💣 3 dos 6 bancos mais pró-cripto dos EUA fecharam as portas
A insolvência de um banco californiano abalou as estruturas do criptomercado neste fim de semana.
💣 3 dos 6 bancos mais pró-cripto dos EUA fecharam as portas
“Como assim?! - o iceberg bateu na gente!”. A tira de Ben Garrison ilustra a pirâmide do mercado financeiro tradicional americano. O SVB e Silvergate já foram, quem serão os próximos?
A semana não foi fácil para os donos de startups - web2 e web3. O Silicon Valley Bank (SVB), um banco californiano com forte sinergia entre empresas tech, “quase quebrou”, causando um caos no mercado financeiro e impactando também a criptosfera.
O SVB serve de cofre para empresas guardarem seus caixas, principalmente aportes de fundos de investimentos gringos. Essa grana parada nas contas é alocada pelo banco em outros investimentos de “menor risco”, para render mais lucro a ele. É uma prática comum - e arriscada - de instituições financeiras.
Para isso, comprou U$80B em títulos ligados ao mercado imobiliário americano, ganhando 1.5% a.a. Contudo, a alta dos juros nos EUA afetou seu investimento, porque podiam faturar mais em outros produtos, desvalorizando os ativos que havia comprado.
Com a desvalorização dos títulos e pouca liquidez em caixa, começou a vendê-los com prejuízo, para evitar maiores problemas. Quando o seu CEO avisou o mercado de sua posição e vendas realizadas, o caos começou.
Empresas com conta no SVB, com receio de falta de liquidez no banco, começaram uma corrida para tirar seu dinheiro de lá. U$42B foram sacados num único dia. A demanda desenfreada por saques acabou por tornar o banco insolvente.
Mas onde isso afetou cripto?
A Circle, emissora da USDC, informou que dos U$43.5B de reservas da sua stablecoin, *U$3.3B estavam no SVB. Com isso, seu criptodólar colateralizado não era mais tão colateralizado assim.
A USDC atingiu U$0.87 na madrugada do dia 11/03, mas recuperou seu valor após o governo americano declarar que ia salvar o SVB.
Esta notícia causou a perda de paridade da USDC com o dólar, afetando todo criptomercado. Vários criptodólares são colateralizados pela moeda emitida pela Circle, tornando-as dependentes de seu valor. DAI e FRAX foram as mais afetadas, mas até aquelas sem nenhuma dependência direta da USDC, como LUSD e RAI, também sofreram o baque.
Não apenas as stablecoins, mas todo o mercado de DeFi é ancorado em USDC. Ela ganhou espaço nos últimos anos e muitos, desconfiados das reservas da Tether, migraram sua liquidez para a moedinha da Circle. Vale mencionar, a USDT passou incólume durante este período, sendo a principal busca por usuários que queriam desovar suas USDC. Parece que o jogo virou, não é mesmo? 🤔
O caos na Circle fez DAOs correram para aprovar medidas de emergência, visando reduzir danos, caso o depeg continuasse. Tava todo mundo preocupado. No desespero, um usuário trocou U$2M de USDC por U$0.15 em USDT. O prejuízo de U$2M no trade foi causada por um front-running de um bot, somado a ausência de liquidez numa pool da Uniswap. A Kyber, protocolo utilizado, desculpou-se publicamente e disse que vai melhorar a UX para seus usuários.
Enquanto isso, baleias se posicionavam em meio ao caos. Haviam os mais degenerados, como Vitalik e POAP, comprando USDC para apostar no retorno da paridade com o dólar. Do outro lado, fundos de investimento usavam seus USDC para comprar USDT, vendendo-os no prejuízo. Quem se deu bem nessa?
Aqueles que confiaram na salvação divina do governo americano 🙏
Na segunda-feira, o Tio Sam anunciou que iria intervir no Silicon Valley Bank, um alívio para a Circle e as startups com grana no SVB. O otimismo fez a USDC e outras stablecoins voltarem a U$1, pumpando os preços do bitcoin, ether e altcoins.
Ainda que os preços estejam subindo, o crash no mercado bancário parece longe de acabar. Credit Suisse demonstra falta de liquidez e vários bancos menores nos EUA estão na mesma onda. Além disso, o Signature Bank foi fechado, não por estar insolvente, mas por sua sinergia com o criptomercado.
