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👩‍🎨 10 Critérios Para o Comprador de Arte Generativa na Ethereum

Por que a arte generativa está tomando conta da Ethereum, e como avaliar uma coleção com 10 perguntas simples.

A arte generativa está desabrochando na Ethereum. O volume da Art Blocks (últimos 7 dias), anualizado, equivale a ~20% do volume do mercado global de artes.

Dados via Dune.

Repetindo: a Art Blocks, uma plataforma de nicho, especializada em arte generativa - que requer a MetaMask no lançamento de cada produto - está fazendo 1/5 do volume que o mercado inteiro, global, de arte, faz.

👉 Se você não conhece a ArtBlocks, assista a este vídeo.

Arte generativa não é uma coisa nova. As pessoas têm pintado com computadores desde a metade do século passado. Criatividade algorítmica é um fetiche artístico antigo: Instructions, por Sol Lewitt, nos anos 70, codificavam um passo-a-passo para se replicar uma instalação, de forma que a obra se manifestava de forma nova a cada vez que era exposta. Muitos NFTs aludem diretamente ao trabalho de Lewitt.

Por que, então, essa modalidade desabrochou com tanta proeminência na Ethereum?

Quando o Token é a Arte

Cripto-tokens representam propriedade digital com provenança verificável. A indústria da arte é assolada por fraudes, e poderia muito bem se beneficiar de alguma tecnologia do gênero.

Mas o potencial da blockchain no rastreio de arte só pode ser apreciado em sua completude se o próprio token contiver a arte. Se não houver dependência no mundo exterior— zero necessidade de hospedar uma imagem em algum servidor, ou proteger uma pintura pendurada numa parede.

Isso tem um nome no vocábulo bitcoiniano: "o problema do oráculo"— um conundro antigo quando se trata da utilidade da blockchain para o registro de quaisquer coisas que não sejam criptomoedas em si. Um sistema é tão seguro quanto o seu elo mais frágil. Se um registro depende de legislaturas externas (para resolver disputas sobre a propriedade de uma pintura física, por exemplo), então, no fim do dia, ele é tão (in)seguro quanto tal.

Um NFT apontando para arquivos externos; e um NFT auto contido. Fonte: The broken promises of NFT Art

Acontece que, em 2019, dois caras descobriram que é possível, sim, embedar arte num token. Fundir forma e conceito. Expressar, diretamente na blockchain, sementes inapagáveis para ideias eternamente reprodutíveis. 

A arte generativa tem mais de meio século de história, mas parece ter encontrado, na Ethereum, um caminho para a imortalidade.

Autoglyphs e Seus Descendentes

Autoglyphs são o exemplo pioneiro de um mecanismo auto contido para a criação e posse de arte.

Foram lançados pela Larva Labs (que já tinham feito os CryptoPunks) em 2019. Cada peça foi cunhada por um "minter" — um endereço na Ethereum que interagiu, praticamente de graça, com o contrato de mintagem. Esse contrato ainda continha um "guia" pra interpretar os atributos visuais de cada peça.

Se você examinar qualquer uma das 512 transações que deram origem a cada Glpyh, o event data contém o output completo para a obra de arte— instruções codificadas em determinados caracteres que agem como símbolos. Em outras palavras, tanto as instruções quanto os resultados para cada peça vivem on-chain.

Um “event log” do nascimento de um AutoGlyph (esquerda); instruções para traduzir os símbolos, comentados no contrato (à direita); uma visualização rudimentar padrão resultante (centro).

A comunidade de donos de Glyph é hoje um grupo seleto de 139 portadores, o floor price beira os U$1M, e distintos projetos já criaram "derivativos" dos Glyphs. Uma vez que as instruções são públicas, é fácil aplicar novas estéticas e dinâmicas de mintagem para dar origem a coleções "descendentes" (veja ColorGlyphs, PaintGlyphs).

O feito por trás dos Autoglyphs catalisou uma revolução conceitual. A criação, distribuição e propriedade de uma obra de arte definidas pelo mesmo programa. O que poderia ser experimentado, agora que a blockchain fora ressignificada como um meio artístico? 

Chromie Squiggles inaugurou aquela que veio a ser a maior plataforma de arte generativa do planeta (ArtBlocks).

Avid Lines cunhou um sistema para remixar arte digital, onde peças eram geradas em cima de instruções derivadas de Autoglyphs “aprovados” por seus respectivos donos, que, por sua vez, receberam uma porção dos valores gastos de mintagem.

Mutant Garden Seeders explora o "aspecto de relógio" da blockchain, com "pinturas responsivas ao tempo" que morfam em frequências distintas (diária, anual, etc), determinadas desde o nascimento— cada criatura sendo retratada por uma sequência crescente de arquivos SVG de cada estado mutacional, recalculável a partir das informações on-chain.

