Paradigma

🧠 6 Insights sobre o NFT Rio

Uma análise sobre a conferência de artistas e empreendedores brasileiros realizada no Rio de Janeiro.

Entre os dias 30 de junho e 4 de julho ocorreu o NFT Rio, no Parque Lage/RJ. O evento reuniu artistas brasileiros, empresas desbravando o mundo dos digitais colecionáveis, a comunidade cripto, ávida por novidades e pessoas curiosas em aprender mais sobre este mercado.

Assistindo às palestras e conversando com as pessoas presentes, fizemos uma análise sobre a conferência de NFTs realizada no Rio de Janeiro, trazendo 6 insights sobre o evento.

1) Artistas brasileiros 🤝 Arte Generativa

Na foto, Carlos Vamoss (dir), Thiago Yaak (centro) e Jorge Ledezma (dir).

Palestas da Artblocks e de artistas brasileiros com conhecimento sobre o tema - Carlos Vamoss, Jorge Ledezma, Thiago Yaak, Fesq e Uno de Oliveira - atrairam a atenção de artistas presentes no evento, sejam alunos da escola de artes ou profissionais com anos de experiência.

2) DAOs foi uma das buzzwords no NFT Rio

Existem mais de 4.000 DAOs atualmente e estas surgem para atender nichos específicos, assim como o mercado tradicional. Qualquer grupo de pessoas pode unir esforços, criar uma carteira, mecanismos de votação, visando atingir um objetivo. O importante é estar ciente dos prós e contras das DAOs.

Apesar de ser um evento de NFTs, praticamente todas as palestras abordaram o tema. Muitas pessoas estavam no evento buscando formas de descentralizar negócios e torná-los mais escaláveis. Apesar disso, ainda há desconhecimento quanto suas potenciais desvantagens e a dificuldade em conseguir operar a transação de empresas web2 para Organizações Autônomas Descentralizadas. O interesse sobre as DAOs assemelha-se ao experimentado em 2021, com os NFTs.

3) Emissão de moedas sociais em comunidades

Axel Grael, prefeito de Niterói (dir), e Bob Burnquist (centro) discutindo sobre a Arariboia no NFT Rio.

Na palestra do prefeito de Niterói com o Bob Burnquist, discutiu-se sobre a sua cripto local, a Arariboia. Segundo ele, seu uso facilita a distribuição de recursos para famílias carentes, atuando como um programa de transferência de renda permanente. A prefeitura de Niterói informa que o sistema tem um custo de R$135M/ano, possibilitando a realização de 730 mil transações até o momento, com R$50M circulando desde o começo de sua implantação. O uso de moedas sociais em cidades brasileiras já foi implementado em outras cidades do Rio de Janeiro, como Cabo Frio, Petrópolis, Itaboraí e Saquarema. Em todas elas, as moedas sociais servem para incentivar o consumo da comunidade local, facilitar o acesso ao crédito das pessoas nas comunidades e introduzir novas pessoas na economia digital. Deste modo, esta tecnologia torná-se uma facilitadora para implementação de políticas públicas.

Para serem distribuídas, deve-se seguir parâmetros estabelecidos pelo Banco Central do Brasil. Lastro em moedas fiduciárias, conversibilidade para real, circulação restrita a um determinado território e reinvestimento dos lucros obtidos pelas prefeituras no local de sua circulação são requisitos a serem cumpridos para as moedas sociais circularem legalmente.

A criação destas moedas locais pode representar uma inovação para as comunidades, mas nenhuma delas é tokenizada, ou seja, não utilizam blockchains para transferir dinheiro de um ponto a outro. Ainda assim, é interessante observar este movimento ocorrendo em território brasileiro.

4) Representatividade na web3

Mulheres palestram durante o NFT Rio, contando sobre suas experiências na web3. 

Houveram pelo menos três palestras discutindo a predominância masculina em cripto e a importância de projetos que promovam a inserção de mulheres e pessoas LGBTQIA+ no setor. World of Women é uma das iniciativas internacionais mais conhecidas, direcionando fundos para financiamento de artistas, doações para instituições de caridade e programas educacionais. No exterior, há ainda outros grupos com objetivos parecidos, como a H.E.R. DAO e a Blu3 DAO.

Em terras brasileiras mulheres também uniram para construir projetos semelhantes a WoW. Women Force NFT, que se apresentou no palco do NFT Rio, traz a ideia de destinar 10% para financiamento de projetos sociais: 5% irão para contribuir em empreendimentos com lideranças femininas e 5% para ajudar na proteção da Amazônia.

A EVE NFT, presente durante o pitch da Women Force NFT, é outro exemplo da união feminina para promoção da inclusão na web3. Seu diferencial é optarem pelo modelo de DAO para organizarem-se. Possuindo como fundadoras mulheres referências em suas respectivas áreas, a intenção da organização é oferecer cursos, mentorias, workshops e todo o conteúdo necessário para fazer o onboarding de mulheres no mercado cripto.

Além disso, contribuidoras da Bankless BR DAO e Niftfy trouxeram sua visão do mercado cripto. Solange Gueiros uniu-se as elas, narrando sua jornada como desenvolvedora de contratos inteligentes, trabalhando atualmente na Chainlink. Segundo ela, a escassez de programadores especializados na área, pode ser uma oportunidade para mulheres inserirem-se no setor.

5) Construção de marcas e comunidades na web3.

Palestras sobre estes temas lotaram o auditório no Parque Lage, com muitos interessados em replicar a fórmula dos Bored Apes em seus negócios e com dúvidas sobre como engajar pessoas utilizando a blockchain. Houve uma discordância, até mesmo entre os palestrantes sobre o Discord.

Vários criticaram a plataforma, argumentando que não é uma ferramenta simples de ser utilizada e dificulta o onboarding de novas pessoas na web3. Outros pontos como a dependência das comunidades do Discord apontaram a necessidade de construir soluções mais descentralizadas para os cripto-projetos organizarem-se. Protocolos tem construído mecanismos para criar um ambiente amigável e onchain, como a Mirror.xyz e Lens Protocol, dapp desenvolvido pelo time da Aave. Contudo, ainda não há plataformas com o mesmo nível de adoção do Discord.

6) Dados pessoais x Blockchain

O uso de blockchains com foco em privacidade para guardar informações médicas é o objetivo da Abakhus, um projeto no palco do pitching no NFT Rio. Usando a Secret Network, prometem oferecer aos seus clientes privacidade nos dados médicos coletados, considerados sensíveis pelas legislações de proteção de dados ao redor do mundo - inclusive a brasileira.

Mesmo tratando-se sobre transações públicas na blockchains, há debates quanto a incompatibilidade da natureza da tecnologia com a privacidade dos dados pessoais. Graças a ferramentas de análise onchain, como a Chainanalysis, pessoas são identificáveis com o rastreamento das operações realizadas por elas. Além deste fator, reguladores estão apertando o cerco para aplicar o KYC - identificação pessoal - em wallets, obrigando usuários a declarar os destinatários ao realizar transações.

Nativamente, a blockchain usada pelos criadores do projeto permite somente o criador da transação e aqueles que ele conceder acesso visualizarem os dados de sua operação, inserindo uma camada adicional de anonimidade. Poderão a Secret Network e dapps de sua rede capitalizar sobre esta narrativa?

Este artigo veio da assinatura Paradigma Pro

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