temas como Account Abstraction, segurança na web3 e o mercado de staking também foram muito discutidos, mas menos dos que as novidades trazidas aqui.
Você pode assistir todas as palestras da conferência, clicando aqui.