DEAFBEEF inventou peças audiovisuais generativas que se degradam quando transferidas para um novo dono.

Amulets ressignificam o proof-of-work para produzir poesia e encrustar os espécimes mais belos on-chain.

Um Squiggle, um Avid Line e um Mutant Garden Seeder.

As possibilidade são infinitas. A lista de inovadores só cresce.

Do que é Feita a Boa Arte On-Chain?

Ninguém sabe ao certo o que reterá relevância algumas décadas adiante. Os modelos nos quais as pessoas se apoiam, hoje, para criticar e comprar arte on-chain, ainda são expressões heterogêneas de preferências pessoais.

A Manifold.xyz postula que contratos centrados no criador devem ser (1) autênticos (assegurando a provenança direto do criador); (2) interoperáveis (funcionando junto a standards e marketplaces); e (3) extensível (desenhado para aplicações ou interações específicas).

A FingeprintsDAO propõe que a arte on-chain se distingue por (1) armazenagem permanente (a informação necessária para reproduzir a obra vive on-chain); (2) programabilidade; (3) dinâmicas de comunidade (incentivo a participação em rituais, jogos); e (4) financeirização (explorando a relação da arte com a propriedade e o valor através de mecanismos econômicos).

Abaixo, compilamos uma lista de critérios pra te ajudar a navegar o espaço, e avaliar uma dada coleção. A maioria do discurso públicos foca nos aspectos mais evidentes (à esquerda) da arte on-chain, enquanto uma porção menor se dedica aos aspectos menos evidentes (à direita).

Nível 1: A Superfície

1 | MÉRITO ARTÍSTICO (proof-of-work)

Tomou tempo e trabalho para ser produzido? A coleção demonstra equilíbrio entre variedade e coesão?

Ex: Beeple desenhando por 5000+ dias seguidos— tem "proof-of-work" mais claro que esse? (PS: não é uma coleção generativa).

2 | VALOR DE APRECIAÇÃO

Te faz sentir alguma coisa? É esteticamente inignorável? Confere reconhecimento imediato dentro de algum grupo?

Ex: Fidenzas são esteticamente chocantes.

Nível 2: O Subjacente

3 | DISTRIBUIÇÃO / OFERTA

A oferta é limitada (a coleção está "terminada")? O artista tá vivo ou morto? Quais são as forças inflacionárias e deflacionárias?

Ex: Framergence e o seu mecanismo de "queima-2-para-mintar-outro".

4 | BASE DE COLECIONADORES

A coleção está bem distribuída? Quantos % das peças estão com "unique owners"? Quantos % estão à venda?

Ex: Brotchain e sua regra estrita de "um-mint-por-wallet".

5 | COLECIONABILIDADE

Há incentivos para a participação de portadores no longo prazo? Rituais comunitários espontâneos? Dinâmicas coletivas notáveis?

Ex: Pulsquares e seu sistema de galeria, que garante upgrades visuais aos portadores comprometidos.

Nível 3: O Invisível

6 | PUREZA DO CONTRATO

O contrato no qual a coleção foi mintada é whitelabel (como o StoreFront da OpenSea), ou é feito especificamente para o caso? É operado pelo artista? É elegantemente escrito?

Ex: CryptoPunks —pergunte a opinião de qualquer pessoa que tenha lido o contrato. É tão peculiar que inspirou a criação de um standard para NFTs (ERC721).

7 | "ON-CHAIN-NESS"

Quantas dependências são necessárias para reconstruir a obra a partir dos dados on-chain? Há alguma inovação na compressão ou leitura dos dados da blockchain?

Ex: 0xMons usa calldata storage para salvar o "DNA" das suas animações, pesado demais para viver dentro de contratos (contract storage).

8 | FINANCEIRIZAÇÃO

A coleção gera mecânicas econômicas inéditas? Ela faz uso inteligente do substrato financeiro em que vive?

Ex: This Artwork is Always on Sale e seus Impostos de Harberger.

9 | REFERENCIALIDADE

Reconhece seus predecessores? Como se conecta com ou extende eles? As referências são construtivas ou meramente ornamentais?

Ex: Mitchel Chan e seu IKB reencenam uma performance de Yves Klein, dando novo sentido para cada uma de suas etapas (PS: não é uma coleção generativa).

10 | MÉRITO CONCEITUAL

Te surpreendeu com uma possibilidade nova? Te apresenta uma ideia que você nunca teve? Pode se tornar significante historicamente?

Ex: Autoglyphs!

Este artigo veio da assinatura Paradigma Pro

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