1️⃣1️⃣ Setup #4: Inside Bar, a Barra Contida
Poderia uma formação simples de candle proporcionar um dos métodos mais assimétricos de explorar o mercado? A quarta estratégia da série diz que sim.
O Inside Bar (ou Inside Candle), diferentemente dos setups anteriores, não é atribuído a um autor específico. A razão para isso é que ele, por si só, denota uma configuração genérica de candles, e não uma estratégia. Essa formação consiste em uma barra que está inteiramente contida na anterior (ou seja, uma máxima menor e uma mínima maior que as prévias).
Os que acompanharam esta série por completo devem lembrar que mencionamos o Inside Bar anteriormente, como uma maneira de contornar o gap que a formação de Harami exige (esta, que considera apenas o corpo do candle, ignorando as sombras). A principal distinção entre eles que recebe atenção, contudo, não deriva dessa peculiaridade.
Recapitulando, Steve Nison descreveu o Harami como uma formação de reversão, em que o candle “contido” necessariamente contrasta em cor com o anterior, e sugere que a movimentação seguinte será contrária. Há uma inferência de direção.
Porém, corroborado pelos estudos de Bulkowski, essa inferência passou a ser percebida como falha - tanto para o caso altista, como baixista. Derivado dessa percepção, o Inside Bar emergiu como uma adaptação do Harami, através de uma formação menos restritiva (que não exige gap, não exige contraste de cor e leva em consideração as sombras) em que a inferência de direção foi substituída por uma inferência de direcionalidade.
O racional é que o Inside Bar representa uma compressão de volatilidade, que tende a iniciar uma movimentação direcional para o lado que for ultrapassado primeiro. Assim, a configuração de uma barra contida na prévia foi apropriada como estratégia por diversos traders. O viés de direção, antes determinado pela formação do candle em si, passa a ser determinado pela tendência em vigor.
1. Setup
O ponto de entrada de compra ocorre na superação da máxima do Inside Bar, desde que o ativo esteja em tendência de alta. O ponto de entrada de venda ocorre na violação da mínima do Inside Bar, desde que o ativo esteja em tendência de baixa.
Em ambos, a entrada precisa ocorrer necessariamente no candle subsequente. Caso contrário, a ordem é cancelada.
Aqui na plataforma, somada às condições acima, será incluída uma restrição adicional: o acionamento não pode ocorrer fora da Banda de Bollinger. O intuito é impedir que entradas sejam feitas em momentos de euforia - lembrando que este é um indicador de volatilidade.
Em relação à política de saída, apesar de todos os resultados apresentados nesta série utilizarem a saída por ATR (conforme postulado no texto introdutório dos setups), o Inside Bar é - dentre eles - o mais comumente utilizado com alvos de N vezes a amplitude do stop inicial.
2. Parâmetros
Como o setup não se baseia em um indicador, não há parâmetros.
3. Vantagens e Desvantagens
O sistema possui duas vantagens principais: a primeira, é a sua simplicidade. Assim como no caso do TKO, o critério de entrada é objetivo e dispensa o uso de indicadores; a segunda, é a sua assimetria. Conforme o racional mencionado acima, a característica mais marcante do Inside Bar é a amplitude tipicamente pequena. Isso se traduz em um stop curto, que facilita operações em que os ganhos são múltiplas vezes o risco assumido.
A principal desvantagem do sistema é válida genericamente para operações com stop é curto: a facilidade supracitada é uma via de mão dupla – se aplica também ao acionamento de stops.
Ainda, por ser uma formação genérica de candles, a sua frequência é extremamente alta. Novamente, isso pode ser encarado como uma vantagem e uma desvantagem, conforme postulamos no setup do TKO.
Uma observação adicional é que, ao contrário dos outros três setups comparados, este é o único que não trabalha alguma forma de correção. O Inside Bar se aproveita da tendência pela inércia que tende a direcionar a expansão de volatilidade subsequente à sua formação.
4. Resultados
Assim como todos os setups apresentados, a lucratividade do Inside Bar deriva do payoff, em detrimento do índice de acerto.
Em detalhe, os resultados deste setup podem ser agrupados com os do TKO, por ambos apresentarem as mesmas diferenças de perfil em relação aos dois primeiros desta série, para os 7 ativos trabalhados na periodicidade diária:
- Primeiro, um payoff relativamente menor (este sendo o menor dos 4, na média);
- Segundo, um índice de acerto relativamente maior, na faixa de 40% (este sendo o maior dos 4, na média);
- Terceiro, um drawdown ajustado significativamente menor (este sendo o menor dos 4, na média);
- Quarto, uma frequência maior de operações (este apresentando a maior amostra dos 4, o que torna o backtest mais robusto).
O teste foi realizado de acordo com as condições de entrada, saída e filtro de tendência postuladas no texto introdutório dos setups, somadas à restrição da Banda de Bollinger supracitada.
5. Exemplo
Abaixo segue o exemplo de uma operação.