Se isso afetará cripto, não sabemos, mas reforça as premissas do Bitcoin e destaca a dependência dos protocolos DeFi de empresas centralizadas.
🙏 A Ascensão das Stablecoins Descentralizadas
LQTY (laranja) e FLX (azul) subiram 91% e 118%, respectivamente, após o depeg da USDC. via Parsec.
Quando a confiabilidade de stablecoins centralizadas é posta a prova, todos correm para as mais descentralizadas do mercado: RAI e LUSD.
LUSD é emitida pela Liquity. Consiste num criptodólar colateralizado somente por ETH e usa um mecanismo que exigir apenas 110% de colateralização, para pegar LUSD emprestado. Não roda seu frontend para impedir reguladores de censurarem sua emissão. Ao invés disso, incentiva a comunidade rodá-los, recompensando com LQTY.
RAI é um índice lastreado em ether, emitido pela Reflexer. Acompanha seu preço, mas atenuando sua volatilidade. Utiliza uma matemática complexa para isso, mas manteve-se resiliente desde sua concepção, mesmo com todos os crashs. O FLX serve para governar as poucas coisas “governáveis” no protocolo, já que sua narrativa é ser um projeto com poucas modificações, para ater-se a sua missão principal: um stablecoin colateralizada por ETH, sem paridade com o dólar.
Ambas as narrativas eram prato cheio pros degens durante o caos do fim de semana.
LQTY e FLX chegaram a valorizar 91% e 118%, respectivamente, desde o dia 09/03, sofrendo uma correção após o retorno da paridade da USDC.
Muito além da especulação, a demanda por LUSD e RAI aumentou. Traders abriram posições nos protocolos e as mantiveram mesmo com as “boas novas” do governo americano.
Não dá para saber se a tendência continuar, mas uma coisa é certa: em momentos de stress, sempre fique de olho em tokens de governança vinculados a protocolos com maior nível de descentralização, como Liquity e Reflexer.
😳 Euler perde U$200M em hack e ao menos afeta 15 protocolos
O preço do EUL, token de governança da Euler, caiu 66% desde o hack.
Infelizmente, ataques em protocolos DeFi são frequentes. Vulnerabilidades em contratos inteligentes, mesmo auditados, são exploradas por hackers, roubando milhões de projetos.
A Euler Finance perdeu U$200M num desses. Um usuário percebeu uma falha no código e fez um flash loan, pegando U$8.7M em DAI, U$18.7M em WBTC, U$136M em stETH e U$34M em USDC.
Apesar da quantia alta, tivemos outros hacks maiores, como o de U$625M da Axie Infinite. O que chamou a atenção foi a dependência de outros protocolos da Euler Finance.
Muitos projetos integravam a Euler em suas soluções, oferecendo uma otimização do yield pago por ela, seja com recompensas em seus tokens, seja reinvestindo os lucros obtidos. Balancer, Yearn, Harvest, Inverse, Aztec e Idle são apenas alguns deles - e o problema pode ser ainda maior.
Protocolos como a Idle Finance ofereciam integração de suas pools em plataformas, permitindo usuários delas ganharem juros sobre suas estratégias sem que elas precisassem desenvolver algo.
Com o hack da Euler Finance, todos aqueles ligados umbilicalmente nos seus contratos foram afetados, mostrando o risco de projetos demais utilizarem uma única solução.
🆕 A Nova Fase da Filecoin
Filecoin é uma blockchain proof of stake criada em 2020, voltada para armazenamento descentralizado. Os nós da rede ganham incentivos para guardarem informações e garantirem a veracidade dos dados armazenados nos validadores da chain.
O projeto lançou uma atualização tornando-o compatível com contratos inteligentes da Ethereum, permitindo desenvolveres construírem dapps sobre sua blockchain. Deste modo, a FVM - Máquina Virtual da Filecoin - aumenta a demanda pelo espaço dos seus blocos, contribuindo para o FIL - token da chain - capture valor.
Nos dias que antecederam o upgrade, a FIL subiu 35%. Logo após o lançamento da atualização, o token perdeu 20% de valor.
Notícias para ficar de 👀
🧠 Pokémon procura expert em web3.
🦸 Pixel Vault lança whitepaper.
📉 Meta descontinua suporte a NFTs do Instagram.
⏭️ Aztec acaba com suporte a sua ZK, para focar na próxima.